Entrevistas
Três perguntas para Kadu Guimarães, do Arcobaleno

Localizado em frente à badalada Praia de Taperapuan, em Porto Seguro (BA), o Resort Arcobaleno ocupa uma área de 23 mil m² e oferece ampla infraestrutura de lazer com parque de piscinas, quadra poliesportiva, academia, salão de jogos e exclusivo Clube de Praia, o Terrazzo Al Mare.

Comprometido com a sustentabilidade, o resort realiza o reflorestamento da restinga e do bosque, plantando mais de 200 espécies nativas. Também adota práticas ambientais responsáveis, como o inventário de emissões de gases de efeito estufa e a separação de resíduos em quatro categorias. Além disso, busca a Certificação B, alinhando suas ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Nesta entrevista, Kadu Guimarães, sócio-diretor do empreendimento, fala sobre os indicadores do hotel, as práticas da companhia com relação ao ESG e a intenção de serem carbono neutro até 2028. Confira:

1 – Poderia dar um panorama dos indicadores do resort? Como o mercado se comportou em 2024 e quais as perspectivas para 2025?

Desde a retomada pós-pandemia, o Resort Arcobaleno tem atingido resultados expressivos e crescentes. Em 2024, tivemos uma taxa de ocupação média de 73%, um recorde na história do hotel. Em minha opinião, três fatores vêm determinando esse sucesso: primeiro, o trunfo de nossa localização em Porto Seguro, que se tornou um polo de turismo completo e de baixa sazonalidade com grande destaque no turismo doméstico.

Depois, o fato de sermos um resort all inclusive, e esse tipo de serviço caiu na graça dos brasileiros depois da pandemia. E a terceira e mais importante razão tem a ver com o investimento de quase R$ 15 milhões em infraestrutura e serviços feito nos últimos três anos.

Esse processo de modernização, ampliação e aprimoramento nos serviços está gerando um incremento constante na demanda. Tanto que na atual temporada de verão que terminou em março tivemos uma taxa de ocupação superior a 90% e com uma diária média 11% superior ao verão de 2024. Acreditamos que 2025 será outro ano marcante quando deveremos superar 75% na taxa média de ocupação.


2 – Há alguns meses, o resort instalou uma mini usina de energia solar. Qual a importância da sustentabilidade para o Arcobaleno? Quais outras práticas o empreendimento possui em relação ao ESG?

As questões de preservação do meio ambiente e de responsabilidade social sempre foram muito presentes na história do hotel desde a sua fundação. Temos uma imensa área verde, parte dela plantada ou recuperada, e nosso clube de praia opera dentro de uma reserva ambiental.

Desde 2022, abraçamos de vez a agenda ESG, com a contratação de uma consultoria especializada, que resultou na mudança de nossa matriz energética para 100% solar. Também implementamos processos de treinamento contínuo de colaboradores e de conscientização de hóspedes. E implementação de mudanças bem-sucedidas, como a não utilização de plástico descartável.

Nosso maior desafio nos próximos dois anos está ligado à questão de gestão de resíduos, pois somos grandes geradores de lixo. Vamos criar uma estação de reciclagem e um posto de coleta seletiva e trabalhar muito com o reaproveitamento do lixo orgânico. Nossa intenção é sermos um empreendimento carbono neutro até 2028.


3 – Quais os grandes desafios de atuar no setor hoteleiro? O que você acredita que precisa mudar para o segmento melhorar ainda mais?

Acho que o maior desafio da hotelaria brasileira continua sendo a falta de mão de obra especializada. Infelizmente, pelos custos operacionais e alta carga de trabalho, que em alguns locais podem beirar à precarização, o setor hoteleiro vem pagando salários cada vez menores em relação a outros segmentos econômicos.

Isso gera alta rotatividade e um baixo reconhecimento da atividade hoteleira que se reflete em tudo, desde atendimento deficiente e aumento de custos até imagem negativa do setor.

Na verdade, estamos enfrentando a fuga de mão de obra de um setor que não pode perder a sua atratividade para jovens que estejam iniciando sua jornada no mercado de trabalho e nem para profissionais de nível gerencial de outros setores.

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