Time Sharing

Programa de férias compartilhadas ganha mais adeptos no Brasil

Os brasileiros estão se habituando a programar as férias com antecedência e essa mudança de comportamento está influenciando diretamente na difusão de um produto introduzido no País na década de 90, mas que ainda não alcançou o potencial pleno.

Antes da chegada da RCI – a primeira empresa do ramo a estabelecer um escritório próprio no País, há 18 anos, poucos brasileiros tinham acesso ou mesmo conhecimento sobre o conceito do time sharing ou tempo compartilhado, um negócio que promove o intercâmbio de férias por meio da troca de semanas dos empreendimentos afiliados, proporcionando viagens de lazer em diferentes destinos. Quase duas décadas depois, a RCI ainda é a única empresa de intercâmbio de férias com escritório no Brasil. O grupo possui 66 salas de vendas no País, que respondem, nacionalmente, por todo esse mercado sob a direção de Alejandro Moreno.

Para se ter uma ideia do potencial de crescimento, em todo o mundo a RCI tem quatro milhões de associados e 4,6 mil empreendimentos afiliados, enquanto aqui são apenas 60 mil membros e 120 estabelecimentos afiliados. “Somos uma prestadora de serviço de intercâmbio, ou seja, oferecemos o serviço de troca de semanas entre os proprietários de empreendimentos afiliados à RCI. Os proprietários que adquirem uma semana de férias têm a opção de trocá-la por outro empreendimento afiliado, localizado dentro ou fora do Brasil em que tenhamos operação. Essa é uma das grandes vantagens do sistema para o associado que, dessa forma, tem oportunidade de conhecer qualquer parte do mundo”, explica Moreno.

Segundo o executivo, na comparação com o mercado estrangeiro, o Brasil vive um momento de aquecimento. “O mercado fora do Brasil cresce em média 9 a 10% ao ano. Aqui o mercado está muito aquecido e com crescimento de vendas de produto de propriedade compartilhada em torno de 30% ao ano”, afirma o diretor da RCI, que hoje tem neste mercado 30% dos seus negócios. Há seis anos, lembra ele, essa fatia não chegava a 6%.

Questionado sobre os benefícios do sistema, Alejandro Moreno elenca algumas das vantagens tanto para o proprietário do hotel quanto para o turista. Para o empreendimento: fidelização dos clientes, novo canal de distribuição, antecipação do fluxo de caixa com venda de diárias antecipadas, redução da ociosidade do hotel, garantia de ocupação futura. Para o associado: aquisição de um “seguro de férias”, garantia do valor das próximas férias, isento de aumento das tarifas hoteleiras, uso da semana adquirida ou doação da semana a familiares e amigos.

O grupo Rio Quente, em Goiás, implantou o sistema em 1999 com apenas um produto a venda, hoje são sete e todos segmentados de acordo com o perfil dos clientes, como conta Alejandro Marquez Salas, gerente do Rio Quente Vacation Club, divisão criada justamente para atender esse novo nicho. “Temos vários programas que têm evoluído com o tempo. Em suma, esses programas dão acesso a todos os oito hotéis do grupo – entre próprios e administrados -, que somam 1.390 apartamentos. Um deles, por sinal, o Rio Quente Cristal Resort, é um empreendimento premium com 192 apartamentos de uso exclusivo para os clientes do Rio Quente Vacation Club”.

No caso do Rio Quente, 99% dos compradores são brasileiros. “Percebemos que o número de clientes de time sharing é crescente, assim como o entendimento do que é esse novo modelo de viajar e planejar férias, seja em destinos nacionais ou internacionais”, ressalta Salas. Para esse público, a rede oferece produtos de três a 13 anos de validade, em apartamentos planejados para períodos de longa permanência (sete dias), com acesso total a todas as atrações do parque aquático Hot Park e ao complexo Rio Quente Resorts. “Além disso, nossos associados têm desconto no complexo em alimentos e bebidas (cafés da manhã, almoços e jantares), opções de lazer e serviços (Ecopesca, sala de videogames, guarda volumeis, Spa, e mais), e ainda oferecermos vantagens exclusivas fora do Rio Quente Resorts, com parcerias relacionadas à férias e restaurantes”, complementa.

Salas acredita que para que um hotel que se abre para esse tipo de operação, uma das vantagens é mesmo poder criar uma base de clientes fidelizada que usa o complexo todos os anos gerando benefícios para a companhia por meio do consumo, uso das instalações e serviços do complexo. Em sua opinião, um programa de férias também ajuda a reduzir o impacto da temporalidade e a dependência de fatores externos.

Satisfação e fidelização

O Beach Park, em Fortaleza (CE) também criou um braço dentro do grupo para atender a comercialização das unidades hoteleiras via time sharing, administrado em parceria com a RCI. A operação do Beach Park Vacation Club, criado em 2006, é gerenciado por Felipe Correia, que entende como grandes vantagens do sistema a formação de uma base de clientes satisfeitos e a antecipação do fluxo de caixa do empreendimento, uma vez que ele recebe o valor das diárias antes e entrega o serviço depois, além de melhorar a ocupação do hotel diminuindo a sazonalidade, fidelizando o cliente e criando um novo canal de distribuição.

No Beach Park Vacation Club, o cliente compra pontos e ganha o direito de uso de um apartamento de duas a quatro pessoas por um período de validade entre cinco e dez anos. A estada deve ser de uma semana usada ininterruptamente ou fracionada em duas viagens. E se o usuário preferir, também pode repassar o período adquirido a um amigo ou familiar ou trocá-lo por uma semana em outra localidade. Neste caso, os pontos são repassados à RCI, que administra a troca por uma unidade similar, da preferência do cliente. “É como uma conta em banco, à medida em que o cliente vai usando os pontos, eles vão sendo abatidos do saldo”, explica o gerente do Beach Park, que hoje opera três hotéis e tem todos dentro do sistema de time sharing. Durante o tempo de permanência, o cliente dessa modalidade de hospedagem tem acesso livre ao parque e seus atrativos. O empreendimento tem hoje dez mil famílias associadas e já chegou a ocupar mais de 250 apartamentos em uma semana com essa operação.

O grupo Pestana já adota a modalidade há mais de 25 anos na Europa e está celebrando o décimo aniversário no Brasil. Lá ou aqui os produtos agora são comercializados sob a denominação Pestana Holiday Club e envolvem 11 hotéis na América Latina (incluindo as nove do Brasil) e mais de 17 em Portugal. “O brasileiro é um consumidor bastante exigente e informado, e vem tendo cada vez mais contato com o mercado de time sharing. Podemos afirmar que os clientes que usam o nosso programa adoram e recomendam, pois ele oferece muitas oportunidades e possibilidades de realização de sonhos de férias”, destaca Sérgio Falquer, representante do Pestana Vacation Club.

Mas e o mercado de luxo, tem lugar na prateleira do tempo compartilhado? O diretor da RCI, Alejandro Moreno, acredita que sim, tanto que o grupo criou um produto específico visando essa fatia de público. “Temos desenvolvido o mercado de luxo no Brasil através do conceito de Fractional, venda fracionada da propriedade de lazer, ou casa de férias, com a marca The Registry Collection”, conta Moreno. Dessa lista já fazem parte imóveis como Quintas Private Residences, em Sauípe, e Itacaré Paradise, ambos na Bahia; e o Aguativa Privilège, em Cornélio Procópio (PR).

“O conceito fractional também pode estar afiliado a marca RCI Weeks, como é o caso do Maluí Ilha do Sol, em Cornélio Procópio (PR), e Maluí Manso, em Cuiabá (MT). Ao invés de comprar a residência inteira, o interessado adquire apenas uma fração, utiliza um período do imóvel, o modelo de negócios, além de otimizar gastos com a manutenção do imóvel proporciona total conforto e alto padrão. Cada fração dá direito, em média, a quatro semanas de uso por ano, podendo acomodar oito pessoas na casa, o que depende sempre do projeto. Para que não haja confusão, os proprietários entram em um sistema de rodízio de semanas. Uma tabela é organizada para permitir que todos tenham direito à sua casa em períodos de alta estação e grandes feriados, de maneira rotativa. Para se ter ideia do custo real do imóvel de luxo, imagine uma casa de R$ 2 milhões. A fração seria a partir de R$ 170 mil”, conclui Moreno.

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