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Hospedagem com arte

Obras inspiram a decoração e concepção de projetos hoteleiros

O Brasil está seguindo a tendência da hotelaria internacional e é cada vez maior o número de empreendimentos que buscam na arte a inspiração para decorar e conceber projetos. Entre algumas das construções de maior vulto, a hotelaria paulista alcançou posição de destaque ao tornar-se uma referência no mundo com a inauguração do Unique, transformado em verdadeira obra de arte urbana assinada pelo arquiteto Ruy Ohtake.

Com um desenho único e linhas bastante arrojadas para um equipamento hoteleiro, a edificação marcou época ao surgir em forma de um grande arco invertido, de 100 metros de comprimento e 25 de altura dotado de janelas circulares com diâmetro de 1,80 metro, que ressaltam a singularidade do projeto. Na área interna, os corredores são uma sucessão de curvas, minuciosamente projetadas para receber luz natural.

“Acredito que o mercado de hotelaria no Brasil está criando consciência sobre a necessidade de oferecer ao hóspede uma experiência de conforto estético e não apenas fisiológico. Hoje, o que as pessoas procuram em uma viagem é estimular os sentidos”, afirma o artista plástico Enrique Rodriguez. “O diferencial de um hotel hoje é a qualidade de conforto que ele oferece e isso passa por incorporar elementos de design e arte ao projeto desde sua concepção”, completa.

Em seus trabalhos desenvolvidos para a hotelaria, Enrique Rodriguez trabalha na criação de um conceito artístico para o projeto como um todo, levando a linguagem artística para sinalização, material gráfico, uniformes, iluminação, porcelanas e mobiliário, entre outros aspectos. “Neste momento estou montando um projeto para um hotel em Manaus e trabalhando uma proposta artística que considera madeiras da Amazônia, numa releitura do que existe na região. Em outro projeto, no Rio de Janeiro, estou propondo levar para dentro do hotel o grafismo das calçadas de Ipanema, bairro onde ele está localizado”, revela o artista que acredita que é possível adaptar um projeto ao orçamento de qualquer empreendimento, desde que o proprietário entenda e esteja aberto a querer propiciar beleza ao seu hóspede.

Exposições itinerantes

No início deste ano, a Blue Tree Hotels começou a desenvolver um projeto que transforma algumas de suas unidades em novos espaços culturais urbanos, criando oportunidade ao público (hóspedes e passantes) de conhecer, gratuitamente, o trabalho de artistas consagrados e novos talentos. A inauguração das mostras aconteceu no Blue Tree Premium Faria Lima, com a exposição de obras originais e raras de Romero Brito, o artista pop brasileiro mais bem-sucedido de sua geração. “Queremos posicionar os hotéis da rede Blue Tree como espaços de cultura. Além de vitrine para novos talentos e artistas renomados, esta ação visa reforçar o estilo da rede em receber, agregando arte e cultura à excelência em serviços. Queremos criar experiências positivas na vida das pessoas e atraí-las com uma nova proposta aos nossos hotéis”, afirma a presidente da rede, Chieko Aoki.

Iniciativa semelhante está desenvolvendo o resort Grand Oca, em Maragogi, no Estado de Alagoas, com o Projeto Raízes criado pela artista Anna Guerra, que irá fazer a curadoria de várias exposições que acontecerão no resort. Para a mostra inaugural, a artista reuniu 20 artistas que vão expor suas obras na área externa da propriedade.

“Após dois anos de viagens internacionais tive a ideia de reunir em um só lugar toda a riqueza cultural brasileira. E nada melhor do que fazer isso em um ponto turístico de fluxo nacional e internacional, sem adicional de custos”, conta Anna, que é autora do painel de 75 m2 que traz grafitada a bandeira nacional. “Como não sou uma artista especializada em grafite, o painel foi executado com a mesma técnica utilizada nas telas, mas a tinta escolhida foi a automotiva, pela sua resistência ao tempo e clima. O painel é feito com uma sobreposição de camadas de mais de dez tipos de tintas”, explica a artista que levou 50 dias para concluir a obra inaugurada no princípio de setembro.

Arte mundo a fora

Muitos hotéis internacionais se destacam pelo acervo de quadros e esculturas que exibe em suas dependências. O Gallery Hotel Art, em Florença, na Itália, possui um projeto em constante evolução para os amantes de arte. São exposições temporárias de pintura, fotografia e escultura de artistas internacionais como Hans van der Meer e Stevem Klein. Nos quartos, lençóis e cobertores de cashmere e uma cabeceira de couro, dão um toque especial à decoração do hotel que pertence à Lungarno Collection, de propriedade da família de Salvatore Ferragamo.

O Hôtel Lutetia, de Paris, que no ano passado completou 100 anos, entrou em nova fase com a inauguração de suítes temáticas especialmente decoradas por artistas contemporâneos, uma característica que já é marca registrada do hotel. Entre as 15 temáticas que já figuram na oferta do Lutetia, um dos destaques é a que leva a assinatura do artista plástico brasileiro Vik Muniz, hóspede assíduo do hotel.

Além de Vik Muniz, que assina a suíte América do Sul, há quartos temáticos produzidos por Elliott Erwitt (EUA), Keiichi Tahara (Japão) e Mimmo Jodice (Europa). Fora das suítes, o hotel exibe cerca de 300 obras de arte distribuídas pelos corredores e áreas comuns, todas cedidas pelos próprios criadores ou produzidas com exclusividade para o Lutetia. Este é o caso, por exemplo, do escultor francês Arman Pierre Fernandez, que pouco antes de morrer decorou uma suíte especial, a maior do hotel com 130 m2.

No Uruguai, o Estancia Vik e o Playa Vik, em Jose Ignacio, distante 50km de Punta del Este, pertencem a um bilionário de origem escandinava e apaixonado por arte. Tanto assim que mantém um curador particular para escolher as obras de arte que figuram nos Vik Retreats, como são conhecidas as duas propriedades.

Outro acervo representando a arte mais contemporânea pode ser visto no The Surrey, localizado em Manhatan (EUA), onde o toque de modernidade fica por conta das obras de arte inseridas nas instalações, entre gravuras e fotos em preto e branco que retratam o cenário típico cotidiano do novaiorquino.

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