Na manhã de hoje, 4, o 28º Festuris deu início à sua programação do Congresso. O primeiro painel, “Integração das fronteiras potencializando a economia compartilhada”, foi apresentado pelo jornalista Cláudio Schapochnik e contou com a presença do cônsul da Argentina, Carlos Baltar, o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz, o secretário de Turismo do Rio Grande do Sul, Victor Hugo da Silva, o administrador José Roberto de Oliveira, e o presidente da ABAV Nacional, Edmar Bull.
O administrador José Roberto de Oliveira deu início ao debate apresentando o contexto histórico das missões jesuítas realizadas no sul do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. “Entre 1609 e 1768 padres jesuítas e índios guaranis construíram um novo caminho para a humanidade”, disse. Ele explicou o Circuito Internacional das Missões Jesuíticas como produto turístico. Segundo a Unesco, ele possui sete patrimônios culturais. “É necessário criar um plano integrado entre as missões”, explicou.
Segundo o cônsul da Argentina, Carlos Baltar, desde que o presidente argentino Macri assumiu, ele está focando em duas questões: união da população – “temos passado por turbulências políticas” – e a pobreza zero. “Estamos tentando dar a todos os argentinos iguais oportunidades”, explicou.
Ele também falou sobre a importância de uma marca sul americana e o desenvolvimento de novos roteiros turísticos integrados. Atualmente, apenas 2,6% do turismo internacional é realizado na América do Sul. Na Europa são mais de 50%. “Temos um potencial enorme para desenvolver”, explicou o cônsul. “Queremos que a rota dos jesuítas seja um produto integrado e reconhecido mundialmente”, afirmou. A rota compreende mais de 30 localidades, espalhadas pelos cinco países integrantes (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) e inclui patrimônios urbanísticos, de arquitetura, culturais, entre outros.
O governo da Argentina também quer integrar o produto “Altiplano – Puna Sudamericana” com outros países vizinhos. A rota inclui vulcões, cadeias de montanhas, salinas. “O objetivo final é gerar emprego e renda para os povos que habitam essas regiões”, explicou o cônsul.
O objetivo desses dois roteiros integrados é aumentar a visitação turística, gerar emprego nas localidades, prolongar a estadia. “Queremos, através do turismo, melhorar a qualidade de vida das populações desses locais”, afirmou Baltar.
Turismo no Brasil
Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, afirmou que os países descobriram que o turismo não é apenas algo lúdico, de lazer, e sim um grande negócio. “Nessa semana, o governo do Japão decidiu aumentar o fluxo de turistas de 20 milhões para 40 milhões. A França lançou uma série de medidas para recuperar o número de viajantes, que caiu 11% após os ataques terroristas”, afirmou. Para ele, é comprovado que cidades onde o turismo é desenvolvido têm uma melhora na segurança e na infraestrutura.
Segundo o presidente, é importante identificar que o turismo no Brasil é política de estado. “Existe uma corrida pelo turismo, ela já começou”, afirmou. Para Lummertz, é necessário romper as algemas da burocracia no Brasil. “Para derrubar os vistos somente para o período das Olimpíadas tivemos a demissão de um general, que dizia que isso era uma irresponsabilidade”, contou. “A Argentina já entendeu a guerra do turismo, eles já tiraram o visto para os norte-americanos e tiveram incremento no número desses turistas”, afirmou.
Segundo o presidente da Embratur, o Itamaraty já recebeu uma carta pedindo que o visto norte-americano ou o do espaço Schengen concedido para turistas chineses sirva para a entrada no Brasil. “E nós teremos resistência do conservadorismo. O mesmo conservadorismo que não permite a abertura dos parques naturais”, disse. “Marinas e portos nos Estados Unidos são licenciadas em 90 dias. Os cruzeiros, estamos perdendo ao invés de ganhar, pois há exigências como folgas semanais. Nós estamos infernizando nosso futuro com o nosso passado. Esse país precisa de uma psiquiatria”, polemizou.
O presidente contou que o Brasil começou a trabalhar em conjunto com a Argentina para atrair turistas de países mais longínquos, como o Japão e a Rússia, partindo do pressuposto de que, por estarem em um destino distante, eles possam aproveitar e visitar mais de um país.
Lummertz afirmou que a Embratur precisa sim de uma mudança, para que tenha mais capacidade legal para fazer parcerias com empresas e com governos. “Vamos nos transformar em uma agência, a Agência Nacional de Turismo, mas vamos manter a marca Embratur”, explicou.
No final, o presidente da Embratur voltou a falar sobre a burocracia no país. “Qualquer indivíduo com uma petição consegue brecar um projeto e o Brasil demora 20 anos para tomar uma decisão. E o capital não perdoa isso”, disse. “O Brasil já foi muito aberto e nos tornamos um país muito fechado, com baixas idéias e intolerância. Mas isso está mudando, estamos entendendo isso. Precisamos que as pessoas tenham liberdade para trabalhar”, finalizou.

notícias recentes
Royal Palm Tower Indaiatuba continua sob gestão do Grupo Royal Palm por mais 10 anos
Hot Beach anuncia projeto de expansão no lazer com entrega em 2027
HSMAI Brasil promove última turma do RMexpert em outubro
notícias relacionadas
Hotel Boutique Poehma Lago Negro (RS) comemora um ano e destaca novos projetos
Suítes temáticas do Chocoland Hotel já podem ser reservadas
Festuris começa nesta quinta-feira (3)