Fernanda Semler: a evolução da hospitalidade

Idealizadora do conceito de pós-luxo, Fernanda Ralston Semler é proprietária do Botanique Hotel & Spa, localizado no Triângulo das Serras (SP), que a partir de 2021 integrará o portfólio da rede Six Senses. Com isso, o hotel receberá investimento milionário para a renovação de sua estrutura, que contempla o aumento do número de acomodações, ampliação dos serviços de wellness e gastronomia, além de um projeto de residências. Radiante com esse momento, a empresária revela o que está por vir nessa evolução do conceito do hotel e os seus próximos passos.

Revista Hotelnews: Como foi a sua trajetória profissional?
Fernanda Semler: Saí do Brasil muito jovem. Aos 14 anos me mudei para Nova Iorque (EUA) para estudar em colégio interno. Após encerrar os estudos, fui para Manchester, na Inglaterra, onde cursei teatro com especialização em cenografia. Sempre tive um olhar muito detalhista para as questões de iluminação e design. Na época da faculdade conheci o então namorado de Gianni Versace em um evento, e ficamos muito amigos. Em seguida, ele me chamou para trabalhar na Versace, cuidando das vitrines. Ou seja, migrei da área de drama e cenografia teatral para atuar na moda. Foi uma época gostosa e criativa em que Gianni estava começando a história do grande luxo, que hoje conhecemos como luxo tradicional. Trabalhamos juntos por quatro anos e meio. Eu estava produzindo a vitrine da loja de Miami Beach quando ele foi assassinado. Fiquei pouco tempo mais na empresa, mas não houve muita compatibilidade com a Donatella Versace. Logo, fui contratada pela Euro Fashion TV, um canal popular nas TVs de todas as lojas e festas. Minha função era captar investimentos e cuidar da cenografia dos desfiles para as filmagens. Ao todo, passei nove anos fora do País e voltei porque meu pai estava muito doente. Nesse período, criei raízes e uma história no Brasil, sendo diretora de atendimento de uma agência de eventos e publicidade. Tive grandes contas, como Motorola, Bank of Boston, Walmart e outras empresas enormes, que me proporcionavam eventos de grande porte, onde colocava em prática minhas habilidades com cenografia. Nessa época, abri na agência uma divisão dedicada ao terceiro setor, trabalhando com fundações e ONGs. Algumas das selecionadas foram a Fundação Roberto Marinho e a Fundação Semco, foi quando conheci o Ricardo, meu marido.

HN: Por que você resolveu entrar na Hotelaria e criar o Botanique?
FS: Não sou hoteleira e nunca me imaginei cuidando de um hotel, mas sempre fui muito crítica e tinha uma lista na minha cabeça sobre o que me incomodava nas minhas experiências. Em 2003, já notava que o luxo estava mudando para um consumo mais inteligente, que não tinha mais a ver com ostentação, que ultrapassava grifes, exageros e trabalho de mão de obra barata. Decidi estudar para desenvolver esse conceito de pós-luxo e criei um manifesto com cinco pilares. Me casei em 2007 e nos mudamos para a Mantiqueira. Logo, decidi que precisava de um exemplo físico para validar esse conceito, então surgiu a ideia do Botanique.

Leia a entrevista completa na edição 416 ou no nosso app, disponível para download na Apple Store e no Google Play

Deixe uma resposta