Os hotéis e flats no Brasil registraram queda no resultado operacional em 2015, na comparação com o ano anterior. O impacto negativo na performance é resultado da piora no cenário econômico, principalmente do encolhimento de quase 4% do PIB, além do aumento da oferta hoteleira no país. Porém, no longo prazo, o setor hoteleiro no Brasil continua atraindo investidores, principalmente estrangeiros, que podem se beneficiar da atual conjuntura.
Os dados fazem parte da pesquisa Hotelaria em Números 2016, lançada pela JLL Hotels & Hospitality, que apresenta um panorama da performance de hotéis, resorts e flats do país. Para realizar o trabalho, que conta com parceria do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), foram ouvidos 500 empreendimentos.
O estudo mostra que o principal índice de performance dos hotéis e flats, o RevPAR (receita por apartamento disponível), registrou em 2015 queda de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior, depois de dez anos de crescimento consecutivo até 2014, confirmando as previsões da edição anterior do estudo, publicada no ano passado. Os principais mercados hoteleiros do país registraram queda no RevPAR em 2015: Belo Horizonte (39%), Rio de Janeiro (27%), Brasília (26%), Porto Alegre (21%), Salvador (15%), São Paulo (8%) e Curitiba (2,4%).
A piora do índice, combinada com o aumento da inflação, que ficou próxima de 10% no ano passado, impactou negativamente as margens de lucro dos hotéis. O Lucro Operacional Bruto (GOP), que em 2014 foi de 36% sobre a Receita Total, caiu para 28,5% em 2015.
O fraco desempenho econômico afetou a taxa média de ocupação de hotéis e flats, que em 2015 chegou a ficar abaixo dos 60%, o que não acontecia desde 2006. Mesmo diante desse cenário, as diárias médias vinham apresentando crescimento até 2014. Porém, no ano passado, diante do forte declínio das taxas de ocupação, os hotéis precisaram adotar políticas de preços mais agressivas, o que consequentemente derrubou o valor das diárias médias, que caiu 7% em relação a 2014.
A taxa de ocupação também foi pressionada para baixo por conta do aumento da oferta, que em 2015 cresceu 4,2%. O maior crescimento foi registrado em hotéis afiliados a redes domésticas e internacionais: 9,2%. A oferta atual estimada no país é de 10.206 hotéis e 521.585 quartos.
Os resorts seguem na contramão desses números. Desde 2013, o desempenho desses empreendimentos foi impulsionado pela desvalorização do real. Com a moeda nacional mais fraca em relação ao dólar, muitos brasileiros cancelaram viagens internacionais e procuraram destinos domésticos mais econômicos e, também para o turista estrangeiro, o Brasil tornou-se um destino mais barato.
Em 2015, a taxa de ocupação dos resorts ficou em 57%, alta de sete pontos percentuais em relação a 2014.
Perspectivas
A consultoria acredita que os hotéis também fechem 2016 em queda. Porém, com as perspectivas de estabilização política e de recuperação econômica, espera-se a partir do segundo semestre uma melhora nas taxas de ocupação, o que deve provocar um leve aumento nas diárias médias.
A tendência mundial de consolidação das redes hoteleiras pode tomar mais corpo no Brasil ainda este ano, como uma estratégia para enfrentar as recentes ameaças ao setor, como as agências de viagens online (OTAs) e novos negócios de hospedagem como o Airbnb.
“As redes hoteleiras também deverão aproveitar este momento para expandir sua presença ou lançar novas marcas no país, por conta da maior disponibilidade de hotéis sendo colocados à venda por proprietários que entraram no setor hoteleiro para diversificação de investimentos e agora começam a mostrar intenções de vender esses ativos”, diz Ricardo Mader, diretor da JLL Hotels & Hospitality.
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