Perfil do chef Douglas Van Der Ley

A gastronomia entrou muito cedo na vida do chef pernambucano Douglas Van Der Ley. Neto de holandeses, ele diz que começou a cozinhar graças ao hábito comum a todos da família, um ato que poderia parecer simples, exceto pelo fato de que cada oportunidade de reunir membros em torno de uma mesa frequentemente acabava em festa. “Cada jantar parecia um concurso de gastronomia”, conta o chef, que passava os dias lendo livros de receitas em meio à fartura de hortaliças, flores e criações da fazenda em que vivia em Caruaru.

Quando decidiu levar a vocação a sério, estudou gastronomia na Le Cordon Bleu, em Paris, e estagiou com o renomado chef espanhol Ferran Adriá, no El Bulli, mas foi dos tempos em que atuou como aviador e teve a oportunidade de viajar pelo mundo que ele diz ter retirado o conhecimento e a inspiração para seguir carreira. A estreia aconteceu com o Okinawa, um restaurante japonês que revolucionou Recife e lhe rendeu os primeiros prêmios. Depois deste vieram o É – que o levou a duas premiações de chef do ano e cinco de melhor restaurante contemporâneo – e, mais recentemente, o Azú Comedoria, também na capital pernambucana, além da sociedade que mantém no Empório Central, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.

Além dos negócios próprios, Douglas Van Der Ley ainda arranja tempo para projetos paralelos, como o que o levou ao Canadá na primeira quinzena de maio para participar da Sial – salão internacional dedicado aos profissionais da indústria alimentar – como único representante oficial do Brasil, a convite do Itamaraty. E volta de lá com a incumbência de promover um intercâmbio envolvendo alunos de gastronomia pernambucanos e canadenses.

Para 2012, no entanto, o grande desafio será superar o sucesso alcançado na reedição do clássico banquete de Vatel – numa referência ao cozinheiro da corte real francesa, François Vatel -, que ele idealizou a partir dos resultados do seu mapa astral, que indicava que ele deveria produzir uma grande festa em 2011.

O evento, batizado Vatel – Um banquete na Veneza brasileira, teve lugar na Oficina Brennand, em Recife, e movimentou nada menos que doze chefes na confecção de 15 mil doces e outros pratos do cardápio em que foram consumidos 2,5 mil km de açúcar e 400 kg de aves, entre outros ingredientes. A ópera gastronômica, como ficou conhecida, ainda contou com a participação de 100 artistas, entre músicos, cantores e atores, numa produção assinada pelo produtor baiano José Almir Junior, que já trabalha na próxima edição, denominada Banquete da alegria no mundo da magia e que novamente abrirá o calendário do carnaval pernambucano.

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