Hotéis pop up

Inusitados e fugazes, hotéis temporários são alternativas criativas de hospedagem

Um novo conceito de hospedagem tem feito muito sucesso na Europa, os Pop Up Hotels, ou instalações temporárias, que funcionam apenas em determinados períodos ou temporadas. Normalmente, esse tipo de hotel é criado em forma de um projeto colaborativo entre arquitetos e designers; parcerias com outras empresas, como casas noturnas; ou para oferecer hospedagem em grandes eventos.

No Brasil a ideia ainda não pegou, mas pode ser um bom negócio para suprir a demanda hoteleira repentina que se forma em época de grandes eventos, como Copa do Mundo, Olimpíadas ou conferências. “Acho esse conceito interessante, mas é para um público específico, que já viajou muito, quer algo inusitado, diferente, uma experiência curta e inesquecível”, diz Gabriela Otto, da GO Consultoria, especializada em gestão estratégica, hospitalidade, capacitação de pessoas e mercado de luxo.

Para a profissional, a ideia de construir hotéis temporários no Brasil é muito interessante, mas a iniciativa deve partir de empresas que queiram expor suas marcas. “Não acredito que as redes hoteleiras investirão em hotéis temporários, pois não há rentabilidade em função da hospedagem e sim visibilidade e mídia espontânea que isso pode gerar”, explica.

A britânica Snoozebox (em português, caixa de soneca), por exemplo, constrói verdadeiros hotéis móveis de 40 a 400 quartos feitos com contêineres, que são facilmente transportados, erguidos e desmontados. Em funcionamento após 48 horas do início da montagem, o hotel oferece quartos com design contemporâneo que acomodam um casal e uma criança, equipados com banheiro, sistema de controle de temperatura, televisão e internet wifi gratuita.

Com estrutura nem tão facilmente removível, a alemã Design Hotels lançou no final do ano passado o Papaya Playa Project, um resort temporário localizado em Tulum, no México. Para dar vida à novidade, 85 cabanas de uma antiga propriedade foram totalmente reformuladas. O hotel durou apenas seis meses, mas tornou-se um sucesso por si só ao sediar eventos com badalados DJs, oferecer serviços de spa, além de opções gastronômicas naturais e orgânicas.

Claus Sendlinger, fundador e CEO da Design Hotels, conta que o feedback recebido foi excelente, tanto que, em parceria com o Paradise Club, casa noturna da região, criaram o segundo hotel pop up, desta vez localizado em Mikonos, na Grécia, ainda sem data para encerrar as atividades. “Os viajantes de hoje esperam mais do que apenas conforto padronizado e conveniência, eles estão à procura de uma experiência verdadeira e autêntica”, explica Sendlinger.

Composto por tendas inspiradas nos acampamentos de luxo, os chamados glampings, o The Pop-Up Hotel oferece cama king size, lençóis de algodão, deques de madeira e concierge 24 horas. Entre agosto e setembro, o hotel esteve sediado em uma icônica fazenda em River Cottage, no Reino Unido, e deve montar acampamento no Glastonbury Festival, em junho do ano que vem.

Além de uma hospedagem inusitada e que proporciona maior contato com a natureza sem perder o conforto, o The Pop-Up Hotel oferece ainda uma exclusiva experiência gastronômica com criações do famoso chef Tim Maddams e atividades para toda a família. “Nós proporcionamos um misto de hotel boutique com acampamento e o tipo de serviço oferecido depende do local em que estamos sediados. Para Glastonbury, por exemplo, estamos criando uma experiência vip para nossos hóspedes”, afirma o diretor do empreendimento, Mark Sorrill.

Projetado por Sabrina Lang e Daniel Baumann para uma exposição coletiva na Suíça em 2002, o Everland possui um único quarto que inclui banheiro, cama king size e lounge. A suíte pode ser locada por apenas uma noite e conta com mini bar abastecido (valor incluso na diária) e café da manhã deixado na porta.

Entretanto, o grande diferencial do hotel é ser itinerante. Já esteve em Yverdon, na Suíça, onde funcionou à beira do lago Neuchâtel por quatro meses; em Paris, quando proporcionou vista espetacular no topo do hotel Palais de Tokyo, de frente para a Torre Eiffel. Depois de algum tempo em Paris, o Everland voltou para a Suíça e não tem data ou local para novas experiências.

Assim que o inverno começa, uma equipe de técnicos de neve, arquitetos, designers e artistas de vários lugares do mundo reúnem-se na pequena cidade de Jukkasjärvi, na Suécia, para construir um hotel todo feito de gelo. A neve, pulverizada sobre formas de aço, e blocos de gelo de vários tamanhos são moldados criando as paredes, os corredores, os quartos, os bares e até a igreja do IceHotel.

Ao ser concluído, começa uma verdadeira corrida contra o tempo para conseguir dormir em um dos quartos feitos com neve. Milhares de pessoas procuram o hotel para viver a experiência, já que quando a primavera chega toda a água que um dia foi parede volta ao curso do rio Torne. Aí, é preciso aguardar a temporada no próximo ano.

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