Um herói, o Hotel Nacional Rio

Inaugurado em 1972, projetado por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Roberto Burle Marx e obras de arte de ícones brasileiros como as 268 placas de concreto do artista Carybé ou a emblemática sereia de Alfredo Ceschiatti que adorna a piscina do empreendimento. Isso sem contar outros grandes nomes encontrados pelas dependências como Athos Bulcão e Pedro Correia Arcanjo. Este é o Hotel Nacional Rio de Janeiro.

A Imponente torre circular, que é assim para não acentuar o adensamento imobiliário no bairro de São Conrado, no limite da zona sul carioca, hoje tem sua localização estratégica, mas na década de 1970, quando foi idealizado e construído, era mais um feito visionário do empresário José Tijurs, que aproveitando recursos da então muito ativa Embratur concebeu a icônica obra.

Testemunha de toda esta movimentação, lá estava Magdala Castro, a fundadora da Hotelnews e da Equipotel, que até hoje acompanha a história do empreendimento carioca. A trajetória gloriosa do Nacional hospedava os mais importantes nomes daquela época como os internacionais B.B. King, Liza Minnelli, James Brown ou os brasileiros Roberto Carlos e Tim Maia, que também passeavam pelo gigantesco lobby.

Foi assim até meados da década de 1990, quando o Hotel Nacional Rio de Janeiro fechou suas portas pela primeira vez. Foram quase vinte anos desse gigante se deteriorando em um dos metros quadrados mais caros do Brasil, até que o Grupo HN Participações e Empreendimentos Ltda arrematou a propriedade e fez uma injeção multimilionária de recursos para reabrir as portas do hotel.

Em dezembro de 2017, o Hotel Nacional volta a receber hóspedes depois de quase duas décadas fechado. Estava claro o saudosismo dos primeiros visitantes, muitos vizinhos do bairro, e não era raro ouvir a frase “o papai e/ou mamãe brincava nessa piscina”.

Mas a alegria não durou muito: menos de dois anos após a reabertura, a bandeira internacional que administrava o hotel e os proprietários do edifício acharam, por bem, fechar o empreendimento para discutir na justiça a saúde financeira do projeto. Dessa vez, o Hotel Nacional Rio de Janeiro ficou pouco mais que um ano com suas portas fechadas.

Chegada da WAM Hotéis

Foi em 24 de outubro de 2019 que a WAM Hotéis, empresa do Grupo WAM Brasil, sediada em Goiânia, acertou com os proprietários a reabertura do hotel. Agora suas 413 UHs estão sob a custódia de uma das maiores administradoras da hotelaria de lazer do Brasil e a missão já começa com um desafio: a pandemia.

Tudo corria muito bem. Um final de 2019 com casa cheia, a volta da cascata de fogos no entorno do prédio, que tem tudo para voltar a ser um dos cartões postais da cidade do Rio, além de gerar muita mídia espontânea em canais nacionais e estrangeiros de todo o planeta, seguido por um verão e sunsets à beira da piscina, sempre lotados, até março chegar.

Hotéis pelo Brasil começaram a fechar suas portas por conta da Covid-19 devido à falta de hóspedes ou por total despreparo para lidar com o novo vírus, mas o Hotel Nacional tinha voltado a operar há menos de um ano. Seria uma terceira interrupção. Inadmissível, aponta Alexandre Zubaran, COO da WAM Hotéis. O grupo decide, então, manter o hotel aberto, com ocupação perto dos 5% (nos melhores dias) ao invés de, pela terceira vez, fechar as portas do gigante de São Conrado.

Foi criado então o Safe Living, espaço para receber familiares de médicos ou pessoas do grupo de risco. Estrangeiros, cujos países estavam com fronteiras fechadas, também foram recebidos, entre outros que necessitavam de algum cuidado ou isolamento.

Claudia Simões

Para ajudar a colocar tudo isso em prática, a WAM Hóteis “importou” de Caldas Novas (GO) a carioca Claudia Simões. A profissional transborda experiência em hotelaria, com passagens por hotéis como o Rio Othon Palace, Sofitel Rio e antigo Salvador, Costa do Sauípe (BA), Breezes, entre outras, até chegar na Enjoy, em Caldas novas, pelas mãos de Zubaran e Ricardo Meinberg. Claudia iniciou no Nacional no primeiro dia de quarentena, mas com uma ideia que sua avó paterna, lá na sua infância, havia lhe ensinado: “hoje vamos receber em casa!”. E todo mundo sabia que era para caprichar.

Clique aqui para assistir a entrevista com Alexandre Zubaran no IGTV da Hotelnews no Instagram.

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