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Quando a ESG está presente na essência da hotelaria

Por Monica Borobia

Há conquistas que vão muito além da promoção de uma marca ou de um destino. Elas revelam uma mudança de comportamento do mercado e apontam para o futuro. É exatamente isso que representa o novo momento vivido pela Associação Roteiros de Charme.

Com o apoio estratégico da Embratur, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica voltado à promoção do Brasil no exterior, a associação está ampliando significativamente sua presença internacional.

Ao longo de maio e junho, essa estratégia ganhou forma em uma série de ações realizadas em Portugal, Espanha e França, além daquelas já realizadas na América Latina para os mercados do Paraguai e Argentina. Promovemos capacitações para operadores e agentes de viagens europeus, apresentamos a curadoria da Roteiros de Charme ao trade internacional, fortalecemos o relacionamento com as Embaixadas do Brasil em Lisboa, Madri e Paris e realizamos encontros com representantes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e da Organização Mundial do Turismo (UN Tourism)

Recebemos o apoio institucional dos setores de comercio e turismo de mais de 15 Embaixadas e Consulados do Brasil em diferentes países para divulgar nossos hotéis associados junto a operadores, agentes de viagens, investidores e formadores de opinião do turismo mundial.

Esse movimento não fortalece apenas os 72 hotéis associados, distribuídos por 17 estados brasileiros. Ele coloca o país nas prateleiras do turismo e sinaliza algo ainda mais importante: existe uma demanda crescente por um turismo autêntico, responsável e capaz de gerar impactos positivos nos destinos e suas comunidades.

Mais do que divulgar hotéis, essas agendas tiveram um propósito claro: mostrar que o Brasil reúne experiências de hospedagem alinhadas ao que hoje representa uma das maiores tendências da indústria mundial do turismo — a regeneração.

Durante muitos anos, a sustentabilidade foi compreendida como a capacidade de reduzir impactos ambientais. Hoje, viajantes do mundo inteiro querem saber qual impacto positivo sua viagem deixará no destino escolhido.

É interessante perceber que aquilo que hoje recebe o nome de turismo regenerativo sempre esteve presente na essência da Roteiros de Charme. Quando a associação foi fundada, em 1992, inspirada pelos princípios debatidos durante a ECO-92, ninguém falava em ESG. Ainda assim, seus associados já compreendiam que excelência em hospitalidade precisava caminhar junto com responsabilidade ambiental, compromisso social e uma gestão ética.

Muito antes de essas práticas se tornarem exigências do mercado, a associação já estabelecia critérios rigorosos para seus empreendimentos, incentivando a conservação da natureza, o respeito às culturas locais e o desenvolvimento das comunidades locais.

Essa visão pioneira se consolidou com a criação do Código de Ética e de Conduta Ambiental da associação já em 1999, desenvolvido em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), e continua sendo fortalecida por iniciativas internacionais das quais a Roteiros de Charme participa ativamente, como a Declaração de Glasgow sobre Ação Climática no Turismo e a Iniciativa Global de Plásticos no Turismo.

A implementação deste Código, como ferramenta voluntária e monitorada de forma independente, somada à política socioambiental da associação e ao programa estruturado de ESG em parceria com a consultoria ambiental da Simbiose, define na prática um Sistema de Gestão Empresarial voltado para a minimização dos impactos potenciais do segmento de hospedagem sobre o meio ambiente e a sociedade,  adoção de posturas proativas na busca da sustentabilidade do turismo no Brasil e governança responsável e transparente.

O que muda agora é que o mundo passou a reconhecer o valor desse modelo. Os mercados internacionais já não procuram apenas hotéis de luxo – conceito que vem sofrendo uma releitura. Procuram experiências verdadeiras, conectadas ao território, comprometidas com a preservação ambiental e capazes de gerar benefícios permanentes para as pessoas que vivem nos destinos.

Por isso, celebramos esse momento da Roteiros de Charme com entusiasmo. Um aumento na internacionalização da associação representa uma oportunidade para ampliar a visibilidade da hotelaria brasileira, mas também confirma que o caminho escolhido há mais de três décadas vem definindo tendências. Aquilo que um dia foi visto como uma visão de futuro hoje se tornou uma das maiores demandas do turismo mundial.


Monica Borobia é diretora de Sustentabilidade da Associação de Hotéis Roteiros de Charme

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