David Rios (IHG): o brasileiro é valorizado globalmente
No último dia 27, a rede IHG promoveu em São Paulo a quarta edição do IHG Commercial Exchange São Paulo, evento que reúne os representantes dos seus hotéis das Américas Latina, do Norte e Central e os principais clientes no Brasil. Durante o encontro, os executivos abordaram as soluções da IHG para os parceiros comerciais e reforçaram o lançamento do IHG One Rewards – programa de fidelidade que conecta hóspedes com mais de seis mil hotéis da companhia divididos entre 17 marcas.
Na ocasião, a hotelnews teve a oportunidade de conversar com o vice-presidente de Marketing e Vendas da IHG para a América Latina, David Rios. Confira a entrevista:
Como você enxerga o Brasil hoje no contexto do mercado latino?
O mercado brasileiro é muito importante para nós em dois sentidos. O primeiro diz respeito ao mercado doméstico. É esse segmento que está sustentando os hotéis atualmente. Por isso, é muito importante assegurarmos que temos uma forte presença no Brasil para manter esses hóspedes brasileiros conosco.
Uma amostra disso é esse evento de hoje, estamos nos cercando de parceiros, intermediários, contas corporativas, ou seja, para que estes poucos viajantes internacionais que chegam ao Brasil fiquem em nossos hotéis. Outro aspecto que vemos é que o Brasil é um mercado alimentador para outros destinos. O brasileiro é bem valorizado globalmente. Todo mundo gosta do Brasil e do brasileiro.
Sobre o mercado interno, esse é um cenário que se apresenta apenas no Brasil ou na América Latina toda?
Ainda é na América Latina toda, mas isso está mudando. Se voltarmos na época da pandemia da Covid-19, dizíamos que o mercado interno iria nos abastecer no dia a dia e esse movimento ainda é forte. Mas, nos últimos três meses já começamos a ver a recuperação internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, se ativaram mais rapidamente, ao contrário da Europa, que ainda estava tendo dificuldades com casos de Covid e questões de treinamento. Então, Estados Unidos e Canadá foram os principais alimentadores para nós.
A IHG tem expertise em luxo. Como o mercado latino-americano e brasileiro vai se aproveitar disso?
Um dos mercados que mais consomem os produtos de luxo da IHG no exterior é o Brasil. Uma das estratégias da rede é fortalecer nossa estrutura no segmento de luxo. Há muitos hotéis, mesmo sem bandeira, que são do segmento de luxo e precisam de apoio de uma corporação e se beneficiar de tudo o que uma cadeia pode ofertar. Temos muitos projetos nos Estados Unidos e no México. No Brasil, também temos o objetivo de crescer nessa categoria, mas, não posso compartilhar mais dados sobre isso.
O luxo no Brasil é atrativo para a IHG? Existe consumidor para o luxo no Brasil?
Sim. Acredito que o brasileiro também está buscando explorar seu próprio país. É um mercado muito importante, não apenas para a IHG, mas para o mundo todo. Então, temos que nos fortalecer para isso. O brasileiro sempre está em nossa mente, no lançamento de produtos, promoções, na forma de nos comunicarmos.
Como vocês pretendem crescer no Brasil?
O país tem diversos segmentos e a visão da IHG é crescer em todos os que forem possíveis. O segmento econômico é oportunidade não só no Brasil, e sim globalmente. Pouco antes da pandemia da Covid lançamos no mercado a nossa bandeira AVID. Abrimos um hotel no México no meio da pandemia e foi um sucesso histórico. Boas ocupações, diária justa. Agora temos três unidades, todos com êxito. Eu acredito que as maiores oportunidades atualmente estão nas duas pontas – luxo e econômico. Já os hotéis do meio estarão sempre sofrendo um pouco.
O segmento lifestyle vem se destacando nas redes internacionais. O que a rede IHG tem feito nesse movimento?
Neste momento, estamos completando a construção de um hotel em Galápagos. Esperamos abrir as portas no começo de janeiro. Outro hotel recém-anunciado, em Tulum, será reestruturado durante 12 meses para reabrir com o conceito IHG. O segmento lifestyle é muito importante para a nossa rede, tanto que criamos um departamento exclusivo para cuidar dele – desde fortalecer nossas bandeiras a desenvolver novas oportunidades.
Como a IHG vê o movimento do STR?
Não é o nosso core business. Estamos orientados a fortalecer a hospitalidade. Eu acredito que esse modelo não é justo, ele pode ser melhorado, mas há mercado para todos. O STR está crescendo, mas a hotelaria também está. Existe um segmento muito potencial para a hotelaria tradicional, que é o corporativo, pois damos a garantia de que seus executivos ficarão em um lugar com todos os serviços que eles precisam para garantir uma boa estadia, coisa que o STR nunca poderá fazer.

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