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O bem-estar na hospitalidade

Por Alessandra Leite

O Global Wellness Summit (GWS) divulgou em janeiro o relatório The Future of Wellness 2021, que engloba nove tendências de bem-estar para este ano. As previsões, baseadas nas percepções de executivos, empresas do segmento, economistas, investidores, pesquisadores e médicos, apresentam novos caminhos que a GWS acredita que terão um maior impacto na indústria mundial do bem-estar.

Em 2020, vivenciamos uma pandemia global, colapso econômico, polarização política, injustiça racial, além de uma crise de bem-estar mental, que nos fez pensar e agir de forma mais consciente. Da noite para o dia, a pandemia transformou a qualidade de vida em prioridade e o estudo prevê como o segmento continuará a reescrever 11 setores da economia, que englobam desde beleza, antienvelhecimento e alimentação saudável até arquitetura e turismo.

São todas áreas dinâmicas e interconectadas. Com o aumento da expectativa de vida, crescimento das doenças crônicas e do estresse, estamos reavaliando nosso estilo e tentando redirecionar nossa atenção para o que nos faz bem, refletindo na forma que vivemos, trabalhamos e viajamos. 

Do avanço da sustentabilidade à imersão na natureza, a tendência intitulada The Year of the Travel Reset (O ano da redefinição das viagens) aponta maior consciência e propósito nas escolhas. Ganham força as viagens regenerativas, que vão além da preservação e buscam recuperar os impactos negativos que o ser humano causa no meio-ambiente, assim como a gestão mais sustentável do turismo para evitar o overtourism e, até mesmo, o undertourism. 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Global Wellness Institute (GWI), o mercado global de wellness movimentou US$ 4,5 trilhões, sendo que o turismo de bem-estar – definido como viagens que buscam manter ou melhorar o bem-estar pessoal – passou de US$ 563,2 bilhões em 2015 para US$ 639,4 bilhões em 2017.

O valor gasto por viajante deste nicho está distribuído entre os segmentos do turismo. Algumas despesas são em atividades voltadas diretamente para o bem-estar, como massagem, aula de yoga e meditação; enquanto outras são genéricas, como é o caso da hospedagem, alimentação e transporte. Mas, à medida em que consumidores incorporam o bem-estar em seu estilo de vida, aumentam as oportunidades para que estas “empresas genéricas” inserirem o conceito em sua oferta para se diferenciar e capturar uma fatia desse mercado.

O estudo The Wellness Gap, realizado pela Ogilvy em 2020, constatou que para 73% dos consumidores, o bem-estar é um elemento essencial na estratégia de uma marca, enquanto 62% acreditam que é importante um hotel oferecer benefícios relacionados ao wellness.

São muitas as possibilidades para a indústria da hospitalidade, ultrapassando os limites dos spas e academias. Mas, o que os hotéis podem fazer para inserir esse conceito na experiência dos hóspedes para que eles se sintam bem durante a estada e melhor ainda quando forem embora. Algumas marcas hoteleiras já nasceram com essa proposta e outras abraçaram o conceito e estão promovendo recursos de bem-estar, como equipamentos de ginástica no quarto, camas especiais e iluminação que ajudam no sono.

É hora de reavaliar a importância do bem-estar nos negócios e o seu papel dentro da operação. É o momento de repensar sua proposta de valor! Cada vez mais os clientes tomam decisões com base nas emoções, querem saber se a história da marca está alinhada com seus interesses e quais são as consequências sócios-ambientais da compra. Um hotel que incorpora o bem-estar em seu conceito terá uma história emocional muito mais poderosa para atrair esse segmento crescente de consumidores e se diferenciar no mercado.


Alessandra Leite é publisher da hotelnews e consultora em hospitalidade


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