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FESTURIS 2016 – Vinícius Lummertz diz que Brasil precisa de um psiquiatra

Na manhã de hoje, 4, o 28º Festuris deu início à sua programação do Congresso. O primeiro painel, “Integração das fronteiras potencializando a economia compartilhada”, foi apresentado pelo jornalista Cláudio Schapochnik e contou com a presença do cônsul da Argentina, Carlos Baltar, o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz, o secretário de Turismo do Rio Grande do Sul, Victor Hugo da Silva, o administrador José Roberto de Oliveira, e o presidente da ABAV Nacional, Edmar Bull.

O administrador José Roberto de Oliveira deu início ao debate apresentando o contexto histórico das missões jesuítas realizadas no sul do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. “Entre 1609 e 1768 padres jesuítas e índios guaranis construíram um novo caminho para a humanidade”, disse. Ele explicou o Circuito Internacional das Missões Jesuíticas como produto turístico. Segundo a Unesco, ele possui sete patrimônios culturais. “É necessário criar um plano integrado entre as missões”, explicou.

Segundo o cônsul da Argentina, Carlos Baltar, desde que o presidente argentino Macri assumiu, ele está focando em duas questões: união da população – “temos passado por turbulências políticas” – e a pobreza zero. “Estamos tentando dar a todos os argentinos iguais oportunidades”, explicou.

Ele também falou sobre a importância de uma marca sul americana e o desenvolvimento de novos roteiros turísticos integrados. Atualmente, apenas 2,6% do turismo internacional é realizado na América do Sul. Na Europa são mais de 50%. “Temos um potencial enorme para desenvolver”, explicou o cônsul. “Queremos que a rota dos jesuítas seja um produto integrado e reconhecido mundialmente”, afirmou. A rota compreende mais de 30 localidades, espalhadas pelos cinco países integrantes (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) e inclui patrimônios urbanísticos, de arquitetura, culturais, entre outros.

O governo da Argentina também quer integrar o produto “Altiplano – Puna Sudamericana” com outros países vizinhos. A rota inclui vulcões, cadeias de montanhas, salinas. “O objetivo final é gerar emprego e renda para os povos que habitam essas regiões”, explicou o cônsul.

O objetivo desses dois roteiros integrados é aumentar a visitação turística, gerar emprego nas localidades, prolongar a estadia. “Queremos, através do turismo, melhorar a qualidade de vida das populações desses locais”, afirmou Baltar.

Turismo no Brasil

Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, afirmou que os países descobriram que o turismo não é apenas algo lúdico, de lazer, e sim um grande negócio. “Nessa semana, o governo do Japão decidiu aumentar o fluxo de turistas de 20 milhões para 40 milhões. A França lançou uma série de medidas para recuperar o número de viajantes, que caiu 11% após os ataques terroristas”, afirmou. Para ele, é comprovado que cidades onde o turismo é desenvolvido têm uma melhora na segurança e na infraestrutura.

Segundo o presidente, é importante identificar que o turismo no Brasil é política de estado. “Existe uma corrida pelo turismo, ela já começou”, afirmou. Para Lummertz, é necessário romper as algemas da burocracia no Brasil. “Para derrubar os vistos somente para o período das Olimpíadas tivemos a demissão de um general, que dizia que isso era uma irresponsabilidade”, contou. “A Argentina já entendeu a guerra do turismo, eles já tiraram o visto para os norte-americanos e tiveram incremento no número desses turistas”, afirmou.

Segundo o presidente da Embratur, o Itamaraty já recebeu uma carta pedindo que o visto norte-americano ou o do espaço Schengen concedido para turistas chineses sirva para a entrada no Brasil. “E nós teremos resistência do conservadorismo. O mesmo conservadorismo que não permite a abertura dos parques naturais”, disse. “Marinas e portos nos Estados Unidos são licenciadas em 90 dias. Os cruzeiros, estamos perdendo ao invés de ganhar, pois há exigências como folgas semanais.  Nós estamos infernizando nosso futuro com o nosso passado. Esse país precisa de uma psiquiatria”, polemizou.

O presidente contou que o Brasil começou a trabalhar em conjunto com a Argentina para atrair turistas de países mais longínquos, como o Japão e a Rússia, partindo do pressuposto de que, por estarem em um destino distante, eles possam aproveitar e visitar mais de um país.

Lummertz afirmou que a Embratur precisa sim de uma mudança, para que tenha mais capacidade legal para fazer parcerias com empresas e com governos. “Vamos nos transformar em uma agência, a Agência Nacional de Turismo, mas vamos manter a marca Embratur”, explicou.

No final, o presidente da Embratur voltou a falar sobre a burocracia no país. “Qualquer indivíduo com uma petição consegue brecar um projeto e o Brasil demora 20 anos para tomar uma decisão. E o capital não perdoa isso”, disse. “O Brasil já foi muito aberto e nos tornamos um país muito fechado, com baixas idéias e intolerância. Mas isso está mudando, estamos entendendo isso. Precisamos que as pessoas tenham liberdade para trabalhar”, finalizou.

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