O Grand Hyatt São Paulo, na capital, recebeu na manhã desta terça-feira (13) o evento: A potência do mercado segurador do Brasil. Organizado pela rede de televisão CNN, o encontro reuniu profissionais ligados ao setor de todo o Brasil.
A razões psicológicas e práticas do seguro
O primeiro painel, mediado pelo jornalista Marcio Gomes, abordou o tema: O planejamento de vida e proteção financeira do brasileiro. Hilca Vaz, diretora da Mapfre Seguros, apresentou o cenário dos seguros de vida no Brasil e apontou que apenas 20% dos brasileiros têm esse tipo de proteção.
Já Vera Rita de Mello Ferreira, da Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica (IAERP), explicou que a parte do cérebro que leva à economia futura é a mesma que restringe doações a estranhos. Os ancestrais tinham como hábito processar e proteger apenas o imediato, e esse instinto permanece, explicando, assim, a aversão aos modelos de seguro independentemente da classe social. Por sua vez, Thiago Ayres, da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg), apresentou o tamanho do mercado de seguros no Brasil, que gira nos R$ 70 bilhões, e retorno para os clientes na casa dos R$ 26 bilhões.

Na ocasião, Fernando Nakagawa, da CNN, sugeriu fazer um paralelo entre o mercado de seguro e o de investimentos, lembrando que os termos que cada setor usa para seduzir o cliente na hora da venda, essa mudança de comunicação se mostrou extremamente eficiente no mercado financeiro de aplicações. Lembrou, ainda, que em mercados mais maduros existem produtos de seguros que envolvem até a produtividade do contratante. Marcio Gomes perguntou porque não existe esse modelo no Brasil e Nakagawa afirmou que o paternalismo do sistema das leis trabalhistas impede.
O impacto das mudanças climáticas no Brasil
Também mediado por Marcio Gomes, o segundo painel do dia questionou como o ambiente pode interferir no agronegócio. André Bruzzi, da Reahgro, afirmou que uma safra brasileira alimenta cerca de um bilhão de pessoas e sem nossa participação o mercado seria outro, no mínimo, com preços mais altos. O executivo ressaltou que o mercado segurador necessita entender melhor o agronegócio, suas safras e particularidades, inclusive os prazos de análises.
Ao ser questionado sobre o tamanho do mercado agro no Brasil, Afonso Arinos, executivo da Mapfre, disse que a arrecadação chegou perto de R$ 35 bilhões em seguros e idealizou R$ 21 bilhões, mas lembrou que esse é o papel do seguro. Segundo Arinos, os prejuízos por conta do clima no Brasil foram de R$ 555 bilhões em 2022. Já Renato Buranello, da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), falou sobre o Plano Safra, criado pelo governo federal em 2023. O executivo pontuou a amplitude do setor e afirmou que o crédito é determinante, e onde há crédito existe risco.

O consultor Ivan Wedkin falou sobre esses riscos, e colocou em pauta a diversidade produtiva no país, afirmando que “o Brasil não é uma ilha, é sim um arquipélago”. O executivo solicitou que os seguros sejam adequados à cada região e linha de produção. Lembrou também que o Proagro pagou em 2023 mais de R$ 5 bilhões em indenizações e esse numerário vem do poder público.
Em sua apresentação, Alberto Amorim, secretário de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo, falou do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), reconhecido como modelo de fomento para o Brasil, e disse que São Paulo vai compartilhar seu know how para outros estados. Para Amorim, a proteção do pequeno agricultor é determinante para a segurança do negócio, sua criação e manutenção foi difícil durante o tempo de pandemia, mas sobreviveu e precisa crescer.
Por fim, Maciel Silva, da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), abordou o futuro do agronegócio e dos seguros no país. O profissional afirmou que a previsibilidade é a chave do sucesso do setor e que tratar o seguro como uma política de estado, realizar alguns aprimoramentos regulatórios para normalizar o setor, inserir tecnologia e adotar a coleta de dados podem ajudar muito na previsibilidade e converter dados em informação.

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