Caminhos do Peru
Aventura e heranças ancestrais
O último balanço do departamento de turismo do Peru apontou o Brasil como o sexto país sul-americano emissor de turistas. E com uma demanda crescente, que em quatro anos aumentou cerca de 23%, totalizando 37.403 visitantes em 2007. Depois da capital, Lima, que recebe boa parte dos 55% de brasileiros que viajam ao Peru a negócios, os roteiros do Caminho Inca, no distrito de Machu Picchu, em Urubamba, na região de Cusco, lideram na procura dos 29% que buscam o país como destino de férias.
Lima, o ponto de partida para a viagem da maioria dos turistas estrangeiros, mostra bem o caráter mestiço, étnico e cultural, do peruano. É uma capital tradicional, e ao mesmo tempo cosmopolita, repleta de mercados artesanais e galerias de arte modernas, ruínas arqueológicas e elegantes bairros residenciais.
No centro histórico reconhecido Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco predominam os estilos colonial e republicano nas construções cuidadosamente preservadas. Na Catedral de Lima estão os do fundador da cidade, Francisco Pizarro, há mais de quatro séculos da sua morte. Já no moderno bairro de Miraflores, o que chama a atenção dos visitantes é a Huaca Pucllana, uma pirâmide de barro – vestígio da antiga cultura local – em meio a restaurantes, cinemas e centros comerciais.
Única capital da América do Sul situada às margens do Oceano Pacífico, Lima também tem um porto bastante atuante na economia local, justamente por sua localização estratégica. E estar a beira mar é outra característica que torna bastante eclético o público que visita a cidade. De amantes e estudiosos de história e arqueologia a surfistas, que se concentram em Conchán, na capital, ou seguem em direção a Cabo Blanco, em Piura.
Não se deve deixar a capital sem uma visita a San Isidro, centro financeiro da cidade, onde estão localizados os principais edifícios comerciais e hotéis mais exclusivos, e ao bairro do Barranco, o mais boêmio da capital. Lá se encontram galerias de arte, tabernas, mercados e as melhores e mais variadas opções de espetáculos culturais, além de casas noturnas animadas por DJs. Vale uma parada no Mítico, dique de Barranco de onde se avistam as praias da Costa Verde, ou a famosa Ponte dos Suspiros, construída em 1876 para unir as ruas Ayacucho e la Ermita.
Caminho Inca
Reconhecido como a rota de trekking mais famosa da América do Sul, a Rota Inca é o caminho de ligação entre a cidade histórica de Cusco e o conjunto arqueológico de Machu Picchu. Quebras e cursos dágua de origem glacial são responsáveis pela geografia acidentada do solo. Entre os doze monumentos arqueológicos encontrados em seu percurso, destacam-se Qorihuayrachina, Patallqta, Runkúrakay, Sayacmarca, Phuyupatamarca, Intipunku, Intipata e Wiñayhuayna, e para cada um deles há um diferente significado, o que confere ao cenário natural uma consonância integrada à obra arquitetônica inca.
. Qorihuayrachina (lugar onde se venta o sol) Sua calçada possui plataformas com sarunas (terraços com escadas aéreas), e na parte superior há construções que já foram utilizadas como vivendas.
. Llactapata (lugar sobre a colina) – Destaca boa planificação e aquedutos para a irrigação das plataformas, uma praça, antes utilizada para trabalhos comunitários, e que tem como característica principal os trabalhos religiosos – sociais e funcionais de caráter utilitário.
. Wayllabamba (lugar bonito) – Situa-se no vale, conta com calçada de plataformas e se localiza a 3.150 metros de altura.
. Runkurakay O nome remete à forma semicircular que possui. Te apenas uma entrada, com sete acessos para sete ambientes diferentes. Seu formato é atribuído às fortes rajadas de vento que correm neste lugar. Está localizado a 3.980 metros de altura.
. Sayacmarca (lugar de descanso) Templo habitado por sacerdotes que cultuavam os deuses, com aproximadamente 25 habitações e quatro fontes de água. Destaque para os aquedutos feitos com pedra, argila e mistura de areia. Encontra-se a 3.624 metros de altura.
. Phuyupatamarca (lugar sobre as nuvens). Fica em um pico, onde conta a história ocorriam celebrações. Tem um belíssimo trabalho em 21 escalinatas, entre as quais uma entalhada na rocha. Conta ainda com seis habitações, cada uma com um mirante e seis fontes dágua. Está localizado a 3.680 metros de altura.
. Wiñayhuayna (sempre jovem ou sempre eterno). Tem 16 habitações algumas de dois andares e o mesmo número de fontes. Está a 2.650 metros de altura.
. Intipunku (porta do sol) Tem pequenas construções e já serviu como posto de controle e vigilância da área. É por essa característica o melhor mirante da perspectiva de Machu Picchu.
Reservas nacionais
O Peru também é rico em áreas que se dedicam à conservação da diversidade biológica de sua fauna e flora. O país tem oito reservas nacionais que ocupam área aproximada de 2.946 686 hectares, o equivalente a 2% do território nacional.
Paracas (que significa chuva de areia), na região de Ica, no sul, tem uma das mais belas reservas. Ela é refúgio para lobos marinhos, pinguins de Humboldt e aves marinhase ideal para observação do geoglifo do Candelabro, cravado em uma colina com mais de 120 metros de extensão. A Reserva de Paracas foi criada em 25 de setembro e 1975 e se estende por 335 mil hectares, 117.406 dos quais de terra firme e 217.594 de área coberta pelo mar.
Desde março do ano passado, quando foi inaugurado, o hotel Doubletreee Paracas tornou-se responsável pela preservação natural do entorno e já é reconhecido como novo ícone do turismo de luxo sustentável no sul do Peru.

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