Três perguntas para Carlos Werneck, do Visit Rio
Eleito recentemente como um dos vice-presidentes do Conselho Estratégico da Associação Comercial do Rio de Janeiro com o objetivo de colaborar com a construção de um local mais atrativo para se viver, empreender e visitar, Carlos Werneck é também presidente-executivo do Visit Rio (Rio Convention & Visitors Bureau) e hoteleiro há três décadas.
Nesta entrevista, o executivo, que está sempre envolvido em ações que visam fomentar o turismo no Rio de Janeiro, fala um pouco sobre a sua percepção das ações do Ministério do Turismo e da Embratur nesses primeiros meses de gestão, qual o foco do Visit Rio para os próximos meses e os principais desafios de ser hoteleiro em um dos destinos mais procurados do mundo.
1 – Como você vê a atuação do Ministério do Turismo e da Embratur nesses primeiros meses de nova gestão? O que está dando certo e o que poderia melhorar?
O balanço até o momento é muito positivo, embora questões como instabilidade política e o retorno da obrigatoriedade do visto para visitantes dos Estados Unidos, Austrália, Japão e Canadá sejam fatores que nos preocuparam nesse período, porque geram insegurança para investidores.
A ex-ministra Daniela Carneiro foi muito atuante no período em que esteve à frente da pasta, tratando as questões de forma muito séria. Esperamos que Celso Sabino dê prosseguimento ao bom trabalho e siga focado em uma solução para a questão dos vistos, cuja obrigatoriedade é um retrocesso muito grande para o turismo brasileiro.
Quanto à Embratur, o presidente Marcelo Freixo vem se mostrando um entusiasta do turismo, compreendendo todo o potencial do setor para economia do país. A agência tem se aprofundado nos problemas e entraves que dificultam nossa atuação e se empenhou em assuntos de extrema relevância, como o imbróglio dos aeroportos cariocas, além de estar ativa na participação das feiras e eventos, o que é de extrema importância para promoção do país.
Estamos na expectativa de que o turismo brasileiro colha frutos desse trabalho em breve.
2 – Como é ser hoteleiro no Rio de Janeiro? Quais os principais desafios e benefícios em atuar em um dos destinos mais cobiçados do mundo?
Sou hoteleiro há 30 anos e gosto demais dessa atividade, pelo fato de receber as pessoas em um momento bastante especial da vida delas, é muito gratificante. O Rio de Janeiro tem, de fato, uma demanda grande por hospedagem, então, os hotéis na cidade têm uma taxa de ocupação boa.
No entanto, existem diversas adversidades que precisamos enfrentar no dia a dia e que são comuns a todo empreendedor no Brasil. Na hotelaria, especificamente, um grande desafio é a concorrência desleal dos Airbnbs. É preciso equalizar a questão da cobrança de impostos entre serviços de hospedagens. A prefeitura precisa regular e cobrar impostos sobre isso. Não é justo que empresas tenham que pagar taxas e pessoas que alugam seus apartamentos sejam isentas.
3 – Qual a principal missão do Visit Rio atualmente? Em quais segmentos a entidade deve focar nos próximos meses?
A principal missão do Visit Rio continua sendo o motivo pelo qual a entidade foi criada há 39 anos: fomentar o turismo da cidade, por meio da promoção do destino e captação de eventos para a cidade. No momento, nosso projeto primordial é o relançamento da marca Visit Rio e da plataforma que vai divulgar e reunir informações para o turista que deseja visitar o Rio, similar ao que cidades como Paris, Londres e Miami fazem. Esse projeto vai contribuir para nossa missão e modernizar nossa atuação.

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