Transformando marcas em grifes

Hotéis investem na bandeira e capitalizam com receita além da hospedagem

Para boa parte dos hóspedes, voltar para cassa sem alguma lembrança do hotel é quase inadmissível. Atentos a esse comportamento cada vez mais frequente, alguns hotéis estão redobrando o investimento na marca ou valendo-se da sua credibilidade para lançar linhas inteiras com uma grife própria e capitalizar com a receita além da hospedagem. Outros, no entanto, optam por associar a sua marca à de fornecedores já renomados no mercado, para assinar em conjunto as coleções que disponibilizam para venda ao hóspede.

Aude Bourgouin, responsável pela comunicação do Plaza Athénée, em Paris, revela que é o hotel quem escolhe os produtos que serão comercializados entre uma seleta lista de fornecedores terceirizados. Como exemplo, ela cita os chinelos em couro da marca espanhola Loewe, que são feitos em vermelho especialmente para atender a Red Line lançada pelo hotel para identificar a marca.

Com essa linha própria são vendidos, além dos chinelos da Loewe, bichinhos de pelúcia, velas perfumadas, pendrives, guarda-chuvas, cadernos de anotações, carteiras, porta cartões, identificadores de mala em couro, porta-jóias, roupões e pashiminas e até uniformes de mini chef de cozinha, um verdadeiro sucesso entre o público infantil. Tudo sai personalizado com a grife do hotel destacada na cor vermelha.

Alguns itens chegam mesmo a ser desenvolvidos com exclusividade para a marca. Uma das novidades campeãs de venda da Red Line, segundo Bourgouin, é um pendrive produzido com revestimento metálico e capacidade biométrica de 4GB. A peça pode ser utilizada para armazenar documentos com acesso a todos os usuários, mas vem com uma “tranca” acoplada para arquivos pessoais e confidenciais e que só podem ser abertos com uma senha ou a impressão digital do usuário. O pendrive é vendido a 80 euros e pode armazenar até dez impressões digitais diferentes.

DE OLHO NA MODA

Outro case de sucesso de empreendimento hoteleiro que viu rapidamente sua marca transformada em grife é a rede francesa de villages Club Med presente em várias localidades do mundo, entre as quais o Brasil. Responsável pelo departamento de Compras dos três villages hoje em operação no País, Ieda Dall Agnol, afirma que cerca de 90% dos produtos que vende levam a marca Club Med. “Como o artigo vende exatamente por ter o nosso logo, ele é aplicado em tudo, desde a linha baby, infanto-juvenil, feminina, masculina e principalmente os acessórios, em que se destacam bolsas e mochilas”, conta a diretora.

Em novembro do ano passado, segundo Ieda, as boutiques passaram a ser terceirizadas. “O fornecedor prepara a coleção de produtos que pretende colocar na loja e esta coleção só é colocada à venda depois de validada pelo Club Med”, explica a diretora que cuida diretamente dos negócios desenvolvidos com as boutiques há cerca de dez anos.

Todos os produtos são fabricados localmente e o lançamento mais impactante é do mês de outubro, a coleção de verão que será vendida na alta temporada. Já em maio é lançada a coleção de inverno, com menos força, afirma a diretora. Fora desses períodos existem reposições, quando aprovadas pelo Club Med. Entre os top de venda estão as camisetas para adultos (5 mil unidades, em média, por mês), camisetas infantis (1,5 mil unidades/mês), braceletes (dez mil unidades/mês), bonés (oito mil unidades/mês), shorts (três mil unidades/mês) e mochilas (1,2 mil unidades/mês). Ao todo há 11 mil itens à venda nas boutiques do Club Med em todo o mundo.

O Nannai Beach Resort, em Muro Alto, no litoral de Pernambuco, também terceiriza a operação da boutique, mas coloca a sua assinatura nos itens principais das linhas de vestuário e acessórios. Chic e casual, com boa parte da temática inspirada no conceito navy, como destaca Luziana Theberge, responsável pelas duas lojas do resort, as peças que exibem o logo adotado pelo hotel (hibiscos) são as que têm maior saída. A marca também decora bolsas, malas e nécessaires. “Agregamos valor às peças só utilizando boas ferragens e tecidos de qualidade, como a lycra e a malha devoré”, afirma Luziana, que ainda este ano vai lançar uma coleção exclusiva de maios e biquínis. As coleções são constantemente revisadas e as trocas feitas geralmente a cada seis meses. “As campeãs de venda são as camisetas pólo, tanto masculinas quanto as femininas, mais acinturadas. Elas vão e voltam para as araras desde que o resort foi aberto, em 2001”, completa. Segundo Luziana, pelo menos 45% dos hóspedes são clientes da boutique.

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