Alexandre Sampaio: FBHA está reabrindo representações regionais
A hotelnews conversou com Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), durante a 34a edição do Festuris Gramado, que aconteceu entre os dias 3 e 6 de novembro no Serra Park, em Gramado (RS). Confira a entrevista:
– Qual a importância da Festuris para o turismo e a reunião dos empresários do setor?
O Festuris ocupa um espaço significativo no trade do Sul do Brasil, além de contribuir para trazer países do Mercosul para uma reunião que tem um caráter de fechamento do ano e propositivo sobre o que vai ser o turismo no ano que vem. Ela se revestiu esse ano de um caráter interessante pela mudança do governo federal. Cresceu muito e a tendência é crescer cada vez mais com a recuperação dos eventos e acho que ele tem um papel importante por permitir a discussão sobre esse clima com todos os partícipes – hotéis, agências, operadoras e companhias aéreas – e quais perspectivas para o turismo no próximo governo.
– Você percebeu durante a feira alguma definição para cargos importantes no turismo neste novo governo?
Não. Houve muita especulação, mas o turismo, como sempre, deve receber poucos recursos, vamos depender de emendas parlamentares para projetos pontuais. A grande dúvida que se acerca hoje é se a pessoa indicada pelo presidente eleito vai ter interlocução no parlamento para conseguirmos verbas adicionais. Com a crise fiscal que estamos entrando e com a discussão sobre o orçamento, que já estourou o teto e ameaça o arquétipo da economia brasileira, logicamente que serão destinados poucos recursos para o setor. É uma pena, mas teremos um ano que organização, que exigirá de nós criatividade e interlocução junto aos nossos parlamentares para emendas pontuais.
– Você acredita que exista um nome hoje de consenso para ficar à frente de um eventual Ministério do Turismo?
As especulações são muitas e grupos de pressão existem. Já se fala que o presidente eleito pode dar um caráter político ao ministério, contemplando partidos ou pessoas do seu arco de apoio. De toda maneira, o que ouvimos não agradou o trade de forma geral. Então, acho que cabe muita conversa e ação de todos os locais para poder encaminharmos um nome que reúna esses preceitos: interlocução no parlamento, obtenção de verbas adicionais complementares por parte de deputados e senadores, e um processo de interlocução como trade. Durante os governos anteriores do PT tivemos discussões no âmbito do Conselho Nacional de Turismo que propiciaram avanços em algumas ações.

– Você aproveitou o Festuris e se reuniu com seus parceiros aqui do Sul. Conte um pouco sobre essas reuniões.
A federação pretende a partir do ano que vem desenvolver um processo de reabertura de representações regionais, ou seja, onde tem mais sindicatos por estado. No Sul já era um pleito muito grande, pois aqui a maioria das entidades é estadual.
Então, eles entenderam que era importante uma estruturação da federação nacional no Rio Grande do Sul para que os sindicatos gaúchos pudessem fazer essa interlocução como governo de maneira criativa, reproduzindo um ambiente de discussão muito específico na área de hotéis e restaurantes.
Obtivemos o consenso para poder realizar a criação da FBHA-RS, que vai estar sediada em Caxias do Sul. Queremos justamente abarcar todos os sindicatos gaúchos e de Porto Alegre para discutir assuntos específicos das áreas de hotéis e restaurantes, interagindo com o restante das entidades nacionais e locais em prol do turismo. Hoje, participam 12 sindicatos do Rio Grande do Sul e dois em Porto Alegre. Apenas Gramado ainda não se integrou, mas isso é um processo que leva tempo, precisamos entregar resultados e soluções para que, eventualmente, haja uma unanimidade.
Estamos criando uma regional no Rio de Janeiro e pretendemos fazer uma também no Paraná, em Foz do Iguaçu. No restante do Brasil, achamos que os aspectos mais regionais são mais produtivos. Então, a ideia é montar uma representação no Nordeste, uma no Centro Oeste e, talvez, uma no Norte. Com isso, fechamos o ciclo para apoiar esses sindicatos, que podem ter representação individual, mas unidos terão uma força política ainda maior.

– Qual o principal ganho de uma representação regional? Qual a relevância para o associado?
É relevante em muitos assuntos que envolvem o estado e os sindicatos patronais, como ICMS, Simples e ISS. Quando se tem uma representação mais próxima desses estados das suas capitais, é possível conseguir uma resposta mais rápida às demandas que surgem. Assim, damos mais autonomia para esses sindicatos se organizarem e apresentarem um pleito comum. Então, a vantagem é dupla: primeiro, maior convivência e interação, e, segundo, atender um foco que é verbalizado pelas próprias empresas que participam desses sindicatos.

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