Preocupação com o meio ambiente e iniciativas que façam com que o hotel possa receber todos os perfis de hóspedes: a sustentabilidade abrange uma série de práticas, e a aplicação disso é urgente. Para debater as diferentes realidades, o segundo painel do dia contou com a presença de nomes como a deputada Célia Leão (PSDB-SP), que foi a primeira a colocar seu ponto de vista, relembrando que o que se discute hoje em termos de acessibilidade é uma grande conquista, fruto de muitas lutas.
“Chegamos à Constituição de 1988, onde tivemos finalmente nossos direitos básicos estabelecidos. O que acontece é que para garantir o básico para as pessoas com deficiência, às vezes é preciso fazer o máximo. É preciso uma revolução para incluir-nos neste básico”, explicou ela, destacando a necessidade de seguir com este trabalho de conscientização e conquistas para o setor. Edison Passafaro, da ABNT, foi mais provocador. “Quanto tempo mais é preciso para o empresário possa atender a legislação e seus hóspedes? Não temos mais tempo de ficar procrastinando essas questões que já foram discutidas e já estão em forma de lei”, disse.
O executivo falou ainda sobre a falta de engajamento da hotelaria nas questões de adaptações de seus estabelecimentos para as pessoas com deficiência, citando o programa de Acessibilidade desenvolvido pela ABIH-SP e que conta somente com um hotel participantes. “Eu enxergo, hoje, três desafios para o século XXI: mobilidade urbana, inclusão social e sustentabilidade econômica e ambiental. Isso é o que todos os gestores, públicos ou privados, devem ter em mente em seus projetos”, definiu ele.
O case do Hotel Fazenda Campos dos Sonhos, apresentado por José Fernandes, foi um exemplo de projeto que une meio ambiente e acessibilidade de uma forma economicamente sustentável e exibindo bons resultados. O executivo, que é proprietário do empreendimento e do Parque dos Sonhos, ambos na cidade de Socorro, no interior paulista, explicou que começou a pensar na questão da sustentabilidade há mais de dez anos. De lá para cá, desenvolveu uma série de formas de receber todas as pessoas no hotel e soluções para que elas pudessem participar das atividades oferecidas. Desde cadeiras especiais na tirolesa, que depois foram solicitadas também pelos visitantes sem deficiências, até rampas e cadeiras flutuantes para as piscinas, que atendem também idosos – itens que fizeram com que o empreendimento fosse reconhecido nacional e internacionalmente por sua acessibilidade.
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