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Brasil possui mais de 21 milhões de pessoas LGBTQIA+

Marcelo Prado, diretor do IEMI. Foto: Felipe Veiga

De acordo com uma pesquisa inédita realizada Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado, o Brasil possui 21.555.524 pessoas LGBTQIA+ com 18 anos ou mais. O estudo, lançado oficialmente durante a abertura da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, revela o perfil e o comportamento desse nicho no país, com destaque para seus hábitos e práticas relacionadas ao turismo.

Para Marcelo Prado, diretor do IEMI, o levantamento contribui para dimensionar a importância econômica e social da população LGBTQIA+, além de revelar desafios enfrentados por esse público em diferentes ambientes de consumo e turismo.

“Considero esta pesquisa muito importante porque, a partir de um levantamento abrangente, realizado em todo o Brasil com diferentes perfis de consumidores, ela permite compreender, de um lado, a relevância econômica da população LGBT e sua participação no consumo no país. De outro, ajuda a identificar suas necessidades como consumidores, cidadãos e, especialmente, turistas que viajam pelo Brasil e para o exterior e utilizam diversos produtos e serviços. Compreender essas necessidades, os desafios enfrentados e os ambientes em que essas pessoas, por vezes, sentem que precisam ocultar sua identidade é fundamental para atendê-las melhor e reconhecer suas demandas”, ressalta Prado.
  

Capacitação e personalização das experiências

A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Nacional), Ana Carolina Medeiros, destaca a importância de transformar os dados da pesquisa em conhecimento aplicado pelos profissionais do turismo.

“O trade, com o protagonismo do agente de viagens, precisa investir em capacitação e letramento para atuar com empatia, para que o setor cumpra sua essência fundamental de contribuir para que cada destino seja especial para todas as pessoas, atendendo às necessidades de cada viajante. A partir dos tópicos estudados, como perfil socioeconômico, poder de compra, estilo de vida, entre outros, o profissional consegue estudar melhor o público, expandindo para uma visão holística e hiperpersonalizada, em que o agente atua como um verdadeiro curador de experiências humanas”, enfatiza.

Para Marina Marinho, presidente do Fornatur, os dados também poderão contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas e para a qualificação dos destinos turísticos brasileiros. “Inclusão não pode ser apenas discurso: precisa estar no planejamento, nas oportunidades e em cada experiência. Porque o turismo só transforma de verdade quando ninguém fica de fora”, conta Marina.

Dados para combater estereótipos e orientar decisões

A pesquisa também reforça a importância da produção de dados confiáveis sobre a população LGBTQIA+. A iniciativa pode abrir caminhos para novos debates e iniciativas, contribuindo para combater estereótipos, superar percepções baseadas em achismos e reconhecer a diversidade LGBTQIA+ em toda a sua complexidade.

Ao transformar experiências em informação, o levantamento oferece ferramentas para decisões mais conscientes, tanto na construção de ambientes acolhedores quanto no desenvolvimento de estratégias de negócios mais alinhadas às características e necessidades desse público.

“Realizar essa pesquisa no Brasil é, portanto, motivo de celebração. É reconhecer a força, a diversidade e a importância da comunidade LGBTQIA+, além de reafirmar o nosso compromisso com um país que valoriza seus diferentes públicos e entende que inclusão também significa conhecer, respeitar e atender às pessoas em sua pluralidade, em sua diversidade”, afirma Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil.

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