Edição 352Revistas
Transformando água em vinho

MERCADO CONTA COM TRÊS MIL TIPOS DE ÁGUAS MINERAIS DE TODO O MUNDO

Foi-se o tempo em que as opções de água se resumiam ‘com ou sem gás’. Seria como perguntar se o cliente quer vinho tinto ou branco, sem considerar os tipos de uva, terroir, aroma, coloração, acidez e maciez na boca. Cada vez mais, hotéis e restaurantes, principalmente na Europa, estão investindo neste nicho. Oferecer uma boa carta de águas é um diferencial que pode incrementar o estabelecimento e, consequentemente, a fidelização.

“O mercado já oferece três mil tipos de água provenientes de todas as partes do globo”, assegura o antropólogo de alimentação e consultor de carta de águas, Michael Mascha. Segundo o especialista, as águas minerais são classificadas em três categorias: comum, gourmet e saborizada.

“Água não é água. À primeira vista, ela não parece ter características individuais. A degustação exige atenção”, diz ao explicar que as águas consideradas comuns são aquelas tiradas da torneira e purificadas por grandes empresas; as gourmets vêm de fontes protegidas e de boa qualidade; e as saborizadas são aquelas feitas com essência natural, sem adição de açúcar.

Como o vinho, possuem terroir e história. Isso porque, ao longo do caminho que percorrem no interior da terra, absorvem minerais e elementos geológicos que lhe conferem identidade única. Filtradas por milhares de anos por rochas vulcânicas a 600 metros da superfície, como a japonesa Finé; retiradas de poços artesianos no meio da floresta Amazônica, como a brasileira Equa; provenientes de geleiras da Groenlândia, como a canadense Berg; coletadas da chuva na costa intocada da Tasmânia, como a Tasmanian Rain.

Variedades não faltam, o custo é mais elevado do que o de águas comuns, mas o consumo já é forte na Europa e a tendência deve chegar ao Brasil em breve. “Nosso povo está sempre aberto a novidades, além disso, é muito fácil se acostumar com o que é bom”, diz André Ouchana, da Iconbev, distribuidora de águas minerais, ao explicar que a venda de águas gourmet no Brasil hoje não é muito forte, mas cresce a cada dia. “Chamo atenção para a grande dificuldade de conseguir licença para importação, o que retarda muito o desenvolvimento do mercado como um todo”.

Características próprias

Cada marca possui peculiaridades e elas são distinguidas por meio de elementos, como:
– Nível de carbonatação: aplicação de dióxido de carbono (gás) – pode ser still (sem gás), efervescente (com borbulhas quase imperceptíveis), bold (com bolhas grandes e fortes), light e clássica.
– Mineralidade: tipos e quantidade de minerais, como cloretos, sulfatos, fosfatos, nitratos, cálcio e magnésio, entre outros. É o que caracteriza o terroir.
– Fator PH: alcalino (toque amargo), ácido (notas azedas) ou neutro.
– Dureza: os níveis de cálcio e magnésio determinam a dureza da água, elas são definidas em macias ou duras (que precisam de muitos detergentes para serem purificadas e têm o sabor impactado).

Island Ice
Água para fazer cubos de gelo vinda de uma área protegida da Tasmânia, na Austrália. www.islandice.com.au

Finé
Filtrada naturalmente durante dez mil anos por 600 metros de rochas vulcânicas do Japão. www.finejapon.com

Equa
Retirada de poços artesianos pré-históricos no meio da floresta Amazônica, no Brasil. www.equawater.com

Berg
Extraída de geleiras da Groenlândia, possui produção limitada em determinadas épocas do ano. www.bergwater.ca

Etrusca
A italiana vem de uma fonte protegida, a 1.100 metros acima do nível do mar, entre os Alpes e os Apeninos. www.acquaetrusca.com

Veen
Engarrafada na fonte – nascentes de Konisaajo, na Finlândia -, durante a primavera. www.veenwaters.com

Malmberg
Originária de uma nascente pré-histórica em Yngsjö, pequena aldeia na costa da Suécia. www.malmbergoriginal.se

Fiji
Proveniente da chuva tropical filtrada durante centenas de anos por rochas vulcânicas. www.fijiwater.com

Bling
Dos Estados Unidos, o destaque fica por conta da garrafa, uma inspiração de Hollywood. www.blingh2o.com

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