Uma parceria entre a Associação Mineira de Hotéis de Lazer (AMIHLA), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a agência da ONU para as migrações e a OAB-MG vai direcionar brasileiros deportados dos Estados Unidos para vagas no setor hoteleiro mineiro, aproveitando competências como fluência em idiomas, experiência internacional e capacidade de atendimento ao público.
Ainda em fase de formalização, a ação será realizada por meio do programa Aqui é o Brasil, iniciativa de acolhimento humanitário voltada para repatriados. De acordo com o presidente da AMIHLA, Alexandre Santos, a expectativa é que a parceria contribua para reduzir a escassez de mão de obra qualificada no setor.
“Estamos falando de pessoas que retornam ao país com experiências profissionais diversas, capacidade de adaptação e conhecimentos em idiomas que representam um diferencial importante para a hotelaria. O domínio de uma segunda língua é uma habilidade cada vez mais necessária para o setor e pode abrir portas para oportunidades em áreas como recepção, atendimento ao hóspede, reservas e relacionamento com clientes”, afirma.
Perfil dos profissionais
Levantamento realizado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) com 575 brasileiros retornados ao país revela um perfil que pode contribuir para atender parte da demanda por mão de obra da hotelaria:
- 90% estão em idade economicamente ativa
- 399 possuem experiência profissional adquirida nos Estados Unidos
- Uma parcela significativa conta com conhecimentos em inglês, sendo 113 com nível avançado, 65 com nível intermediário e 139 com nível básico.
- O estudo também identificou que 153 pessoas possuem formação técnica ou profissionalizante.
“Os dados mostram que estamos falando de pessoas com potencial de inserção no mercado de trabalho e que trazem experiências acumuladas em diferentes contextos profissionais. No caso da hotelaria, as habilidades em idiomas e a vivência internacional representam diferenciais importantes para funções que exigem atendimento ao público e interação com visitantes de diferentes nacionalidades. Essa parceria cria oportunidades concretas para que essas pessoas reconstruam suas trajetórias profissionais e contribuam para o desenvolvimento do setor”, destaca Duda Marques, da OIM.
Como funcionará a parceria
Após a formalização do acordo, prevista para as próximas semanas, os hotéis associados à AMIHLA poderão cadastrar oportunidades de emprego em uma plataforma disponibilizada pela iniciativa. As vagas serão divulgadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) junto à sua rede de atendimento e à base de brasileiros retornados cadastrados no programa.
A partir daí, os empreendimentos poderão acessar os perfis dos candidatos, realizar entrevistas e conduzir seus próprios processos seletivos. A contratação será feita diretamente pelas empresas participantes, criando uma ponte entre profissionais em busca de reinserção no mercado de trabalho e um setor que enfrenta dificuldades para preencher vagas em diversas áreas operacionais e de atendimento.

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