Células construtivas

Usada em banheiros, preferencialmente, o Brasil desponta na adoção dessa tecnologia

Entre 2011 e 2013, de acordo com relatório da BSH International, 154 empreendimentos hoteleiros foram inaugurados no País, investimento que significou a injeção de R$ 3,3 bilhões na construção de 21,3 mil novos quartos adicionais, boa parte para suprir a oferta necessária para atendimento da Copa do Mundo. Somam-se a estes os empreendimentos ainda em construção ou recém-lançados visando também a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, dois megaeventos que mexeram fundamentalmente com o parque hoteleiro nacional.

Em decorrência dessa expansão, essa pode ser considerada a segunda grande onda de aquecimento também para a indústria da construção civil, que viveu momento semelhante nas décadas de 1980 e 1990, quando aplicar dinheiro na compra de uma ou mais unidades habitacionais e disponibilizá-las em pool de locação hoteleira – os chamados condotéis – tornou-se prática atraente para pequenos investidores.

Na época, hotéis com essas características chegaram a ser construídos em oito meses, como lembra o empresário Antonio Setin, presidente da Setin Incorporadora, que em 1996 firmou uma parceria com a Accor para o desenvolvimento das primeiras marcas de rede econômicas do País – Mercure, Ibis e a extinta Formule 1. Somente nos primeiros cinco anos, a empresa construiu cerca de quatro mil quartos lançando mão de uma tecnologia até então pouco ou nada explorada no Brasil, as células construtivas para fachadas e banheiros, em maior escala. Além do ganho de tempo na construção, compartimentos pré-fabricados podem garantir mais eficiência com uma redução significativa na perda de material, por exemplo, e no entulho produzido no canteiro de obra.

Apesar de ter acelerado a implantação da hotelaria econômica no Brasil, essa é uma tecnologia que pode ser aplicada a empreendimentos de qualquer porte e categoria, até mesmo os mais luxuosos, como explica Roberto Storti, diretor técnico da New Forms Brasil, uma das empresas fornecedoras pioneiras nesse ramo, constituída no País em 2012. “A construção de uma célula de banheiro concentra um nível de acabamento e de controle de cada etapa do processo de produção que não se consegue obter na obra convencional. A estrutura metálica patenteada permite obter perfeito prumo e esquadro das paredes o que não apenas agiliza o processo como aumenta a qualidade da instalação”.

Segundo Storti, um hotel de 100 quartos pode ser finalizado com a utilização do banheiro pré-fabricado com até 120 dias de antecedência. “Isso significa que o empreendedor também começará a lucrar antes do previsto”. Outras vantagens citadas são a redução no custo do produto acabado, de custos indiretos envolvidos em um canteiro de menor infraestrutura, e na gestão de almoxarifado, já que mais de 200 itens podem ser concentrados em um único fornecedor, além da garantia de que o projeto correrá mediante normas vigentes da ABNT.

Qualidade e eficiência
A arquiteta e design de interiores, Tânia Franco, nota que no Brasil a preferência é mesmo pela adoção em banheiros, copa, cozinha, enquanto em outros países usa-se também o quarto. “A vantagem da célula banheiro leve é a sua adaptabilidade a qualquer tipo de edificação. A base é a mesma para qualquer categoria (estrutura metálica auto portante e paredes em placas fibrorreforçadas, massa homogênea de celulose e gesso prensado que gera uma placa resistente a tração totalmente impermeável). O que difere as categorias é o material de acabamento, que deve ser especificado no projeto arquitetônico”, explica acrescentando que a única restrição é o tamanho dos ambientes. “Como o transporte é rodoviário, temos um limitador que pode ser de 12m x 2,80m”.

A arquiteta lembra, no entanto, que a alternativa só deve ser adotada em prédios em construção ou reconstruções de edificações, em caso de reformas. “Os banheiros são personalizados no tamanho, revestimento e acabamento rigorosamente de acordo com o projeto arquitetônico. Chega pronto à obra e seu padrão de acabamento é perfeitamente integrado ao ambiente em que será instalado.

Na opinião da arquiteta, foi a busca por processos construtivos inovadores para melhoria da qualidade e eficiência no processo de produção de edifícios, que fez a construção civil evoluir rapidamente. “Não há mais tempo para o tijolo por tijolo e a industrialização de células construtivas trouxe soluções importantes para a construção civil como agilidade, economia, personalização e garantia de qualidade para os empreendimentos”, atesta Tânia, que indica a solução para hotéis, empreendimentos corporativos e residenciais, instituições de saúde e educação e shopping centers entre outros que precisam de produção em série. “O custo é definido de acordo com o projeto arquitetônico – dimensão, revestimento e demais especificações”, informa a profissional que assina boa parte dos projetos encampados pela New Forms Brasil, empresa formada pela joint venture da TSE Automação com a matriz italiana que há 27 anos atua no mercado europeu.

Com a boa aceitação do mercado, a hotelaria já representa 70% dos negócios da New Forms Brasil, que tem a fábrica instalada no polo empresarial de Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás. Entre os principais clientes, Roberto Storti cita redes como Accor, Hilton, Primevere, Marriott, Holiday Inn e Atlantica Hotels.

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