Entrevistas
Três perguntas para Luiz Del Vigna, da Abeta

Segundo dados da Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), 77% dos brasileiros priorizam a proteção do meio ambiente em relação ao avanço econômico. Assim, o turismo sustentável se destaca como uma alternativa promissora para o desenvolvimento socioeconômico responsável.

Para Luiz Del Vigna, fundador e atual diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) – organização que tem a vida ao ar livre e a preservação ambiental entre seus pilares de atuação -, todo o território brasileiro oferece uma gigantesca oportunidade de aprimoramento nesse sentido.

“Nós temos os recursos básicos para desenvolver uma indústria turística brasileira de natureza que seja uma referência mundial de qualidade, de segurança e de sustentabilidade, mas isso precisa ser construído. É o que a Abeta tem feito ao longo dos últimos 20 anos”. Confira a entrevista:

1 – Como o turismo de aventura pode auxiliar na preservação ambiental?

O turismo de natureza usa os ambientes naturais como palco e cenário para suas experiências. Em um quase haikai, podemos dizer que a natureza atrai os turistas. Os turistas demandam serviços, serviços geram receitas, as receitas incentivam a preservação dos ambientes naturais. Além de sensibilizar, educar e engajar os turistas na preservação ambiental.

2 – Os destinos e equipamentos turísticos brasileiros estão preparados para receber o turista de aventura? Quais os principais destaques por aqui?

Quando falamos sobre os destinos estarem ou não preparados para o turismo de aventura, se os equipamentos estão ou não preparados para o turismo de aventura, a resposta é que precisamos levar em consideração que o Brasil é um país continental, um país gigantesco, e isso apresenta diferentes realidades. Para nós aqui da Beta é muito importante entendermos essa grandiosidade, posto que somos uma entidade associada em praticamente todo o país, então, cada região tem aspectos diferentes.

De maneira geral, o turismo brasileiro ainda tem muito a se desenvolver em termos de maturidade e profissionalismo, há uma parcela bastante significativa ainda do mercado que trabalha na informalidade e isso não é aceitável. Mesmo trabalhando na formalidade, acabamos encontrando alguns exemplos que nos preocupam muito.

Todas as atividades ligadas à natureza – ecoturismo, turismo de aventura, turismo náutico, turismo de pesca, turismo rural, necessitam de um bioma saudável. Então, quando percebemos isso, aliamos a qualidade do serviço em todos os segmentos – hotelaria, restaurantes, guias, condutores, etc. O Brasil é um país cheio de desigualdades, inclusive no turismo. Alguns destinos estão muito consolidados, como a região do Mato Grosso do Sul, com o Pantanal e a cidade de Bonito; a região das Chapadas, no Mato Grosso; e as serras do sul do Brasil.

Mas, é importante destacarmos que vivemos alguns caminhos equivocados. O turismo de massa, por exemplo, retomou com muita força no pós-pandemia. Corremos o risco de destruir os ambientes naturais pelo excesso de pessoas e atividades. Então, temos desafios também muito complexos pela frente. A Abeta se preocupa com isso e busca encontrar soluções de políticas públicas e iniciativas privadas que melhorem a qualidade da oferta turística brasileira, sobretudo da oferta turística de natureza, dentro de todos os lugares.

Padrões de segurança, dentro dos padrões de sustentabilidade, dentro dos padrões de responsabilidade que precisam ser feitos no contexto do turismo contemporâneo e dos desafios que temos no que diz respeito à contenção de gases de efeito estufa, a questão da sustentabilidade de maneira geral, tudo isso interessa muito ao turismo e sabemos que o Brasil tem muito o que avançar.

3 – A Abeta tem alguma programação/capacitação voltada ao setor hoteleiro?

A ABETA desenvolveu e mantém o Programa Aventura Segura, que visa o aprimoramento da oferta e contempla diferentes iniciativas. Temos alguns cursos voltados para a formação de guias e condutores, e outros destinados à formação de gestores de segurança em turismo de aventura. A Abeta já contribuiu com a construção de mais de 40 normas técnicas que regem, de certo modo, o funcionamento das atividades de turismo de aventura.

Temos, ainda, uma outra área de capacitação voltada para gestores públicos e privados para o aprimoramento do produto turístico e destinos e experiências. Essas três áreas se interligam em qualquer destino turístico e a rede hoteleira é parte integrante dos biomas econômicos. Muito do que abordamos está ligado ao relacionamento interpessoal, ao marketing e à comunicação, focados naturalmente na área da gestão do turismo de natureza e isso também alcança, ainda que de forma marginal, a rede hoteleira.

Não temos cursos específicos para hotéis, mas os cursos que nós oferecemos oferecem subsídios de capacitação que atendem interesses da indústria, no que diz respeito, principalmente, ao entendimento do que é o mercado de turismo de natureza e também na capacitação da linha de frente para responder sobre as atividades de turismo de natureza nos seus territórios. Além disso, está muito ligado ao relacionamento interpessoal, hospitalidade, isso faz parte dos conteúdos dos nossos cursos e certamente atende aos interesses da hotelaria.

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