Cerca de 90 hotéis foram fechados em 12 cidades que sediaram os jogos da Copa do Mundo realizada no Brasil em 2014. São Paulo (SP), Recife (PE), Fortaleza (CE) e Natal (RN) não registraram fechamentos. Entretanto, no Rio de Janeiro (RJ), 13 hotéis encerraram as operações. Em Belo Horizonte (MG), o número chega a 23 e, em Salvador (BA), 21. Em Brasília (DF), por sua vez, dois meios de hospedagem nem mesmo iniciaram as operações.
De acordo com uma nota divulgada pela ABIH Nacional, o setor do turismo melhorou seus índices, mostrando recuperação no primeiro semestre de 2018 em comparação com o mesmo período de 2017. Por outro lado, muitos empreendimentos apresentam problemas relacionados à diária média e baixa ocupação.
Para Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e do Cetur/CNC, uma série de motivos conjugados e regionalizados ocasionaram estes fechamentos. “O primeiro foi a falta de planejamento e visão dos empresários que investiram em meios de hospedagem independentes; o segundo, a avaliação errônea dos investidores que compraram unidades em condohotéis, segundo incentivos desmedidos de prefeituras no afã de cumprir obrigações do caderno de encargos da FIFA, somado a uma precipitação do comitê organizador nacional ligado a CBF no tocante ao número de quartos necessários para cada local de disputa dos jogos”, explica.
Segundo ele, a crise do País também reduziu drasticamente as hospedagens corporativas, fator que, aliado à imagem de violência, afetou a vinda de turistas internacionais, e o desemprego que abalou a procura dos viajantes brasileiros. “Esta resultante jogou os preços para baixo que, com a baixa ocupação e custos fixos ascendentes inviabilizou uma série de empreendimentos”, pontua.
Orlando de Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOBH), também reforça o excesso de oferta em determinadas cidades, combinada à crise econômica. “Essa crise provocou uma quebra no fluxo de caixa de certos hotéis e por mais que tentem manter as operações, num determinado momento não há como manter uma operação deficitária. Se observa também que os hotéis independentes, principalmente os mais antigos, têm mais dificuldades em momentos como esses e são os que primeiros são afetados”, conclui.
O presidente do FOHB observa também que alguns hotéis com aberturas programadas adiaram a entrada em operação para evitar uma operação deficitária. “Neste caso, eles preferem se manter fechados e esperar uma retomada da economia e da demanda”, diz.
Alexandre Sampaio (FBHA e CNC), Manoel Linhares (ABIH Nacional) e Orlando de Souza (FOHB)
Já o comandante da ABIH Nacional, Manoel Linhares, diz que os problemas estão no alto custo operacional causado principalmente pela alta carga tributária, somada à falta de políticas de incentivos e de divulgação dos destinos, a ausência de regulamentação dos aplicativos de reservas de hospedagem em residências, além dos níveis críticos na área de segurança e da crônica falta de infraestrutura do país, aliadas a uma malha aérea cara e segmentada. “Tudo isso contribui para que, em vez de expandir o setor, estejamos nos mesmo índices de participação do PIB nos últimos anos”.
Sampaio, por sua vez, não acredita que o momento é favorável para a reversão do cenário. “O mercado está retraído e não acreditamos que haja perspectivas para novos lançamentos urbanos nas capitais ou reabertura dos que fecharam”, afirma.
Para Linhares, o primeiro passo de recuperação seria repensar a carga tributária brasileira. “Isso tem dificultado o investimento e causado grande parte dos fechamentos ou inibido a abertura de hotéis. Outra medida seria a disponibilização de mais incentivos e maiores investimentos na divulgação dos destinos brasileiros. Hoje o Brasil investe US$ 16 milhões na divulgação de seus locais turísticos, enquanto o México investe US$ 490 milhões, e a Colômbia US$ 100 milhões”.
De acordo com Sampaio, o Governo tem grande responsabilidade pelo momento atual. “Acenaram com incentivos demasiados, resultando numa superoferta hoteleira; perderam o controle da segurança pública, laçaram o País em uma recessão brutal, e permitiram a explosão dos custos energéticos. Demoraram também para modernizar a implantação do visto eletrônico para países que nos exigem, além de não terem ampliado para outros emissores. A união, ainda, não investe em propaganda no exterior para atrair visitantes”, reforça.
Linhares afirma que a ABIH Nacional tem mostrando suas sugestões para incentivar a cadeia do turismo no país. “É fundamental que as pautas do turismo e da hotelaria avancem e sejam incluídas na reforma da Lei Geral do Turismo. Precisamos trabalhar também para que pontos como a regulamentação das plataformas de venda de hospedagem e o valor dos tributos pagos por elas sejam direcionados para um fundo que financie a divulgação estratégica dos múltiplos destinos do Brasil”.
*por Nathalia Abreu

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