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Agenda ESG: melhor se preparar

Consumidores e investidores estão optando por empresas engajadas

Ao longo dos anos, o mundo passou por diversos movimentos que trouxeram grandes transformações para a sociedade, como a Revolução Industrial e Tecnológica – quando a mecanização passou a fazer parte dos meios de produção, o que possibilitou a consolidação do capitalismo – e a Era da Informação, com a popularização da internet e novas tecnologias surgindo a todo momento.

Agora, os olhos do mundo estão se voltando para uma nova revolução, desta vez com foco nas pessoas e na preservação do planeta. Trata-se do ESG, um movimento que vem crescendo dia após dia e se tornando essencial para negócios dos mais variados segmentos em todas as partes do planeta. Engloba avaliar e gerir os impactos que uma empresa causa no meio ambiente, transparência e identificação de riscos, e responsabilidade.

Do inglês Environmental, Social and Governance (ou Ambiental, Social e Governança, no bom português), o ESG foi utilizado pela primeira vez em 2004, em uma publicação do Banco Mundial em parceria com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), chamada Who Cares Wins (Ganha Quem se Importa). O termo surgiu de um questionamento do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a 50 CEO’s de grandes instituições financeiras sobre como integrar fatores sociais, ambientais e de governança no mercado de capitais.

Desde então, vem sendo tratado por áreas mais específicas dentro das empresas, mas não era muito comentado em mídias tradicionais, como explica Cintia Cespedes, gerente de Sustentabilidade & ESG da PwC Brasil. “Em nosso país, o tema começou a ganhar força em meados de 2019, a partir da divulgação da carta de Larry Fink, CEO da Black Rock. Algumas empresas passaram o olhar com mais atenção para o tema”, explica.

A carta a que Cintia se refere é um documento em que o CEO de uma das maiores gestoras de ativos do mundo reportou aos seus clientes informando que as empresas sem propósito e que não cumprissem com suas obrigações para com todos os stakeholders (partes interessadas do negócio) seriam deixadas para trás. A ideia era impactar e mobilizar os executivos a desempenhar um papel mais ativo na melhoria do meio ambiente e das comunidades locais. E o aviso surtiu efeito.

Antes disso, outros movimentos já vinham dando protagonismo ao assunto, como os Princípios do Investimento Responsável (PRI), criado em 2006 com o objetivo de convencer investidores sobre negócios sustentáveis; o Acordo de Paris, em 2015, que discutiu a diminuição das emissões de carbono; os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de metas criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 e que visa promover um desenvolvimento mais sustentável, justo e inclusivo; além dos encontros anuais do Fórum Econômico Mundial e da Conferência do Clima da ONU, que também abriram muitas discussões sobre o tema.

Cintia diz que outros fatores também contribuíram para estimular o movimento no Brasil, que se intensificou mais recentemente. “A pandemia de Covid-19, iniciada em 2020, escancarou as desigualdades sociais do nosso país. A crise hídrica, em 2021, e os impactos na geração de energia também foram fatores impulsionadores, assim como o aumento do desmatamento na Amazônia em um momento em que diversos países discutem formas de diminuir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)”, acredita.

Empresas conscientes

Um estudo realizado pelo IBM Institute for Business Value (IBV) identificou que o tema é prioridade para a maioria da alta liderança no País. Entre os brasileiros entrevistados, 48% classificam a sustentabilidade como prioridade máxima em suas empresas, um aumento de 65% em relação a 2021. 

Entretanto, embora 68% dos executivos brasileiros relatem a realização de algumas ações e iniciativas de sua estratégia de sustentabilidade, apenas 24% deles dizem executar essa implementação em toda a empresa. Ainda assim, 73% dos entrevistados no Brasil estão confiantes que alcançarão as metas de sustentabilidade.

Já o International Business Report (IBR), realizado no primeiro semestre de 2022 pela Grant Thornton com 255 empresas brasileiras – onde questionaram as intenções de investimentos em aspectos ESG nos próximos 12 meses – 95% das lideranças consideram importante a redução de emissão de gás carbônico, geração de energia limpa e adoção de esforços contra o desmatamento. Para isso, 54% pretendem investir em novos projetos já identificados no plano estratégico da empresa.

De acordo com Cintia Cespedes, as empresas, sobretudo as de capital aberto, já se deram conta da importância de considerar o ESG na estratégia de negócios e estão se preparando para manter uma comunicação assertiva com seus stakeholders. Por outro lado, muitas ainda demonstram dúvidas em como implementar. “Nesse sentido é muito importante a construção de estratégias robustas, que incorporem o ESG com seriedade e transparência, evitando o risco de praticar greenwashing”, alerta.

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