Transformação social na Amazônia
Com novos sócios, Katerre ganha fôlego para continuar investindo no desenvolvimento do turismo responsável e sustentável na região de Novo Airão, no Amazonas
Há cinco anos, quando entrevistamos Ruy Tone para a matéria publicada na edição 409, ele nos contou sobre a sua jornada pelos quatro cantos do mundo até chegar na Amazônia, em 2004, por onde se apaixonou e decidiu investir, começando pelo turismo náutico – uma das formas mais autênticas e interessantes de conhecer a região. Uma verdadeira imersão na floresta amazônica. Assim nasceu a Expedição Katerre, que hoje tem em seu portfólio três embarcações: o Jacaré-Tinga, o Jacaré-Açu e a recém-adquirida La Jangada.

Ao navegar pelos rios Amazônicos, Ruy começou a entender, de fato, o seu ecossistema e de que forma o turismo poderia ser um agente de transformação social. Com isso em mente, apostou também na hotelaria com o Mirante do Gavião, em Novo Airão – empreendimento com apenas 13 suítes e construções erguidas em madeira de lei que lembram a forma de barcos invertidos – e também entrou como sócio em dois restaurantes: o Flor do Luar, em Novo Airão, e o Caxiri, em Manaus.

Recentemente, tivemos a oportunidade de conversar novamente com o empresário, que nos contou sobre a nova fase da Expedição Katerre com a chegada dos dois sócios. No começo do bate-papo, Ruy enfatizou o propósito de suas empresas na Amazônia de gerar empregos, pagar impostos e utilizar o lucro para melhorar a vida da sociedade local, além de financiar projetos sócioambientais.
A chegada dos sócios – Átila Denys e Alexandre Cymbalista – traz fôlego aos futuros investimentos, mas sempre com a premissa de manter a essência dos negócios. “Foi fundamental que eles respeitassem as minhas condições e estivessem alinhados com o meu propósito. Desde que comecei a investir na Amazônia eu sabia que teria que manter o dinheiro lá. Fazer a economia da região circular para gerar renda à população local, promovendo uma transformação social e ambiental”.

O turismo de base comunitária está no DNA da Katerre e do Mirante do Gavião. As visitas às comunidades são experiências autênticas, pois os participantes têm a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre a vida na comunidade. Muitos ribeirinhos têm na atividade o seu sustento.
Ruy entende que, para evoluir, o turismo depende de novidades o tempo inteiro, senão o empreendimento acaba sendo sobrepujado por outras atrações e destinos. Já estava em seu radar construir um outro hotel e ter um novo barco quando os sócios chegaram. “Na verdade, o projeto deste novo empreendimento, o Mirante do Madadá, estava pronto e em fase de licenciamento quando eles embarcaram nesta sociedade, há três anos”.
Sócios
Alexandre Cymbalista é acionista e fundador da agência Latitudes – pioneira em viagens de conhecimento – e Átila Denys atua na Zona Franca de Manaus desde 1978 como sócio da DD&L Associados – o executivo tem um interesse muito grande em desenvolver as empresas da nova economia amazônica, a bioeconomia. “A chegada de Alexandre é um acréscimo não somente de capital, mas também um ganho de relações e conhecimento. Já Átila fortalece do ponto de vista institucional, por ser bem relacionado em Manaus”, afirma Tone. “Se tivermos um bom projeto de turismo na Amazônia, podemos atrair pessoas para conhecer e, de alguma forma, ajudar a financiar as ações socioambientais”.

Projetos
A ideia inicial era construir uma nova embarcação, mas eles optaram por comprar um barco já
pronto para economizar tempo. “Foi uma oportunidade de negócio a compra do La Jangada. Vamos fazer uma pequena reforma para adaptar algumas coisas, colocar a nossa cara. Ele já veio finalizado do ponto de vista operacional, está praticamente 100% vendido o ano inteiro somente para estrangeiros. Compramos a operação pronta”, conta Ruy.
A viagem do La Jangada contempla duas semanas pelo Rio Amazonas – de Manaus a Tabatinga, ou vice-versa. “Não é uma viagem para todo mundo. O roteiro está no catálogo das operadoras europeias, e seu nome – atrelado ao livro de Júlio Verne “Jangada” – está no imaginário do europeu, que é o principal público”.


Já o Mirante do Madadá – idealizado por Marko Brajovic, um dos expoentes da biomimética na arquitetura – acabou de obter a licença ambiental pra iniciar a construção. O projeto foi baseado em elementos naturais e culturais da região, costurando signos, texturas e materiais. As estruturas que compõem o complexo Madadá se assemelham a sementes e se espalham de forma orgânica pela topografia da área, respeitando a mata nativa.
Para o empresário, a chegada do Madadá implementará a oferta de quartos – totalizando 50 – na região de Novo Airão, que já conta com dois empreendimentos de luxo: o Mirante do Gavião e o Anavilhanas. No entanto, acredita que ainda há oportunidade para novos hotéis neste segmento.
Tone ainda destaca que um dos principais gargalos para o desenvolvimento turístico da região é a questão da malha aérea. Segundo ele, o preço das passagens de avião é um limitador enorme. Além disso, a crença de que tem que ser um destino mais barato porque é Brasil e de não ter o glamour de Paris faz com que muitas pessoas não viajem para a Amazônia
Atuação social em várias frentes
A Katerre e o Mirante do Gavião são mantenedores da Fundação Almerinda Malaquias – que possui projetos de geração de renda e educação com viés ambiental. As ações já melhoraram a infraestrutura de 25 escolas de comunidades isoladas do município de Novo Airão, com o Projeto Educação Ribeirinha.

Os empreendimentos também apoiam a Associação de Artesãos de Novo Airão (AANA) com a compra de trabalhos para decorar o hotel e o barco; e a Associação de Artesãos do Rio Jauaperi (AARJ), por meio do patrocínio de projetos socioambientais, como o Projeto Bicho de Casco (proteção de praias para a reprodução de quelônios).

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