O estande da hotelnews foi palco de um bate-papo animado entre os gerentes gerais de três grandes marcas de luxo da hotelaria paulistana. Yann Gillet, do Grand Hyatt São Paulo, David Ecija, do Hilton São Paulo Morumbi, e Miguel Garcia, do Tivoli São Paulo Mofarrej, conversaram com Márcio Loducca, publisher da revista, sobre a vinda ao Brasil, o mercado de São Paulo e a integração dos hotéis com a cidade. Como a capital paulista estava em pauta, o SPCVB também foi convidado, mas acabou não comparecendo ao evento.
Estrangeiros, eles estão no país há menos de dez anos e apontam a receptividade brasileira como fator essencial para a adaptação na nova cultura. “Existe uma grande diferença sim – e isso não quer dizer que aqui é melhor ou pior que outro lugar. Apenas diferente. E nós, como estrangeiros, é que nos adaptamos. Primeiramente, é preciso humildade para ouvir e entender”, ponderou Garcia. A língua, por outro lado, é o grande desafio de recém-chegados como Gillet. “Os brasileiros tem uma forma diferente de falar, uma entonação especial. É um processo muito legal aprender a língua, porque quando você fala português, fala para o coração das pessoas”, disse ele.
Não somente os brasileiros, incluindo as equipes dos empreendimentos onde trabalham, mas também a cidade encantou os gerentes. São Paulo é, inclusive, parte importante dos projetos de hospitalidade que eles hoje desenvolvem em suas unidades. “Nós que moramos aqui temos a responsabilidade de mostrar São Paulo como uma cidade normal. Quando você for par aum parque, tiver alguma experiência legal com a sua família, tire uma foto e poste nas mídias sociais. Se todo mundo fizer isso, a percepção de que aqui é uma cidade perigosa vai mudar”, opinou Ecija, que destacou o fato de ir de bicicleta para o trabalho todos os dias. Como hotéis que fortalecem o destino, Hyatt, Hilton e Tivoli são partidários de sempre mostrar os diversos atrativos paulistanos para seus hóspedes. E a receptividade é positiva.
Os empreendimentos também têm um outro desafio: integrar-se à comunidade local. Gillet explicou que o Hyatt vem trabalhando neste sentido de trazer o paulistano para dentro do hotel com um conceito mais acessível. “Muitos têm a impressão de que somos muito corporativos, que não é um lugar para sentar e conversar por exemplo. Queremos mudar isso. Usamos muito as mídias sociais, por exemplo, para mostrar o restaurante, e tivemos uma ação com um bar pop up durante as Olimpíadas. São pequenas inovações”, disse ele. Garcia completou explicando que, hoje, o Tivoli não pode mais pensar em seu A&B ou spa par ao hóspede, e sim para o paulistano. “Estamos chegando com a marca Minor e queremos trazer esta proximidade”, definiu.
Outro assunto em pauta foi o perfil independente do hoteleiro brasileiro, e as dicas dos gerentes – todos de grandes redes internacionais – para a sobrevivência num mercado tão competitivo. “O principal é trabalhar junto”, apontou Ecija, falando tanto sobre a atuação conjunta de poder público e empresas privadas quanto de uma união entre os próprios hotéis independentes. Assim, é possível fortalecer o destino e criar demanda para o mercado de hospedagem local como um todo. Gillet compartilha da opinião, citando a necessidade de melhorar o serviço da hotelaria para continuar competindo com grandes concorrentes, como o AirBnb. “Estamos até estudando fazer eventos em conjunto. Por que não? Você come um brunch no Tivoli, almoça no Hilton e janta no Hyatt, e fortalecemos São Paulo como uma cidade com grandes atrativos”, aponta.
Já a sugestão de Garcia é que os independentes abram as portas para novas possibilidades de negócios. “O mercado está realmente muito competitivo. Muitas vezes o hoteleiro percebe que aquela não é a expertise dele. Ele deve saber que tem alternativas, há vários formatos de negócios que podem beneficiar os independentes e trazer uma empresa especializada no mercado. Sem contar que as bandeiras internacionais ajudam na visibilidade do Brasil como um destino turístico”, finalizou ele.

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