EQUIPOTEL 2016 Entidades discutem OTAs e AirBnb; hotelnews chama players para debate
O impacto das vendas via OTAs e os novos modelos de venda de hospedagem, como o AirBnb, foram tema de discussão em diferentes momentos desta Equipotel, que acontece em São Paulo esta semana. De um lado, há a tendência dos consumidores em experimentar estas ferramentas online que prometem praticidade e, em alguns casos, novas experiências. De outro lado, questões como a livre concorrência, segurança e regulamentação da atividade são levantadas por entidades representativas do setor hoteleiro.
Nada, no entanto, se constrói sem um diálogo, e esta foi a proposta da hotelnews para os players do mercado durante a feira. No estande da revista, o tema das OTAs e do AirBnb foi constantemente discutido, mesmo que sem a presença de um dos grandes players – a Decolar.com, que foi convidada para os encontros realizados na Equipotel e não se fez presente. Ainda sim, fica o convite da revista para que este debate aconteça e possa resultar em um equilíbrio do mercado, hoje prejudicado.
Visão das entidades
O painel realizado com Dilson Fonseca, da ABIH Nacional, e Alexandre Sampaio, da FBHA, levantou algumas das questões deste impasse. O aumento no comissionamento surpreendeu os hoteleiros. “A iniciativa da Decolar.com foi imprópria, principalmente num momento de crise econômica. Eles resolveram compensar problemas internos da empresa com este aumento. Acham que vão se impor pelo fracionamento de nosso segmento, e isso nos remete a uma relação não-saudável, e não uma relação de parcerias, como tínhamos”, avaliou Sampaio, citando as ações já formalizadas no Procon e na Secretaria Nacional do Consumidor notificando algumas dessas companhias.
Já Fonseca levantou dois temas importantes relacionados ao AirBnb e outros modelos de venda de acomodações residenciais para períodos de hospedagem. Primeiro, a paridade tributária: “Estes sites vendem apartamentos como se fossem hoteleiros, sem contribuir com a sociedade, sem pagar impostos. Enquanto isso, a hotelaria paga todas as taxas, formalizações, uma dezena de custos que temos para construir e manter nossos empreendimentos”, relatou. Por isso, para ele, é preciso retomar a ética no setor, principalmente em um momento em que até as OTAs estão começando a comercializar este tipo de hospedagem.
“O AirBnb é uma empresa que está vendendo um produto que não está regulamentado. Esta concorrência desleal vai criar um enorme passivo na hotelaria. Estamos trabalhando para sensibilizar não só o mercado, mas também as prefeituras, para que estas agilizem esta regulamentação”, disse o presidente da ABIH Nacional. A atuação das administrações municipais também é a sugestão de Manuel Gama, presidente do FOHB. Em participação em uma discussão sobre hotelaria no século XXI realizada pela arquiteta Moema Wertheimer em seu estande, o executivo falou sobre o tema.
“Todas as novas tendências da hotelaria foram, com o tempo, regulamentadas”, relembrou, citando os flats e, mais recentemente, os condo-hotéis. A tendência, então, é que os produtos desta chamada economia compartilhada sigam este mesmo caminho. “Eu luto para que isso aconteça. O AirBnb pode existir, desde que sigam as mesmas regras que a hotelaria, tenham a mesma carga tributária, que hoje é de 45%. Porque isso afeta o mercado. Há municípios na Europa que reagiram exatamente por isso, como é o exemplo de Berlim (Alemanha) e Paris (França)”, explicou ele. Além disso, ao contrário dos imóveis residenciais, os hotéis foram concebidos para receber hóspedes, e a segurança é um item imprescindível para ofertar este tipo de serviço.
João Bueno, da ABR, e Orlando Souza, do FOHB, também falaram sobre as OTAs durante a Equipotel Conference. O diretor da ABR destacou a necessidade da necessidade de transparência das relações entre hotéis e as agências online. “Queremos manter o diálogo para que as ações não inviabilizem a operação dos empreendimentos menores. Buscamos o equilíbrio do mercado”, definiu ele. Já o dirigente do FOHB reforçou a importância das OTAs para o setor, mas condenou práticas como as cláusulas de paridade. “Questionamos algumas companhias no CADE por conta disso, pois entendemos que é uma prática anti-concorrencial. Você não pode impedir que o hotel ofereça uma condição melhor nos canais que ele escolher, incluindo seu próprio”, afirmou.

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