Edição 373HotelariaNotíciasRevistas
Uniformes profissionais

Hotéis estão cada vez mais em dia com a moda e atentos à individualidade do colaborador

Historicamente, os uniformes surgiram para identificar grupos, principalmente no exército, como forma de diferenciar aliados de inimigos, solução que acabou sendo adotada por empresas, escolas e agremiações esportivas, entre outros segmentos. O que muda, na atualidade, é que o conceito desprendeu-e de antigos padrões e ganhou liberdades criativas, muito impulsionadas também pelo avanço da indústria têxtil. Hoje o uniforme tem uma relação mais direta com a economia de produção e padronização do usuário do que somente com a marca que ele identifica. Tecidos, cores, modelos e adereços tornaram as linhas de uniformes esteticamente mais agradáveis e ergonomicamente adaptadas para extrair o melhor desempenho a cada tipo de atividade.

Mitiko Kodaira de Medeiros, professora do Master em Negócios e Varejo de Moda da Universidade Anhembi Morumbi, diz que hoje não existe limitação para uso o de tecidos pela indústria de uniformes profissionais, a começar pelos materiais que os compõem, muito mais estudados, pesquisados e testados para melhor adequação ao produto final. “O tecido é trabalhado para conferir flexibilidade, estruturação e elasticidade total para não tolher os movimentos”, afirma, lembrando, ainda, a importância da coloração, que deve ter boa solidez para que não desbote em lavagens ou pela incidência de luz solar; bom tratamento para que não retenha sujidades; e proteção de impermeabilizantes para deter frio ou calor extremo.

Algumas multinacionais, no entanto, seguem premissas ditadas pelas matrizes e com isso têm menos liberdade e autonomia no processo de criação, mas há exceções. Esse é o caso, por exemplo, do Grand Hyatt São Paulo, que há dois anos instituiu um modelo específico para colaboradores grávidas. Segundo Ana Carolina Magagna, analista de Inovação da unidade, a ideia surgiu no inicio de 2011, quando uma gerente de Vendas que estava grávida solicitou permissão para trabalhar com um modelo de vestido pessoal, na mesma linha dos uniformes do hotel, sugerindo a adoção de um modelo similar para as futuras gestantes.

“A partir dais os departamentos de Recursos Humanos e Lavanderia entraram em ação. As grávidas foram entrevistadas e com base em suas respostas um modelo de vestido foi especialmente desenhado e confeccionado. Criamos o ‘comitê da moda’, responsável por todo este processo e que é formado por funcionários de diversos departamentos do hotel. Este comitê utiliza o conceito de Design Thinking para abordar e afinar as reais necessidades de cada área, através de entrevistas de empatia e observação da relação entre cada uniforme e funções distintas dentro do hotel, como funcionalidade, mobilidade, estética e conforto”, explica a analista. Do grupo participam Juliana Lins, coordenadora de vendas; Camila Diego, agente de Reservas; Anderson Silva, gerente da Lavanderia; Amanda Ciocler, gerente assistente – Nutricionista; Fernanda Masiero, da Recepção; Carolina Schramm, gerente Assistente de E-commerce e a própria Ana Carolina Magagna.

Diferentemente dos tradicionais taièrs, saias, calças, camisas e blusas que as colaboradoras usam diariamente no Grand Hyatt paulista, cada qual de acordo com o seu departamento e função, as grávidas usam esse vestido especialmente desenvolvido utilizando um tecido mais confortável, embora seguindo a mesma cor e padronagem da linha dos demais uniformes. “Desde o final de 2012, estamos em um processo de renovação de nossos uniformes, o que vai incluir a linha das grávidas também. Em nosso ‘comitê da moda’, protótipos já começaram a surgir e estão sendo testados antes de serem confeccionados em massa. O novo vestido para grávidas, por exemplo, já é o terceiro protótipo em teste. De acordo com o feedback dado pelas usuárias, são feitas as alterações necessárias e o uniforme é colocado mais uma vez para teste”, completa Ana Carolina.

Conforto e criatividade

Localizado em Maceió, no estado nordestino de Alagoas, o Kenoa Resort optou pela adoção de uniformes confortáveis e discretos. A ideia, segundo o CEO e fundador do hotel, Pedro Marques, é que “os funcionários possam passar despercebidos”. Para alcançar o objetivo toda a linha foi desenvolvida e criada dentro do próprio empreendimento, incluindo a confecção dos modelos. “Estamos sempre inovando. Recentemente desenvolvemos novos vestidos tanto de dia como de noite para nossa Guest Experience Manager”, conta Marques, que prioriza os tecidos naturais porque a condição térmica é sempre uma preocupação considerando o clima quente do nordeste.

O grande diferencial dos uniformes do Kenoa, no entanto, é mesmo o design. Segundo Marques, já houve até pedidos de compra. Todos os 70 colaboradores do resort utilizam os modelos desenvolvidos pelo hotel. “Hoje usamos o linho industrializado, mas temos intenção de adotar materiais naturais em um futuro próximo. O diferencial é que assim como os guardanapos e toalhas, confeccionados com o mesmo tecido, os uniformes não são passados como forma de pouparmos energia elétrica. Eles ficam enrugados conferindo até um charme extra aos mesmos”, destaca o CEO. O resort tem modelos distintos para diferentes situações de trabalho, como um cerimonial, por exemplo, ou mesmo para o dia e a noite, e o design é pensado de acordo com o cargo e pessoa que vai utilizá-lo.

Personal style

O Pullman São Paulo Ibirapuera, da Accor, também está em processo de mudança em sua linha de uniformes, mas ainda aguarda algumas diretrizes determinadas na França. Recentemente o hotel implantou mudanças importantes, como a liberação do uso de uniformes e até mesmo de gravata para os 15 gerentes. A linha adotada hoje ainda é a mesma implantada em meados de 2008 juntamente com o lançamento da marca Pullman. “Fizemos alguns ajustes durante estes anos e possivelmente em breve teremos uma nova linha que está sendo trabalhada por quatro hotéis em outras regiões do mundo”, conta o gerente-geral da unidade, Carlos Bernardo.

Segundo o gerente, além dos modelos que seguem as diretrizes da matriz, uniformes como os do pessoal da cozinha, por exemplo, devem obedecer uma legislação própria e assessoria da SGS para atender os preceitos de segurança. Já para compor a vestimenta dos gerentes, o hotel teve autonomia para buscar a assessoria de um profissional especializado em moda. A parceria foi estabelecida com Otavio Lima, coordenador de Moda e Estilo da Universidade Anhembi Morumbi. “Fizemos contato com o Otávio e ele trouxe sua equipe para conhecer nossos gestores, seus hábitos, necessidades e estilos. Para facilitar a análise, cada gestor fotografou o próprio armário. De posse desse material fomos à Universidade expor o nosso projeto aos demais membros do grupo, que neste momento trabalham em uma proposta de estilo para cada gerente, como uma espécie de personal style”, informa Carlos.

De acordo com o gerente, após a conclusão desse trabalho, a ideia é dar continuidade à parceria, estendendo o estudo aos uniformes do pessoal de Alimentos e Bebidas (restaurante, bar, room service) e Limpeza (arrumadores). “A implantação será feita em fases”, conclui o gerente do hotel que emprega 200 colaboradores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *