Provavelmente quando nossos colegas – alguns membros das arcaicas associações de classe – lerem o título deste artigo, um tsunami irá passar pelo planeta terra.
Alguns dos benefícios são o aumento da competitividade, a mudança no perfil do consumo, a valorização das experiências e, no nosso mercado, um dos maiores valores do Airbnb é nos permitir identificar o hoteleiro médio parado no tempo. Como? Se você fala sobre como o Airbnb é um perigo para o mercado e afeta seus resultados, pronto: você um hotelessauro. Aquele que só dá desculpas, gosta de tirar fotos para veículos do trade e sai das salas de eventos nos assuntos importantes, como economia, mercado e inovação.
Não é segredo que o mundo cada dia mais impõe novas tecnologias, hábitos e meios de comunicação, consumo e relacionamentos. Essa nova dinâmica impõe a necessidade de inovação, incentiva a concorrência, gera oportunidades e faz com que empresas busquem constante atualização para atender às necessidades dos clientes. Segundo o Aurélio, hotelaria é a “atividade profissional que assenta na arte de dar alojamento e/ou alimentação aos hóspedes”. Significa lidar com seres humanos no ápice da intimidade traduzida em higiene, descanso, alimentação e socialização. Nesta relação, o bem-estar é o termômetro para medir se as necessidades foram supridas.
Neste contexto, perceberemos que o Airbnb simplesmente fez o básico, intensificando a vivência de experiências da cultura local. Por que os hoteleiros não fizeram o básico, então? Não percebemos que o mundo mudou? Que os consumidores precisam de conteúdo? Que o hotel deve ser aberto para a cidade e não fechado para hóspedes? Que o restaurante tem que ser atrativo para o público local para ser uma opção para o hóspede?
Fazer o básico não é difícil, mas é bem mais fácil dizer que a concorrência é desleal. Que “os impostos”, “que os custos”, “que o Dólar”, “que o Trump”…
Um inimigo comum une uma classe! Porém, os hoteleiros que se unem para reclamar, não se organizam efetivamente para fazer pressão política para reduzir impostos do setor, para fazer da Embratur algo útil; ou contra players estabelecidos do mercado que aumentam enormemente os custos e não agregam (mais) valor.
Em perspectiva, o Brasil possui mais de 180 mil propriedades registradas no Airbnb. Desde 2014, a empresa já gerou R$ 1,6 bilhões no País. O tempo médio de estadia é de 4 a 8 dias. O dinheiro vem de turistas locais, o que mostra a (in)competência do setor hoteleiro de atingir o público local ou de atender suas expectativas.
E o efeito na hotelaria? A ocupação no Brasil caiu de 70% em 2011 (pré-Airbnb) para 57% em 2017. A diária média? R$ 211 em 2011 e R$ 288 em 2017. Culpa do Airbnb? Ou será que não foi do aumento desenfreado da oferta hoteleira e do mal planejamento, principalmente, nos grandes centros. Ou até mesmo da nossa economia indo pro ralo?
Mas não se preocupe. Se nada der certo? Desesperar jamais! Junte-se a eles! Coloque os quartos do seu pool no Airbnb. Na reunião de condohotel culpe algum proprietário que não aparece frente aos outros. Enquanto isso? Aproveite 3% de custo de distribuição do Airbnb, recebendo o dinheiro diretamente do canal que faz a transação e se preocupa com a forma de pagamento, já que hoteleiro tem problema até pra cobrar cartão de crédito virtual.
Não gostou? Mas você já fez isso antes colocando seu inventário todo na mão de operadoras, consolidadoras, agências e deixando OTAs precificarem seu negócio. É só mais um…. aproveita!

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