ESGNotícias
BLTA e IBITI Projeto realizam imersão em ESG na hospitalidade

É indiscutível que a sustentabilidade vai influenciar a maneira como as pessoas viajam. Relatórios e pesquisas apontam, já há alguns anos, o aumento na opção por produtos e serviços turísticos que sejam sócio e ambientalmente responsáveis. Não dá mais para planejar uma viagem sem pensar no seu impacto no meio-ambiente e na comunidade que está inserida.

A hotelaria tem um papel fundamental quando o assunto é turismo sustentável. Desenvolver e implementar processos para monitorar as consequências ambientais e sociais de sua operação tornou-se mandatório nos dias atuais. Isso sem falar da possibilidade de os hotéis compartilharem suas boas práticas com os hóspedes.

Pensando neste momento desafiador e, ao mesmo tempo, com muitas oportunidades, a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) – em parceria com o Ibiti Projeto – organizou um Fórum de Imersão em ESG para discutir os desafios do tema e o impacto no turismo de luxo.

O cenário para este encontro não poderia ter sido mais inspirador: Ibiti Projeto, em Lima Duarte (MG) – um projeto socioambiental experimental que encontrou na hospitalidade uma forma de disseminar suas ações de sustentabilidade e conscientizar as pessoas da necessidade de cuidar e regenerar o planeta. Quer conhecer mais sobre o Ibiti Projeto? Leia a matéria publicada na edição 419.

Com o tema Sustentabilidade, um rito da hospitalidade, o Fórum de Imersão aconteceu de 20 a 23 de março e reuniu associados e parceiros, como os consultores Mariana Madureira, do Raízes Desenvolvimento Sustentável, e João Bernardo Casali, co-fundador da Nativa Brasil e Conselheiro Emérito do Sistema B Brasil.

Turismo Regenerativo

As atividades começaram com uma palestra sobre Turismo Regenerativo, conduzida por Martin Frankenberg, consultor e conselheiro da BLTA, que, além de apresentar a definição e dar exemplos sobre o tema, também contou sobre o seu novo projeto – KAIARA Amazônia Essencial – e de que forma está inserindo este conceito.

De acordo com a definição de Grant Woodrow, COO da Wilderness Safaris, a viagem regenerativa é proativa e intencional, tornando uma área melhor em vez de apenas sustentá-la. Tem como objetivo garantir que o maior impacto positivo seja alcançado como um coletivo – usando o poder do turismo para transformar vidas, oferecendo experiências restauradoras e imersivas que devolvam ao planeta e capacite as pessoas ao mesmo.

Durante sua apresentação, Martin contou que em 2020 decidiu sair da sociedade da operadora de turismo Matueté, após 18 anos, e passou a se dedicar aos estudos, sendo o turismo regenerativo um dos temas que se aprofundou. E foi assim que reavaliou o conceito do cliente do turismo.

“Acho que a grande revolução no meu pensamento foi reavaliar quem é o cliente do turismo. O cliente não é o viajante, o nosso hóspede. Na verdade, no meu caso, quem é o cliente é a Amazônia e os povos que lá habitam, o ecossistema. O viajante é o financiador e o patrocinador dessa história. Precisamos tratá-lo extremamente bem e fazê-lo se entusiasmar pelo lugar. Porque assim ele vai continuar patrocinando e financiando. Mas, ao pensar a Amazônia como o cliente, tudo muda”.

Para Martin, o turismo de luxo, que atrai um público diferenciado, é um pequeno laboratório de novas experiências de viver. Ele acredita que muitos hóspedes podem ser impactados com as iniciativas de sustentabilidade dos empreendimentos hoteleiros. “Quantos de vocês fazem um tour de sustentabilidade do hotel?”, questionou

Desafios do ESG e Sistema B

Mariana Madureira falou sobre os desafios do ESG, greenwashing, exemplos de projetos, além de trazer algumas provocações aos participantes. Ela alertou sobre a questão do greenwashing e do uso dos projetos socioambientais como prática de ilusionismo. “Temos que estar atentos à proporcionalidade da comunicação que damos a uma determinada ação. Ela tem que ser coerente, pois, em muitas empresas, a verba de divulgação é maior do que a doação. Além disso, há companhias que fazem um projeto legal para mascarar as péssimas práticas internas”.

Mariana Madureira

Na agenda ESG, a empresa ganha um papel central. “Ela é protagonista sob o aspecto do capitalismo de stakeholders (quando produzem resultados positivos para os negócios, para a economia, para a sociedade e para o planeta) no lugar do capitalismo de shareholders. Precisamos compartilhar o valor dos negócios com a sociedade”.

Acho que o turismo de luxo pode e deveria ser um agente de maior distribuição e de conscientização também

Mariana Madureira

Dados preocupantes do contexto atual do planeta, como os principais desafios para conter as emissões de gases de efeito estufa e a desigualdade social na emissão do CO2, foram apresentados por João Bernardo Casali.

João Bernardo Casali

Dados da Breakthrough Energy apontam que o mundo emite 51 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. Globalmente, os desafios são eletricidade 27%, transporte 16%, manufatura/indústria 31%, edificações 7% e agricultura 19%, enquanto no Brasil o grande desafio é a agricultura, que representa 66%. Já o estudo Confrontando Desigualdade do Carbono, Oxfam 2020, aponta que a crise climática está associada à desigualdade social – 10% das pessoas mais ricas do mundo emitem CO2 igual aos 90% mais pobres, 1% dos mais ricos emitem 2x a 50% da população.

Dados da Breakthrough Energy

Estudo da Oxfam 2020

João Bernardo também falou sobre os paradigmas nos negócios e as vantagens de empresas certificadas pelo Sistema B – submetidas a avaliação de Impacto B – que englobam cinco áreas de impacto dentro de um negócio: Governança, Trabalhadores, Comunidade, Meio Ambiente e Clientes.

Sustentabilidade na BLTA

Na pesquisa que a BLTA realiza anualmente junto com o Senac foram introduzidas questões relacionadas à sustentabilidade para entender como os associados trabalham esta questão. De acordo com o último relatório (de 2022), 74% afirmam ter práticas sustentáveis, 57% têm envolvimento com o entorno/comunidades, reciclagem e energia solar já se tornaram práticas obrigatórias, enquanto 93% já reduziram o uso de plástico (eliminaram canudos de plástico, garrafa plásticas e amenizeis individuais).

Segundo Simone Scorsato, CEO da BLTA, há números significativos de ações pontuais sobre várias questões de sustentabilidade, mas também existe uma quantidade considerável de associados (42%) que encontram dificuldades em se inserir em projetos com o entorno.

“Vejo que há vários desafios para os associados da BLTA. Em relação, principalmente, aos hotéis urbanos é como conseguir se envolver com a comunidade de seu entorno. Outro tema pertinente também é a questão da diversidade racial, quantas pessoas pretas estão envolvidas em projetos de liderança”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *