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Empresários do setor se reúnem em audiência pública em repudia à MP 1202 do Perse

Cerca de 460 empresários dos setores de hotelaria, eventos e turismo estiveram presentes na audiência pública realizada hoje, 5 de março, no plenário do Senado Federal, a favor do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), distribuídos da seguinte forma: 81 no plenário do Senado, 150 nas galerias do Senado e mais 234 no auditório Petronio Portela.

O evento teve a fala do presidente da Abih Nacional, Manoel Linhares, que afirmou que só a hotelaria gera mais de três milhões de empregos no Brasil (será?). Orlando de Souza, presidente-executivo do FOHB, declarou que em mais de 30 anos atuando no setor, nunca havia visto tamanha mobilização.

Já o senador Flávio Bolsonaro, aos brados, afirmou que o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, foi o que mais desonerou a economia brasileira.

Chama a atenção a participação dos parlamentares, que em sua maioria são participes do “baixo clero” das duas casas, tanto da Câmara quanto do Senado. O evento mostra uma tendência a ter a adesão dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A mesa foi presidida pelo senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PA), homenageado por vários dos que tinham o direito à fala. O Senador Jorge Seif (PL-SC), também em tom elevado, disse ser apoiador umbilical de Jair Bolsonaro, assim como o senador Veneziano, e umbilicalmente ligado ao presidente Lula. Ele também chamou a atenção para a diversidade de apoio suprapartidário que a questão do Perse encontra na casa.

O advogado Thiago de Mattos pontuou que o Perse, ou a queda dele, é uma ruptura da segurança jurídica para o setor e o que este contribui socialmente para o País.

A advogada Lirian Cavalheiro, representando a FBHA, enfatizou que a entidade é a maior e a única realmente representada do “Oiapoque ao Chuí”. Também homenageou a presidente da BLTA, Simone Scorsato, em nome de todas as mulheres presentes. Advogada chamou atenção para a importância da manutenção do Perse para a conservação dos empregos e renda no Brasil.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ), declarou a repulsa do Senado à derrubada do Perse, e que durante o recesso parlamentar foi chamado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para negociar sua manutenção. Ele também enfatizou e estranhou a ausência do setor da cultura em defesa do Perse, já que esse segmento também se beneficia do programa e apoiou o governo Lula.

O Deputado Gilson Daniel (Podemos-ES) declarou que a receita provinda do turismo em seu estado é fundamental e que os R$ 20 bilhões em geração de tributos com a manutenção do programa por si só justifica sua manutenção.

A deputada Gleyce Elias (Avante-MG) também lembrou que o Perse não é uma desoneração e, sim, uma compensação pelas perdas durante a pandemia, já o deputado Vermelho (PL-PR), chamou a atenção para o cenário em Foz do Iguaçu, que durante a pandemia foi desolador, destacando que os empresários foram aguerridos e guerreiros para manter os empregos, e que eles não querem ser atrapalhados pelo governo, apenas quer trabalhar.

Marx Beltrão, deputado Federal e ex-ministro do turismo, sugeriu ao Governo Federal tonar o Perse fixo para os setores apresentados.

Já o deputado federal e ex-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PL-RN), ressaltou que o Perse não é nem de direita nem de esquerda, é do Brasil, e que seu estado tem mais de 300 mil empregos ligados ao Turismo.

A hoteleira e deputada federal Magda Mofatto (Patriota-GO) lembrou dos prejuízos da Covid-19, inclusive com os itens de A&B, e que a sustentação do setor hoteleiro veio através do Perse, permitindo que os hoteleiros voltassem ao trabalho. Ela pediu respeito e que a MP 1202 é ofensiva ao setor.

Paralelo e simultâneo à audiência pública do Perse, acontece o encontro do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O encontro tem como tema a questão do Perse e uma possível negociação que certamente envolverá as emendas de comissão, que chegam a R$ 5,6 bilhões –montante que o Governo Federal ameaça vetar. 

O evento claramente teve um viés de direita com muitos apoiadores do antigo governo Bolsonaro. Não se viu nenhum parlamentar apoiador do governo Lula.

Resta agora saber se esse apoio basta para a derrubada da MP 1202. Esperar para ver.

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