Sem restrição para a sustentabilidade
Mobiliário ecologicamente correto entra na lista de compras da hotelaria
O tema sustentabilidade é muito difundido e valorizado nos dias de hoje em todos os segmentos da economia. Projetos hoteleiros são pensados e estruturados levando em consideração essa temática, que colabora tanto com a preservação do meio ambiente quanto para a formação de uma imagem positiva da empresa junto ao público interno e externo.
Os resultados mais recentes da pesquisa O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável, divulgada em agosto pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), mostram que os brasileiros estão quatro vezes mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente.
Além de soluções para economizar recursos naturais e evitar desperdícios, os empreendimentos têm também à disposição uma série de móveis com apelo sustentável, tendência crescente na decoração, como conta a arquiteta Vivian Coser, do VCS Projetos, instalado em Vitória e em São Paulo. Todos estão cada vez mais preocupados com as questões ambientais e sempre pensando em soluções sustentáveis inclusive com o mobiliário, criado a partir de madeiras de reflorestamento e materiais reciclados, por exemplo.
Empreendimentos do segmento hoteleiro estão aderindo fortemente, segundo a profissional, motivo pelo qual já existem mostras direcionadas ao setor que priorizam soluções sustentáveis em seus ambientes. Existe uma tendência mundial de hotéis e pousadas ecológicas preocuparem-se em utilizar apenas materiais e mão de obra locais na arquitetura e no mobiliário, diz.
Para Aníbal Vidal Junior, da Kiaroa Arquitetos, móveis ecologicamente corretos podem ser utilizados em quaisquer ambientes. Todos os espaços podem desfrutar de mobiliário embasado na sustentabilidade. Não há restrições quanto à criatividade para o design, afirma.
Como identificar
Newton Figueiredo, fundador e presidente do Grupo SustentaX – empresa de consultoria especialista em projetos sustentáveis -, afirma que o consumidor ainda encontra dificuldades na assimilação desses produtos, apesar de demonstrar disposição para pagar mais por isso.
Para identificar artigos realmente sustentáveis, o profissional diz que é importante tomar algumas providências na hora da compra, como observar a etiqueta que informa a origem do produto. Prefira os feitos em sua região. Evite comprar similares fabricados em outros países. Ao comprar produtos de outros países, reduz-se o recolhimento de impostos municipais e estimula-se o desemprego e a falta de serviços e infraestrutura pública.
Outra dica importante é procurar obter detalhes sobre os produtos, como o material de que é feito e o processo de fabricação para certificar-se de que são realmente sustentáveis, já que não adianta consumir um artigo feito com madeira de reflorestamento, por exemplo, por uma empresa que não se preocupa com o bem-estar dos funcionários e os deixam trabalhando em péssimas condições. A peça perde o seu valor, afirma a arquiteta Ana Lúcia Siciliano, da ALS Arquitetura.
Opções no mercado
Há hoje no mercado todos os tipos de móveis sustentáveis, alguns produzidos em grande escala, planejados e vindos de madeira de reflorestamento, e os de baixa escala que normalmente são peças de design, assinadas. Podemos encontrar bancos, mesas, estantes, prateleiras, entre outros, onde as matérias-primas podem ser pneus de carro, pallet, caixa de madeira etc, conta a designer de interiores Luanna Mattos.
Para Cris Jacobsen, também designer de interiores, está cada vez mais fácil encontrar profissionais e empresas que tenham a iniciativa de trabalhar corretamente com o mobiliário focado na sustentabilidade. Madeiras certificadas e de demolição e placas de bambu podem ser usados em revestimentos de pisos e paredes, painéis, portas e todo o tipo de mobiliário, aplicados em diversos ambientes, explica.
Entre os produtos disponíveis estão mesas, cadeiras, poltronas, camas e armários feitos com madeiras que possuem o Selo Verde, como o concedido pelo Conselho Brasileiro de Manejo Sustentável (FSC), o mais reconhecido em todo o mundo, com presença em diversos países e que leva em conta o cumprimento de questões ambientais, econômicas e sociais. Há ainda produtos inusitados, como os da empresa australiana Karton, fabricados em papelão com sistema inteligente de dobras, o que os torna extremamente resistentes.
São diversas as possibilidades. O projeto de escritório, por exemplo, pode ser adquirido em módulos. Prateleiras e gavetas são montadas de acordo com o gosto do cliente. Outros produtos interessantes que a empresa oferece são as camas de papelão, que podem conter gavetas para aproveitamento de espaço, e a mesa, com capacidade para até seis pessoas.
Ecologicamente corretas são também as criações de Gilberto Messiana, nascido e criado na cidade de Ubatuba, litoral paulista, e com talento natural para confeccionar artesanalmente móveis a partir de árvores e sobras de madeira que seriam descartadas. Em minhas caminhadas pela mata da região percebi que muitas árvores caídas pelo caminho poderiam ser aproveitadas na produção de móveis singulares, explica.
Assim, de maneira autodidata, o designer começou a aproveitar a matéria-prima para fabricar seus artigos, que podem ser montados com encaixes e pregos ou feitos em uma única peça maciça. Segundo ele, o processo criativo começa com muita observação a cada parte da árvore a ser transformada. A beleza da madeira com suas rugas, curvas e veios se aflora. É ela quem diz que forma surgirá e que móvel será criado, explica.
A Green House Móveis, especialista em artigos para áreas externas, trabalha com matérias-primas 100% recicláveis, como fibras sintéticas, tecidos de poliéster, alumínio e tela de PVC. Os tecidos confeccionados em poliéster, por exemplo, possuem como principal matéria-prima garrafas pet, diz o presidente do Grupo Green House, José Tonin Júnior. Trabalhamos com fornecedores certificados e há um compromisso entre os parceiros de cada um cumprir com as responsabilidades em relação à sustentabilidade.
Segundo o executivo, as sobras de materiais são separadas e vendidas para empresas que reciclam e transformam em nova matéria-prima. Também separamos parte deste material e doamos para entidades de nossa comunidade que transformam telas e fibras em artesanatos de decoração, que nós compramos e usamos para presentear clientes e fornecedores, completa.

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