Em Busca do equilíbrio
Turismo de bem-estar cresce vertiginosamente em todo o mundo
Definido pelo Global Wellness Institute (GWI) como a busca ativa de atividades, escolhas e estilos de vida que levam a um estado de saúde holística, o conceito de bem-estar está em alta em todo o mundo. Essa indústria, que engloba onze setores da economia – entre eles Turismo, Spa, Fontes termais e Bem-estar imobiliário -, é avaliada em US$ 4,4 trilhões, de acordo com o mais recente estudo da GWI: The Global Wellness Economy: Looking Beyond Covid, apresentado no início de dezembro durante o Global Wellness Summit, em Boston (EUA).
O setor, que vinha apresentando uma expansão triunfante na última década, teve uma leve queda em 2020 devido às consequências da pandemia da Covid-19. Segundo o estudo, de 2017 a 2019, a taxa de crescimento anual do segmento era de 6,6%; e entre 2019 e 2020 houve uma retração de 11%. Entretanto, a projeção da entidade é que o setor retome o desenvolvimento com força e que a taxa de crescimento anual fique na faixa dos 9,9% nos próximos cinco anos, maior do que a da economia global (7,3%).
A pandemia da Covid-19 fez o mundo parar e levou as pessoas a repensar sua forma de viver, de se relacionar e também de viajar. Em sua mais recente pesquisa, realizada com cerca de 7,5 mil consumidores de seis países e divulgada em abril deste ano, a consultoria McKinsey & Company mostrou que 79% dos entrevistados acreditam que o bem-estar é importante, sendo que 42% consideram-no prioridade, e muitas empresas do setor turístico já entenderam que é preciso correr para oferecer produtos e serviços para esse público.
Os autores avaliam o mercado global de bem-estar em mais de US$ 1,5 trilhão, com crescimento anual de 5 a 10 por cento, e afirmam que o consumidor enxerga o segmento em seis dimensões: Saúde, Forma física, Nutrição, Aparência, Sono e Mindfulness. “Os consumidores preveem aumentar suas compras de produtos e serviços de bem-estar no próximo ano. Acreditamos em uma mudança maior em direção aos serviços, especialmente os que enfatizam a saúde física e mental”, conforme o estudo.
Consequências da pandemia
A pandemia da Covid-19 abalou muitos setores da economia no mundo inteiro. No wellness, alguns segmentos acumularam grandes perdas, como os relacionados à hospitalidade. Dados do GWI mostram que Turismo de bem-estar (-39,5%), Fontes termais (-38,9%) e Spas (-38,6%) foram os mais afetados, enquanto
Bem-estar imobiliário (22,1%) e Saúde mental (7,2%) apresentaram os maiores incrementos no período de 2019 e 2020.
De acordo com o estudo, a diferença de renda entre ricos e pobres aumentou em meio à turbulência econômica global, expandindo ainda mais a cisão entre o luxo e os mercados de massa. Para alguns consumidores ricos, em países de alta renda, os gastos com bem-estar podem ter mudado pouco durante a pandemia, enquanto muitos consumidores de renda média/baixa não tiveram muito tempo ou dinheiro para gastar com bem-estar em 2020.
Além disso, os consumidores transformaram seus gastos para novas categorias de produtos e serviços quando suas preferências não estavam disponíveis (exercícios em casa em vez de academia; produtos para banho e aromaterapia no lugar da visita a um spa) e, embora alguns estejam ansiosos pela volta à normalidade, outros continuarão com esses novos hábitos.
No entanto, o GWI afirma que quando o mundo se recuperar do choque da pandemia, o segmento wellness deve apresentar um crescimento robusto, chegando à marca de US$ 7 trilhões em 2025, e os setores relacionados à hospitalidade serão os maiores beneficiados: Turismo (20,9%), Termas (18,1%), Spas (17,2%) e Imobiliário (16,1%). Destaque para os serviços relacionados à natureza e companhias que priorizem práticas sustentáveis. Esses aspectos receberão ainda mais atenção de clientes, empresas e investidores nos próximos anos.
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