Terceirização

O que a hotelaria está demandando para o emprego temporário

Os restaurantes já foram, dentro da operação hoteleira, um grande filão para a terceirização. Hoje são os estacionamentos, as lavanderias e, despontando no ranking, os serviços de limpeza externa – vidros e áreas sociais, em maior escala. A rigor, qualquer serviço que não pertença ao core business da hotelaria é passível de terceirização.

Essa é, por exemplo, a opinião de Paulo Ventura, gerente geral do Crowne Plaza Curitiba, para quem a falta de qualificação de mão-de-obra de base responde diretamente pelo crescente aumento no emprego de equipes temporárias. “Não sabemos onde buscar esse profissional. Na hotelaria, todos querem entrar pela recepção e terminar na gerência”, pondera. De acordo com Ventura, há muito a terceirização deixou de ser uma solução para a redução de custos com encargos trabalhistas para tornar-se uma necessidade premente de um setor que efetivamente carece de capacitação.

Atenta a esse potencial, especialmente na região sul do País, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba (Siemaco) e o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac-PR) uniram-se para constituir a Fundação de Asseio e Conservação do Estado do Paraná, uma entidade sem fins lucrativos, voltada ao ensino, capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais de limpeza e seu encaminhamento ao mercado de trabalho. À frente da fundação está Adonai Aires de Arruda, que preside o sindicato patronal e também o Grupo HigiServ, que responde pelo emprego de quatro mil profissionais em todo o País.

A falta de mão de obra especializada também levou Fernanda de Moura Ricardo, gerente geral do Max Savassi Apart Service, de Belo Horizonte (MG), a recorrer ao serviço temporário, mas apenas para gerir o estacionamento , pelo risco envolvido, e a lavanderia, pela agilidade e precisão que demanda no atendimento ao hóspede, além da redução de custos com a compra e manutenção do maquinário necessário.

Diferencial competitivo

À parte da questão mais prática aplicada à rotina de serviços de base, muitos gestores estão atentos à terceirização como forma de garantir diferenciais competitivos ao seu negócio, qualquer que seja o ramo de atividade. Na hotelaria, mais particularmente, o gerente do Crowne Plaza, Paulo Ventura, acredita que quase tudo pode ser terceirizado, excetuando-se aí as funções de caráter mais estratégico, como as diretamente ligadas à área comercial.

Uma área que vem ganhando espaço nesse cenário é a do marketing digital. Alexandre Gigante, da Uppii Consultoria de Marketing, elenca entre as atividades do segmento passíveis de terceirização o planejamento e a gestão da presença da empresa na web, a administração das redes sociais, a produção de anúncios de links patrocinados e campanhas de e-mail marketing e a realização de eventos. “Estar presente na internet, de forma ágil e profissional, faz parte da rotina das empresas contemporâneas. Mas não basta ter um site ou um perfil nas redes sociais para transmitir aos sues clientes e prospects uma imagem sólida e segura. É preciso gerir a presença de sua marca na rede mundial, atualizar constantemente suas informações, analisar indicadores de desempenho e assim construir uma inteligência de relacionamento no campo virtual. A evolução desta tarefa mudou o significado e abrangência do termo “marketing digital” na ultima década”, explica o consultor.

De acordo com Gigante, são muitas as vantagens da terceirização nesse caso. “Além de contar com a expertise de profissionais que dominam as ferramentas web (blogs, twitter, anúncios de links patrocinados, perfis nas redes sociais, wiks, vídeos e podcasts), o gestor poderá dispor de relatórios e indicadores que lhe ajudarão a decidir e planejar melhor onde investir, uma vez que a consultoria, em geral, tem soluções específicas para cada canal. “A terceirização de alguns serviços ou mesmo de departamentos inteiros pode, sim, ser um diferencial competitivo para a maior parte das empresas, que assim podem manter sua equipe efetiva focada exclusivamente nas atividades inerentes ao seu próprio core business”, conclui.

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