Hospitalidade Regenerativa
Iniciativas brasileiras mostram como a hotelaria, especialmente nos segmentos de experiência e luxo, pode ir além da sustentabilidade para regenerar ecossistemas, culturas e economias locais
A ideia de turismo regenerativo vem ganhando força, mas ainda é frequentemente mal compreendida, sobretudo quando empregada como simples evolução da sustentabilidade. A regeneração não substitui a sustentabilidade, nem “atualiza” parte dela. Se a primeira está centrada em reduzir impactos negativos, muitas vezes sob a lógica de emissões líquidas zero (ou net zero), a segunda amplia o olhar para entender como uma operação pode gerar impactos positivos e duradouros nos sistemas com os quais se relaciona.
Esse deslocamento implica uma mudança profunda na forma como a hospitalidade se posiciona. Em vez de atuar como atividade isolada, o hotel passa a ser compreendido como parte de uma rede viva, inserida em ecossistemas naturais, sociais e econômicos. Nesse contexto, um empreendimento regenerativo deixa de ser apenas um prestador de serviços para se tornar agente ativo no território, influenciando e sendo influenciado pela comunidade, pela natureza e pelas dinâmicas locais.
Para o professor Alessandro Inversini, da EHL Hospitality Business School, essa leitura ainda é muitas vezes reducionista. “Costumo dizer que a sustentabilidade é o piso, enquanto a regeneração é o teto”, explica. “Os hotéis não são organizações isoladas em um destino; eles estão inseridos em ecossistemas naturais e sociais e, em certa medida, são também ecossistemas em si mesmos”.
Ainda que o conceito avance globalmente, Inversini vê a regeneração como um movimento emergente, impulsionado menos por protocolos e mais por uma transformação de mentalidade dentro das lideranças. O processo começa quando gestores e proprietários reconhecem que sua atuação vai além de receber hóspedes. “É quando eles percebem que têm um papel a desempenhar neste planeta. A partir daí, surge uma nova ambição, que é a de contribuir simultaneamente para o bem-estar da comunidade, para a preservação ambiental, para o desenvolvimento das equipes e, em última instância, para uma experiência mais significativa para o viajante”.
Esses princípios embasaram uma estrutura preliminar sobre como a hospitalidade regenerativa é praticada, desenvolvida por Inversini e pelo professor Roland Schegg, da University of Applied Sciences and Arts of Western Switzerland Valais (HES-SO Valais), em colaboração com Amanda Ho, cofundadora e CEO da Regenerative Travel, agência de viagens que reúne hotéis que praticam ativamente a hospitalidade regenerativa em diferentes destinos.
Leia a matéria completa na edição 431

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