Quais cuidados devem ter as lavanderias de hotéis para evitar contaminação

Diante da pandemia de coronavírus, as entidades e redes hoteleiras já estão desenvolvendo protocolos de segurança e higienização para evitar o risco de contaminar os seus clientes. Essa preocupação atinge diversas áreas do serviço, entre elas a lavanderia, seja do próprio hotel ou terceirizada.

O cuidado deve acontecer em todas as etapas, desde a retirada das peças de roupa de cama e enxoval até a chegada na lavanderia, e depois no transporte de volta para o hotel. Além disso, as empresas devem garantir que os profissionais recebam treinamento para manter um ambiente de produção limpo e higienizado.

“As lavanderias precisam de diversas medidas para tornar o ambiente mais seguro para os seus colaboradores e clientes”, afirma o líder da divisão Textile Care da Ecolab no Brasil, Claudio Aguiar, que atua na prevenção de infecções, soluções e serviços.

“O colaborador deve se proteger em todas as fases, utilizando EPI (Equipamento de Proteção Individual), que inclui luvas de cano longo, capa e máscara. A equipe não pode dobrar as roupas com mãos sujas e muito menos tossir nelas, senão há ainda mais risco de contaminação, o que torna importante o uso de EPI”, explica o professor Marcelo Boeger, que é sócio-consultor da Hospitallidade Consultoria. “Essa é uma preocupação que deve acontecer desde o momento em que se retira as peças do quarto até a devolução, nos carrinhos que levam a roupa limpa”.

Marcelo Boeger

As superfícies que tiveram contato com as roupas de cama e toalhas devem ser higienizadas regularmente. “É preciso garantir que a roupa esteja e limpa e não se recontamine. No caso dos hotéis, a quantidade de roupas é medida pelo número de peças na área suja da lavanderia. Agora a recomendação é fazer essa contagem na origem, ou seja, no momento de recolher do quarto, utilizando uma planilha, caso necessário, para o controle das roupas”, diz Boeger.

Sobre os hábitos da equipe, ainda é essencial que se evite tocar o nariz, a boca, os olhos e o rosto enquanto estiver manuseando roupas de cama e toalhas, que podem estar contaminadas. Após finalizar o procedimento, deve-se lavar as mãos com água e sabão adequadamente e com frequência, ou higienizantes à base de álcool (se água e sabão não estiverem disponíveis).

Processo de lavagem

Marcelo Boeger explica que os fatores essenciais para garantir a eficácia de todo o processo são o ciclo de lavagem, temperatura, produto químico utilizado e a ação mecânica natural das máquinas.

“A temperatura de lavagem deve ser de 72ºC, aproximadamente, associada ao produto de limpeza – o mais adequado é o peróxido de hidrogênio, pois o cloro elimina a vida útil da roupa. O movimento de lavagem da máquina desprende a sujeira do tecido e a desinfecção é garantida pelo produto. Quando não se atinge essa alta temperatura na lavagem, as empresas geralmente compensam com a fórmula química”.

Outro ponto de atenção é que, se o hotel utilizar um serviço terceirizado, é preciso analisar com frequência os indicadores biológicos. “A própria lavanderia que presta os serviços deve criar uma garantia de que a auditoria está sendo feita, por meio de testes para provar que a roupa entregue está com uma quantidade mínima ou zerada de vírus e bactérias”.

Foto de capa: Chrissie Kremer/Unsplash