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Milhões de trabalhadores ao redor do mundo abandonaram seus empregos e buscam novos caminhos profissionais, afetando a mão de obra no turismo e na hotelaria

Não é novidade que a pandemia de Covid-19 gerou profundas mudanças estruturais na sociedade, e fez com que as pessoas refletissem mais sobre os seus estilos de vida e prioridades como uma oportunidade de recomeço, e os resultados dessa nova mentalidade chegaram ao mercado de trabalho. Com isso, ganhou força uma tendência chamada Great Resignation (“Grande Renúncia”, em português), que se refere a um alto número de pedidos de demissão, apesar de todas as incertezas que ainda rondam a economia global.

Esse movimento já ganha força desde 2021 quando, nos Estados Unidos, 47 milhões de pessoas largaram seus empregos, de acordo com o Bureau of Labor Statistics. A Europa também vive um momento semelhante e carece de mão de obra, principalmente no setor de serviços, com os países sendo obrigados a flexibilizar regras para a entrada de estrangeiros, mas a situação ainda é alarmante. Já no Brasil, até maio deste ano foram registrados 6,175 milhões de pedidos de demissão considerando os últimos 12 meses, segundo levantamento da LCA Consultores com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Mas o que explica essa insatisfação generalizada? Para Mariana Aldrigui, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, essa alta nos pedidos de desligamento ocorre por uma série de motivos, isolados ou combinados, que vão de esgotamento físico e emocional, reconhecimento de melhores condições em outras cidades ou países a mudanças de caráter pessoal. “Não é possível restringir esse movimento a uma única razão, mas certamente a comparação entre condições de trabalho, remuneração e qualidade de vida pesa bastante”, avalia Mariana.

Outro ponto é que as pessoas, principalmente aquelas que perderam seus empregos no ápice da crise sanitária, tiveram que lidar com camadas de desamparo. Logo, buscaram diferentes alternativas e, muito provavelmente, estão hoje em condições objetiva ou subjetivamente melhores. “Nem sempre é apenas a questão salarial, mas a possibilidade de ter controle sobre o próprio horário, de fazer home-office, evitar interação com clientes rudes e por aí vai. Há relatos de hoteleiros reposicionados em shoppings, hospitais, empresas de comércio eletrônico, entre outras áreas. E muitos começaram a empreender, gerindo agora o próprio tempo e negócio”, diz a professora e pesquisadora da USP.

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