A fidelidade da clientela é sinônimo de lucro do hoteleiro
Como revisitar os buffets de café da manhã e torná-los, novamente, um delicioso cartão de visitas estrelado com posto de destaque nos hotéis?
O desafio determinante talvez seja identificar o que o cliente deseja que, na maioria das vezes, até ele mesmo desconhece. Todavia, com a decolagem do wellness, conceitualmente a resposta é o cuidado atencioso e o bem-estar. O cliente quer ser visto com especificidade, onde a saúde, a forma física e o desempenho dele são considerados. Os clientes estão cansados de ‘mais do mesmo’ e desejam opções proteicas e funcionais que promovam a boa forma e a disposição com muito bom humor.
A porta de entrada é manter os intestinos em ordem e, consequentemente, a serotonina – neurotransmissor responsável pelo bem-estar – nas alturas. E nesse caso, quem oferece consistência e consciência alimentares bem embasadas proporcionam um diferencial considerável: conquista a confiança e a fidelidade da clientela. O consumidor de ontem não é o de hoje. ‘Ser feliz comendo’ é a estrela da vez. E quem oferece fundamento e conceito unidos ao sabor, conquista uma constelação.
Promover a digestão eficiente, portanto prazerosa, exige conhecimento e discernimento baseados em combinação de alimentos eficaz que promove a eliminação de toxinas sem esforço. E, felizmente e, não coincidentemente, fornecer opções saudáveis em buffet, promove energia de sobras para curtir os destinos, possibilitando a hospedagem como experiência diferenciada, apesar de subliminar.
Já o hoteleiro poupa recursos pois, o buffet bem pensado e qualitativo é sinônimo de economia em resíduos. Quantidade já não é sinônimo de qualidade. Oferecer menos variedade de queijos – focando em queijos com lactose reduzida – brie, grana e ricotas veganas, ou seja, lactose “free”, por exemplo, demonstram zelo e criatividade. Bem como os iogurtes veganos, por exemplo.
Diminuir o descarte e aumentar a variedade de produtos regionais – em alguns casos com “show cooking” – chef preparando “a la minute” e à “la carte” causam excelente impacto: frescor e exclusividade. Panquecas sem glúten e proteicas, couscous (disponibilidade de recheios), tapiocas, além de crackers ricos em proteínas e fibras, bolos sem farinha ou com farinha sem glúten e proteicos, etc.
A manutenção dos ovos é prestigiosa, bem como variar essa oferta: incluindo a crepioca, a avioca, as gemadas, os cremes/mingaus, os shakes e os shots funcionais, os pudins de chia e linhaça sem lactose, etc. Alguns “a la carte” – criando a percepção de luxo e exclusividade.
A logística nem sempre é fácil, ainda mais na hora de pico, porém a “mis en place” bem executada, resolve com eficiência.
Pratos menores e menos empilhados incentivam os clientes a colocarem menos comida no prato, gerando menor desperdício e gastos excessivos.
A exposição em quantidades mais reduzidas, acompanhadas de avisos sobre reposição frequente, garante frescor e a sensação clara de consideração com o cliente alinhados ao conceito de sustentabilidade.
Todo empresário que se presa sabe que o lucro está muito mais calcado em redução de resíduos, menos perda e sobras. Ou seja, esse comportamento sustentável distribui lucros: conquista da clientela e economia no bolso do Hoteleiro.
Além disso, segundo booking.com (relatório recente), 84% dos viajantes consideram a sustentabilidade importante. Sem contar que, conceitualmente, é sinônimo de sofisticação. A alimentação prazerosa resulta em satisfação momento do consumo e logo após, a partir da digestão eficiente.
Não é necessário ser nenhum “Six Senses” para saber que os nossos sentidos são conquistados com a sofisticação do “market to table”. Frescor, procedência e qualidade em primeiríssimo lugar.
Quanto mais frescor traduzido no atendimento personalizado, maior o seu triunfo. Adeus aos buffets? Jamais. Mas, pensá-lo com inteligência de modo que ele forneça maior credibilidade é emergencial, isso se você deseja lucro atrelado à satisfação da sua clientela visando formar a sua comunidade de hóspedes fascinados com o seu serviço.
Obs.: de acordo com o Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos (2024), da ONU, 1,05 bilhão de toneladas de alimentos foram desperdiçadas no mundo todo, sendo que 28% vêm dos serviços de comida, que geram mais do que o dobro de desperdício em comparação com refeições servidas no prato — cerca de 300 gramas contra 130 gramas nos pedidos à la carte.
Karen Do Couto é consultora alimentar, palestrante pós-graduada em Gastronomia Funcional e autora do livro “Você Pode Ser Mais Feliz Comendo”. Faz o Boletim Diário “Sua Saúde” na Rádio Nova Paradiso FM e é colunista de wellness na Revista Harper’s Bazaar. É também apresentadora do programa do canal GNT, “Viagem Gastronômica”, todo gravado em Paris.

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