Em 2012, a então presidente da República, Dilma Rousseff, sancionou a Lei 12.625/2012, que instituiu 8 de maio como o Dia Nacional do Turismo. A data foi inserida no calendário em referência ao dia 8 de maio de 1916, ocasião em que foi solicitado pelo Estado do Paraná que as terras junto às Catataras do Iguaçu fossem desapropriadas e declaradas de utilidade pública para a criação de um parque. Em meio a uma crise nacional, quais são os principais dificuldades e prioridades do setor neste momento? Veja a opinião três autoridades do setor.
Para Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e presidente do conselho de turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a data é um momento para pensar o que já foi conquistado e o que é preciso avançar.
“Acredito que estamos no limiar de uma nova era para o setor no País. Acabamos de concluir, junto ao Ministério do Turismo, um novo Plano Nacional do Turismo 2018-2022, construído em conjunto com a iniciativa privada. Temos a proposta de reformulação do Conselho Nacional de Turismo (CNT/MTur) em debate com a participação ativa do trade. Entretanto, precisamos, para avançar de forma abrangente, alguns aspectos como melhor ambiente negocial, tratamento tributário mais justo, desburocratização, e maior segurança jurídica para os negócios. Nos pontos específicos a lista é longa, citaria em um primeiro momento: a necessidade de votar o Projeto de Lei nº 2.724/2015, que promove a modernização da Lei Geral do Turismo (Lei nº 11.771/2008); a abertura das empresas aéreas ao capital estrangeiro, entre outros temas; a regulamentação das plataformas baseadas na economia colaborativa e uma maior transparência na arrecadação de direitos autorais de audiovisual e o fim da cobrança nos quartos de hotéis”, explica.
O novo ministro do Turismo, Vinicius Lummertz, em nota publicada no site do Ministério do Turismo (MTur), enfatiza os bons feitos do segmento: “O turismo vem ganhando cada vez mais importância no Brasil, com R$ 520,5 bilhões em contribuição para a economia, sete milhões de empregos gerados e 206 milhões de viagens domésticas, apesar de estarmos aquém do nosso potencial. Somos o 1º em recursos naturais e 8º em atrativos culturais no mundo, segundo dados do Fórum Econômico Mundial, mais ainda não estamos explorando a todo vapor esses diferenciais competitivos. Temos que comemorar sim os avanços e a possibilidade de crescermos ainda mais com a série de reformas que propomos para gerarmos mais negócios, empregos e renda por meio turismo”, afirma.
Para Mariana Aldrigui, profissional que preside o Conselho de Turismo da FecomercioSP, professora, pesquisadora, e integrante do corpo docente da Universidade de São Paulo (USP), entretanto, hoje existe uma leitura distorcida do turismo brasileiro, isso por conta do excesso de repetições de conceitos que nunca deram certo.
“Muita gente fala sobre a importância da ‘promoção internacional’ e de ações que já não fazem mais sentido em tempos de comunicação instantânea. Se houvesse um movimento de observação e reconhecimento do que acontece realmente, seríamos capazes de entender com mais clareza os entraves e oportunidades. Com trocas de ideias e experiências locais, teríamos soluções de alto impacto. Repetir ideias achando que venceremos pelo cansaço não dará certo. É fundamental ousar, abrir caminhos com referências diferentes. As ideias velhas precisam ser enterradas”, defende a especialista.

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