Três perguntas para Clovis Casemiro, da IGLTA

Uma das figuras mais conhecidas do turismo LGBTQ+ no País, Clovis Casemiro, coordenador para o Brasil da IGLTA, comenta os desafios e oportunidades que surgem com a crise do coronavírus. A associação internacional tem foco em viagens mais inclusivas para a comunidade LGBTQ+ e reúne cerca de 1,3 mil membros, incluindo 58 em território brasileiro.

Casemiro, que acumula experiências na Hotéis Othon, Rio Sheraton, Nacional Rio, Caesar Park Hotéis, Nobile Hotéis e Blue Tree, ainda revela que as viagens mais curtas serão uma tendência com o fim da pandemia. E por meio de um estudo que já tem mais de 12 mil participantes, a IGLTA trabalha atualmente para entender o que muda no perfil dos turistas deste segmento e quais serão as preferências dos viajantes após a retomada do turismo.

Confira a entrevista abaixo:

Hotelnews: Com a crise do coronavírus, a indústria de viagens parou em todo o mundo. Quando houver a retomada do turismo você acredita que os destinos tradicionais LGBTQ+ vão permanecer os mesmos ou vão surgir outros?

Clovis Casemiro: No momento é muito difícil de falar. Até junho, todas as paradas do Orgulho LGBTQ+ estão canceladas, inclusive São Paulo adiou para novembro, e esses eventos geram muito fluxo de turistas nos destinos. Em relação ao coronavírus, a América Latina se protegeu mais do que a Europa, e temos ações de olho no futuro.

A Argentina revelou que vai tentar parcerias com cidades próximas, pois uma das tendências do pós-coronavírus serão as viagens mais curtas. Haverá busca por destinos mais vazios, para fugir de aglomerações, e aumento do contato com a natureza. Sobre situações difíceis, após o 11 de setembro a cidade de Nova York reconheceu que o mercado LGBTQ+ foi um dos primeiros a retomar as viagens, o que reforça o poder do nicho.

Estamos realizando até o dia 30 de abril uma pesquisa na IGLTA, chamada Post Covid-19 LGBTQ+ Travel Survey, para entender o que esse Turista LGBTQ+ deseja. Até o momento acumulamos mais de 12 mil respostas a nível global, em seis idiomas, sendo que duas mil pessoas do Brasil já responderam. Na pesquisa online questionamos se os entrevistados farão viagens internacionais, para onde irão e quanto tempo vai durar a viagem, entre outras perguntas.

HN: Quais desafios e oportunidades esta crise vai trazer para o turismo brasileiro no segmento LGBTQ+ e também nos outros nichos?

CC: O desafio maior é o financeiro, pois os viajantes podem ficar sem dinheiro após a crise. Muita gente tentou ajudar e pediu a remarcação de suas viagens, ao invés de cancelar. Esta é uma prova de que o mercado teve uma postura muito boa. Outro problema é sobre o preço das tarifas no futuro, se vão subir muito, já que nos hotéis será necessário contratar serviços mais caros de limpeza, por exemplo.

Em primeiro momento, as viagens vão reduzir muito em distância. Com isso, surge uma chance dos grandes centros focarem no raio mais próximo de clientes de cidades vizinhas e serem impulsionados pelo turismo local.

HN: Haverá uma mudança no perfil dos viajantes após este período de isolamento social?

CC: Com certeza. Os hábitos que eram normais não serão mais e agora vamos ter mais preocupação com a saúde e higienização. Itens como as luvas, máscaras e álcool em gel entrarão mais na nossa rotina. A proteção nas viagens acontecerá de maneira diferente e observamos até empresas começando a fazer testes rápidos do Covid-19 nesta pandemia, que não sabemos até quando vai durar no mundo.

Comentários

  1. Thus Frick 9 de maio de 2020 at 13:01

    É sempre bomnouvur a opinião sensata de quem entende o segmento. Parabéns Clovis. Sigamos esperançosos de uma nova arrancada do turismo com fico no turismo interno.

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