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Conotel 2009

Associações hoteleiras unem-se para realizar o evento

Sustentabilidade, turismo de sensações, diversidade hoteleira, cooperação entre público e privado. Conceitos e definições sobre estes temas pontuaram toda a programação do Conotel 2009, certificando que esses aspectos são, atualmente, preponderantes à atividade. Com o título central “A conjuntura internacional e a hotelaria brasileira”, a 51ª edição do Congresso Nacional de Hotelaria foi realizada em agosto, no Rio de Janeiro.

Na sessão de abertura, a apresentação holográfica asseverou a importância de explorar as atuais possibilidades tecnológicas no negócio hoteleiro. Em 3D (terceira dimensão), os convencionais discursos de lideranças ganharam dinâmica, motivando a atenção da plateia constituída de profissionais e estudantes. Inovações e tradições interagiram. No palco, representantes de entidades promotoras do evento e do governo compuseram a mesa. Alguns ocuparam ao mesmo tempo o espaço virtual e o real.

No espaço real, uma peculiaridade evidenciou que, finalmente, as diversidades estão conquistando espaço. Com a inconfundível voz de locutora e a competência de mestre de cerimônia, Cristina George anunciou os pronunciamentos das autoridades presentes. Sabiamente, o presidente da ABIH Nacional, Álvaro Bezerra de Mello, foi sucinto: “está aberto o 51º Conotel” e recebeu sonoro aplauso da platéia. Depois do Hino Nacional e de outros breves pronunciamentos, ele retornou ao microfone.

Álvaro expôs os principais pleitos dos hoteleiros. Visto de turista online solicitado, recebido e pago via internet no exterior. Esse modelo de obtenção não fere nenhuma relação com o Itamarati e possibilita maior fluxo turístico. Criação de lei específica que considere o turismo atividade exportadora nas reservas estrangeiras recebidas via internet. Regulamentação do cruzeiro marítimo, criar regras que não impeçam a vinda dos navios e resguardem o desempenho hoteleiro. Para a Copa do Mundo 2014, iniciar de imediato os trabalhos de organização, investindo no treinamento de pessoal, além de garantir recursos para a reforma de infraestrutura aeroviária e dos demais segmentos fundamentais ao evento. É preciso debater com visão estratégica a questão da participação da iniciativa privada, para evitar surpresas em prazos e exigências da Fifa.

O presidente da ABIH apresentou a programação do Conotel. Enfatizou a presença da jornalista Miriam Leitão, que deu início às discussões com a palestra “Economia mundial: impactos sobre a hotelaria brasileira”. Nessa sessão, além de Álvaro, participaram os presidentes das demais associações promotoras do Conotel: Rafael Guaspari (Fohb – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) e Alexandre Zubaran (Resorts Brasil). Também Norton Luiz Lenhart (FNHRBS – Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares) esteve presente.

Álvaro citou ainda a presença do exterior. Para debater a integração regional da América Latina estiveram os presidentes de entidades da Argentina, do Paraguai e do Chile. A exposição sobre a formação de pessoal contou com Ruud Reuland (EHL – Ecole Hôtelière Lausanne). Greg Hale (Walt Disney World Resort) expôs a gestão de crises e Fouad Chraibi (H Partners) falou sobre a hotelaria de luxo em Marrocos.

Em resposta aos pleitos apresentados, o ministro do Turismo, Luiz Barretto, citou que já está em andamento no Congresso Nacional o processo para a flexibilização do visto de turista. Visando à realização da Copa 2014, com a participação da iniciativa privada, estão em análise a mobilização urbana e a infraestrutura portuária, entre outros temas. Foi iniciado o programa de qualificação profissional em espanhol e inglês, além da estruturação dos destinos indutores, que ampliarão as possibilidades de viagens dos espectadores dos jogos. Anunciou também negociações com o BNDES, visando novas linhas de crédito para investimentos em construções e reformas hoteleiras.

Palestras e debates

Na era do turismo de sensação (ou de experiências), visando à competitividade, os empreendimentos devem assumir um padrão sustentável de negócio: preservar o meio ambiente e valorizar a cultura regional, promovendo o bem-estar da comunidade. Esta foi uma das mensagens do Conotel. Confira outras ponderações.

A diversidade é uma vantagem competitiva: os demais grupos sociais minoritários e as mulheres ganham espaço. Da mesma forma, em todos os níveis sociais, existe uma busca mundial por diferentes opções de entretenimento e lazer, que engloba a descoberta de todos os tipos de destinos naturais, culturais e artísticos, abrindo perspectivas para diferentes categorias, tipos e portes de meios de hospedagem. A qualidade dos serviços é pressuposto. Compreende a perfeita interação entre os profissionais e os clientes. Daí a importância de formar os colaboradores.

Em qualquer lugar e empreendimento, o hóspede prioriza a segurança e o conforto, vinculado à disponibilidade de facilidades propiciadas pelos avanços tecnológicos. Exemplificando: para a geração Y, uma das necessidades é o acesso wireless grátis a internet.

Quanto à formação do profissional, dois aspectos devem ser observados: ter uma equipe de talento e o comportamento desta geração que ingressa no mercado de trabalho. Na atual conjuntura, o hotel precisa otimizar a produção, portanto, necessita de colaboradores multifuncionais. Os jovens estão preparados para essa atuação. Além disso, são informais e aspiram: equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, resultados e reconhecimento imediatos.
É fundamental antecipar o futuro e planejar, tendo visão da meta estabelecida. Crises ocorrem, mas não são para sempre. As perspectivas conjunturais são otimistas, sendo essencial a parceria entre o público e o privado.

A união faz a força

O Conotel 2009 reafirmou o movimento da categoria em busca da unidade das três associações do segmento: ABIH Nacional, Fohb e Resorts Brasil. Essa proposta surgiu na gestão de Eraldo Alves da Cruz à frente da ABIH Nacional, onde hoje atua no conselho de presidentes. Ele é vice-presidente do conselho de turismo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Sobre a unificação, Álvaro opinou: “há um amadurecimento da classe hoteleira e, nisso, o mais importante são os presidentes das ABIHs estaduais. Estivemos reunidos e falamos sobre esse processo democrático de união. Entendemos que o segmento ganhará expressão nos seus pleitos junto ao poder público, mas ainda temos muito a discutir”.

Guaspari afirmou que “existe um clima de entendimento entre as entidades que permite a aproximação e o início de um trabalho específico para a fusão, criando uma entidade que represente a hotelaria. Porém, isso só vai acontecer quando as três instituições se sentarem à mesa de negociação, de maneira absolutamente igualitária sem exigir nenhuma ascendência de uma sobre a outra”. A questão será votada em plenário quando existir alguma diretriz definida.

Ressaltando que defende a ideia, Zubaran frisou: “na última década, os fatos mais marcantes do segmento foram a criação do Fohb e do Resorts Brasil. Foi fundamental para profissionalizar e conceituar estes segmentos, reunir estes players em discussões mais focadas. Porém, no estágio atual do turismo e da hotelaria talvez seja importante a reunificação em uma associação forte e que entenda às diferenças internas”. O assunto ainda será debatido com os associados.

Lembrando que iniciou as articulações para essa união em sua gestão, Eraldo afirmou que esse processo deve prosseguir para não haver retrocesso. “Está na hora de os presidentes debaterem políticas e de chamar os jurídicos das entidades para colocar no papel.” Trata-se da profissionalização da gestão da entidade representativa do setor, pois os presidentes são empresários, portanto, têm complexas agendas de trabalho. Em uma fase de adaptação, as três instituições podem continuar agindo somente naquilo que é interesse específico.

À frente da entidade sindical que congrega mais de 60 sindicatos, Norton é categórico: “espero que ocorra a união das associações. Apoiando a iniciativa, estamos trabalhando em passos largos pela unificação”.

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