Fechaduras

Vantagens compensam investimento na versão eletrônica

A aposentadoria das chaves convencionais dentro da operação hoteleira teve início na década de 70, com a invenção do cartão perfurado. Atendia, em parte, o apelo da segurança porque era mais difícil de ser falsificado, mas como precisava ser trocado manualmente a cada novo hóspede, muitos hotéis não se renderam à pequena vantagem que a “novidade” apresentava em relação à chave tradicional.

O mesmo cartão ganhou uma versão recodificável no princípio dos anos 90, mas já no final dessa década surgiriam os modelos com chip e os primeiros smart cards, esses, sim, introduzindo efetivamente uma evolução tecnológica para o setor, ao possibilitar a gravação de dados sobre o hóspede e sua reserva e uma reutilização média de três anos a cinco anos. As fechaduras foram acompanhando essa evolução, inicialmente com adaptações apenas e posteriormente com a completa substituição pelo modelo eletrônico.

De lá para cá pouca coisa mudou – exceto pelo surgimento do transponder, nesse meio tempo, aquele em que o cartão não é inserido, apenas aproximado da fechadura para que a porta se abra automaticamente, mas não houve adesão em larga escala no Brasil, pelo menos não até o momento.

As variações do sistema ficam por conta da instalação ou não de economizadores de energia nos suportes instalados nos quartos. Neste caso, garantem os fabricantes, a redução de custos pode chegar a 40%.

VALOR AGREGADO

A Hotéis Arco, de Minas Gerais, aderiu ao sistema eletrônico quando abriu a primeira unidade – o San Diego Belo Horizonte – há 15 anos. “Nunca usamos chaves”, conta o superintendente, Rodrigo Mangerotti, para quem o investimento compensa, considerando os valores agregados. “Temos controle total sobre a movimentação de entrada e saída nos quartos. Sabemos quando, porque os horários de abertura da porta ficam gravados, e por quem – hóspede ou funcionário, que também é individualmente identificado”, destaca.

A rede mineira utiliza cerca de cinco mil cartões por ano, somada a demanda das 600 unidades habitacionais distribuídas por seis empreendimentos. “A retenção por parte dos hóspedes é pequena. Alguns não devolvem por receio de que o cartão contenha dados pessoais, o que não é o caso. Informações confidenciais, como documentação, endereço ou número do cartão de crédito, por exemplo, não são inseridas”, explica Mangerotti.

O Hotel Parque Balneário, em Santos (SP), também já emprega a tecnologia em todos os apartamentos. Na opinião do gerente geral, Plínio Rudge, além da segurança, outro aspecto positivo do cartão é que ele delimita o período da hospedagem. “Quando o período da hospedagem expira, a entrada no apartamento é automaticamente bloqueada. Isso reduz em muito o atraso na liberação do apartamento”, pondera Rudge lembrando uma situação particularmente recorrente em hotéis de praia.

A retenção do cartão, no caso do Parque Balneário, é de 70%, o que, na opinião de Rudge, é um fator positivo. “Muitos hóspedes levam e guardam como recordação do hotel. Por esse motivo o utilizamos também como peça promocional. “Temos vários modelos, cada um exibindo uma imagem ou instalação diferente”, conta. Rodrigo Mangerotti, da Arco, prefere dividir essa promoção com os parceiros. “De um lado do cartão temos informações dos nossos hotéis e do outro inserimos a marca de algum patrocinador”, revela o superintendente, que assim consegue subsidiar 100% do custo físico do cartão, que é confeccionado em PVC.

Wander Panfili, gerente de Hospedagem do Bourbon Convention Ibirapuera (SP), diz que nos últimos dez anos não viu realmente grandes mudanças no sistema. “Acredito que a única grande diferença é que o software de gestão das chaves e portas deixou de ser instalado em um PC comum e passou a ser integrado a um equipamento fornecido pelo fabricante. A grande vantagem é que este equipamento é pequeno e de fácil transporte, a desvantagem é que tem um único fornecedor”, pondera. Segundo o gerente, em termos de custos, por tratar-se de um produto importado, o valor em dólar de uma fechadura eletrônica não mudou muito nesses últimos anos e gira em torno de U$ 800. “A fechadura é auditável e permite a verificação das últimas cem aberturas da porta, além disso, permite um sistema de mestragem bastante eficaz”, conclui.

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