Com obras paradas, CEO da MARAEY pede que recursos sejam julgados
Durante a 19ª edição do SAHIC Hotel & Tourism Investment Forum – Latin America and The Caribbean, encontro realizado entre os dias 24 e 25 de março no Rio de Janeiro, conversamos com Emilio Izquierdo, CEO do MARAEY – projeto turístico-residencial localizado em Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro. O empreendimento tem como ativos fundamentais a proteção ao meio ambiente e o investimento em pesquisas acadêmicas com a participação de algumas das principais instituições do país, a valorização da comunidade local, além do desenvolvimento econômico.
Na ocasião, o executivo contou sobre os primeiros passos do negócio. “Na época, Maricá não era como é hoje. É uma área maravilhosa onde estamos trabalhando há mais de 15 anos, contando concepção, desenvolvimento, licenciamento, etc”, disse o empresário ao afirmar que o projeto é uma solução à perpetuidade da preservação ambiental e também da comunidade de pescadores de Zacarias.
“Nós entregamos títulos de propriedade, promovemos a reclassificação urbana para essa comunidade com eletricidade, esgoto, áreas de lazer, salão pescador, saneamento, etc. É uma proposta de desenvolvimento econômico para Maricá, para o estado do Rio de Janeiro. Aliás, eu falaria de um projeto transformador para o turismo do Brasil e esse desenvolvimento econômico vai ter um impacto à perpetuidade”.
Regeneração ambiental e desenvolvimento social
O executivo destacou que o projeto vai além da sustentabilidade, ele pretende regenerar o meio ambiente onde está inserido, aumentando 120 hectares de vegetação nativa. “Foram 13 anos para concluirmos o processo de licenciamento, mais de seis mil páginas e 150 especialistas. Vamos regenerar o meio ambiente e depois da comunidade de Zacarias”, diz Izquierdo.
Segundo o empresário, a região é composta por 200 famílias que sempre correram o risco de serem expulsas do território pelos antigos proprietários. Mas, que agora fazem parte do projeto. “Receberão os títulos de propriedade, terão o mesmo padrão de esgoto, eletricidade, etc”. Hoje, 93% dessas famílias, que 18 anos atrás eram totalmente contra qualquer desenvolvimento urbano na área, são a favor do nosso projeto”, orgulha-se.
Além disso, o projeto investe no desenvolvimento social e econômico, por meio de cursos de capacitação profissional e priorização de mão de obra local. “O turismo é intensivo em mão de obra, na contratação de mulheres e de jovens. Atinge 250 subsetores econômicos, de baixíssimo impacto”, conta.
Dificuldades de viabilização
Diante da grandeza do empreendimento, Izquierdo diz que o primeiro desafio foi o rigoroso processo de licenciamento, que levou 13 anos para ser concluído. Entretanto, o grande entrave é o que está passando há quase dois anos, que é a paralisação na justiça. “Começamos as obras em março de 2023, com todas as permissões, licenças, parcerias, apoios, reconhecimentos nacionais e internacionais, e dois meses depois as obras foram paralisadas. Nosso apelo é que o Superior Tribunal de Justiça julgue os recursos apresentados e libere a obra”.
Izquierdo diz que a paralisação mencionava a construção de uma marinha, a expulsão dos pescadores da região e a destruição da natureza. “Não há intenção de construir uma marinha, nosso projeto pretende incorporar toda a comunidade e não o contrário. Nosso empreendimento é a solução para a preservação e aprimoramento ambiental”, protesta. “Somos investidores com capital da Espanha, da China, dos Estados Unidos e do Brasil. Acreditamos no Rio de Janeiro, no Brasil. Não é justo que estejamos sofrendo essa paralização”.
Com investimento superior a três bilhões de dólares, o projeto deve criar 50 mil empregos na construção e mais de 36 mil empregos durante as operações. Nesta primeira fase, a ideia é entregar um destino turístico com três hotéis, grandes residências, uma universidade e um centro de pesquisas – o que representa 700 milhões de dólares de investimento. “Pela primeira vez na história IFC, CAF e Bid Invest se juntaram para apoiar um projeto. Tudo isso pela pegada de sustentabilidade ambiental, social, de produção e desenvolvimento. É um case, uma referência”, explica.
O CEO diz que esse novo destino turístico será responsável por mudar o Brasil, uma vez que o país possui alguns gargalos, como visibilidade internacional e segurança. “Teremos mais produtos cinco estrelas geridos por operadores globais, mais conectividade e operadoras de turismo; mais formação e melhores estruturas de capital”, afirma Izquierdo.
Para a universidade, a companhia firmou acordos com a ONU Turismo, com a Universidade de Lausanne, o apoio do Ministério do Turismo e, agora, o Senac. “A ideia é implementar cursos de capacitação profissional de seis, 12, 18 meses para 150 / 170 mil jovens do Brasil nos próximos anos”. Já a segunda fase do empreendimento englobará uma escola, um hospital, um shopping center, áreas esportivas e outras unidades residenciais.
Participação no SAHIC
Na segunda-feira (24), durante a abertura do SAHIC, o secretário de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, Gustavo Tutuca, mencionou MARAEY como um exemplo significativo de desenvolvimento turístico para a região. Durante o painel “Com Foco no Brasil: Oportunidades e Desafios no Crescimento do Setor Hoteleiro no Estado do Rio de Janeiro”, Tutuca destacou o impacto de grandes investimentos, como o complexo. O secretário enfatizou ainda a importância do projeto para o crescimento do turismo no estado e para o desenvolvimento de novos destinos.
Já no início da manhã de terça-feira (25), Izquierdo contribuiu com o painel “Turismo Regenerativo e Hospitalidade Experiencial: O Futuro das Viagens Holísticas”. O executivo abordou como o turismo pode evoluir da sustentabilidade para a regeneração, destacando o pioneirismo de MARAEY.
Já no painel “Visionários que Abrem Caminho – Os Sonhos São Sempre o Começo de Tudo”, Emilio Izquierdo Jiménez, fundador de MARAEY e pai do atual CEO, compartilhou sua trajetória pioneira e a visão inicial que originou o projeto. Em uma troca conduzida por Arturo Garcia Rosa, presidente do SAHIC, Jiménez refletiu sobre os desafios de criar um empreendimento que fosse além do sustentável, deixando claro que a mesma paixão pelo meio ambiente e pela transformação social que o fizeram idealizar e fundar MARAEY continua a ser o motor por trás do sucesso do projeto, que hoje tem sua sequência conduzida pelo filho.

“Esse projeto tem todos os apoios administrativos e político-públicos. Minha convicção é tanta que, se pudesse voltar no tempo, lá em 2010 quando comecei essa empreitada, faria tudo de novo. Isso vem da tranquilidade de saber que fazemos tudo certo, dentro da lei, respeitando cada órgão e legislação competente – e rigorosa sim, como deve ser, principalmente em se tratando de meio-ambiente. Sei que todos os esforços serão recompensados e que a lei se fará cumprir”.
No encerramento do evento, Emilio Izquierdo retornou ao palco para integrar o painel “Visão 2030 – Desafios e Oportunidades Futuras para o Turismo e a Hospitalidade na Região”, onde compartilhou as perspectivas do projeto MARAEY para o futuro do turismo e hospitalidade na América Latina. Junto a outros líderes do setor, ele discutiu as tendências globais de sustentabilidade e inovação, reforçando a importância da conexão com os habitantes da região.

O projeto foi, por mais de uma vez, mencionado como um exemplo de destaque em sustentabilidade, recebendo reconhecimento mundial por sua abordagem inovadora. Além de sua posição como signatário do Pacto Global da ONU, MARAEY já conquistou premiações de renome, como o Prêmio de Liderança do U.S. Green Building Council 2021 para América Latina e o selo BIOSPHERE como o primeiro projeto privado do mundo reconhecido como “Sustainable Tourist Destination”.




notícias recentes
Paradisus Cancún aposta em bem-estar e experiências inspiradas na cultura maia
Trul Hotéis reforça estrutura comercial
Hotéis.com aponta três tendências que devem influenciar as viagens em 2027
notícias relacionadas
Hotel Ort completa seis anos de transformação e reforça aposta no luxo de experiência
DPNY: história, inovação e hospitalidade à beira-mar
O novo luxo segundo François Delahaye