O que as marcas de consumo consolidadas buscam na hotelaria?



Em 2020, o relatório anual Megatrends da Skift identificou a entrada de marcas de varejo no setor hoteleiro como uma megatendência. De acordo com o estudo, empresas de consumo estão se reposicionando como marcas de estilo de vida com uma presença crescente na indústria de viagens com objetivo principal de apelar para um novo público, particularmente os Millennials (pessoas na faixa dos 25 aos 40 anos), que estão viajando em grande número.
Para Chekitan Dev, professor da Escola de Administração Hoteleira da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, a hotelaria está se tornando um negócio de estilo de vida. “À medida que as marcas amadurecem e buscam novas oportunidades para se envolverem com os clientes, os hotéis são uma opção natural, pois oferecem barreiras de entrada relativamente baixas e alto impacto potencial”, afirma.
O professor assegura que a ascensão da geração Millennials se encaixa nessa tendência, impulsionada por sites de mídias sociais, como Instagram e TikTok, e, mais especificamente, empresas como Airbnb e Uber. “Esse público adora marcas lifestyle, especialmente aquelas que têm um ponto de vista único”.
E o poder dessas parcerias entre a hospitalidade e as marcas de consumo é evidente. As propriedades hoteleiras proporcionam a possibilidade de uma verdadeira imersão nos valores das empresas e podem servir como showrooms dinâmicos e espaços de experiências, buscando a construção de uma verdadeira comunidade.
Esse é o caso da MUJI, empresa japonesa fundada em 1980 e que comercializa uma grande variedade de produtos, incluindo utensílios domésticos, roupas e alimentos, todos oriundos de um processo de fabricação racional, com materiais selecionados e embalagem simplificada. No início de 2018, a companhia enveredou para a hotelaria com a abertura de uma unidade em Shenzen, na China.
Atualmente, conta com outros dois hotéis – Beijing (China), aberto também em 2018; e Ginza (Japão), inaugurado em 2019. A proposta é oferecer luxo acessível, sem extravagâncias, e fornecer um espaço que apoie o corpo e a alma do viajante enquanto estiver fora de casa, além de conectá-lo à comunidade local.
Para isso, a MUJI empregou a estética simples em suas unidades hoteleiras. Os quartos são geralmente compactos e aconchegantes, repletos de produtos que podem ser adquiridos nas lojas da companhia, presentes em todas as propriedades. No MUJI Ginza está, inclusive, a flagship da marca – que ocupa do 1o ao 6o andar do edifício e dispõe de mais de sete mil itens selecionados.
“Veremos um forte desenvolvimento desse negócio. Primeiro, porque faz todo sentido as marcas de consumo, principalmente as de luxo, irem para essa direção, uma vez que é uma genuína expansão do que fazem: cuidar de clientes, atender e envolver. Além disso, a busca pela diversificação e ampliação dos negócios é natural, e ainda temos que considerar que se torna cada vez mais claro que as experiências serão protagonistas do consumo e das tomadas de decisão”, analisa Carlos Ferreirinha, presidente da MCF Consultoria.
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