Por Luciano Miranda
Ser síndico de um empreendimento hoteleiro de grande porte é exercer, ao mesmo tempo, o papel de guardião do capital e curador da experiência. Em um mercado brasileiro que voltou a crescer em ocupação, diária média e RevPAR, esse equilíbrio deixou de ser desejável para se tornar condição de competitividade. Em 2025, indicadores setoriais apontam avanço consistente da hotelaria no país, com ganhos de diária média e RevPAR e perspectiva positiva de demanda — um pano de fundo que favorece quem opera com governança, eficiência e foco no hóspede.
Na cidade de São Paulo, a disputa por relevância é cotidiana. A capital tem experimentado picos históricos de diária média e RevPAR em meses com agenda de negócios e eventos mais intensa, o que eleva a régua de serviço e pressiona a execução: somente em 2024, São Paulo registrou recorde de tarifas e forte tração de receita durante grandes feiras, exigindo dos ativos hoteleiros excelência operacional contínua para capturar valor.
É nesse contexto competitivo que defendemos uma sindicância profissional: olhar além dos números puros, integrar estratégia, operação e experiência do cliente e, assim, proteger o longo prazo do ativo. No Wyndham São Paulo Ibirapuera, essa filosofia guiou decisões estruturantes nos últimos dois anos: mudança de bandeira para a Wyndham Hotels & Resorts (a maior rede de franquias hoteleiras do mundo), contratação da Trul Hotéis como operadora e remodelagem do corpo diretivo, alinhando governança e execução.
Paralelamente, direcionamos mais de R$ 14 milhões em revitalizações de lobby, bar e apartamentos — investimentos ancorados em métricas de satisfação, reputação e retorno. Os resultados são tangíveis: o hotel saltou mais de 90 posições no TripAdvisor e ocupa hoje uma colocação de destaque entre os principais da capital, movimento que vem se refletindo em dividendos crescentes aos mais de 600 investidores que represento.
Esse avanço não acontece por acaso: ele nasce de uma leitura clara do novo viajante e de uso pragmático de tecnologia. A personalização apoiada por inteligência artificial já se tornou habilitadora de jornadas sob medida, da pré-reserva ao pós-estadia — tendência reconhecida por pesquisas setoriais e planejamentos de viagem que apontam IA como motor de roteiros e ofertas mais relevantes. Para o gestor, isso significa adotar CRM inteligente, segmentação dinâmica e comunicação contextual, convertendo dados em experiências e experiências em recorrência.
Outro eixo incontornável é o ESG. A agenda de sustentabilidade, diversidade e governança não é apenas reputacional; ela influencia preferências de consumo, competitividade e acesso a capital. Relatórios globais de turismo projetam expansão do setor no Brasil e reforçam que desempenho econômico virá cada vez mais associado a práticas ambientais e sociais mensuráveis. Traduzido para a operação, isso implica eficiência energética, compras responsáveis, gestão de resíduos, acessibilidade e políticas ativas de desenvolvimento de pessoas.
No tabuleiro paulistano, onde a oferta qualificada cresce e a demanda é elástica ao valor percebido, experiência do hóspede é o driver que conecta tudo: do preço médio à reputação, da ocupação à margem. Eventos-âncora, sazonalidades e volatilidade de calendário continuarão a estressar a operação — mas é exatamente nessa pressão que a boa governança se prova.
Síndicos e conselhos que combinam leitura de mercado, disciplina de capital e obsessão por produto/serviço constroem ativos mais resilientes e valiosos. Em síntese, a fórmula do desempenho sustentável é clara: investidor no centro da estratégia, hóspede no centro das decisões e operação ancorada em dados, tecnologia e ESG. Esse é o caminho que escolhemos — e é ele que tem nos permitido crescer com consistência, entregando retorno hoje sem sacrificar o amanhã.
Luciano Miranda é síndico do Wyndham São Paulo Ibirapuera Convention Plaza

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