Show Kitchen
Restaurantes investem em espaços gourmet que despertem sentidos além do paladar
Uma tendência inicialmente disseminada com o objetivo de tornar transparente ao público os cuidados com a manipulação dos alimentos acabou por estimular nos estabelecimentos um investimento maior em suas cozinhas, uma área que até então se restringia aos bastidores mais reclusos. Muitas vezes preterida em detrimento dos espaços sociais, a cozinha está ganhando destaque nos projetos de interiores e a indústria tem acompanhado a evolução com o desenvolvimento de equipamentos que também primam pela estética além da qualidade e praticidade.
Essa tendência tem sido identificada em vários segmentos, onde a operação da cozinha, ou parte dela, se transforma em um show independente, isto é, os equipamentos bem acabados, com design elegante , juntamente com o chef criam um cenário convidativo ao cliente gerando uma experiência marcante. No desenvolvimento de produtos, além da questão da inovação tecnológica, o design moderno e atraente, porém funcional, é parte integrante da nossa metodologia em P&D, afirma Milton Machado, diretor da Prática Produtos.
Quando foi inaugurado, em junho de 2011, o Pullman São Paulo Ibirapuera já apresentava como uma das inovações da cozinha do seu restaurante It a introdução do conceito show kitchen, que permite aos clientes acompanharem o preparo dos pratos no beech oven, um forno importado da Austrália e, na ocasião, único na América Latina. Ampliando ainda mais a experiência gastronômica, o restaurante oferece a Mesa do chef, que pode acomodar até oito pessoas e presta atendimento personalizado durante o jantar.
No projeto do espaço, criado pela arquiteta Consuelo Jorge e desenvolvido com o acompanhamento do chef de Food & Beverage do hotel, Willian Carvalho, foram investidos R$ 400 mil. A ideia era integrar os ambientes para proporcionar maior interação do público, o que é uma das características da bandeira Pullman, conta o chef, para quem o grande diferencial da sua cozinha é justamente a oportunidade do cliente de poder ver seu prato sendo preparado dentro de um ambiente totalmente tecnológico e inovador. O cliente tem que sentir que a cozinha é a continuação do salão, que ela tem a mesma atmosfera agradável, afirma.
Antigamente as cozinhas eram sempre escondidas e, para quebrar esse mito, atualmente estão sendo abertas aos clientes. O show fica por conta dos cozinheiros, que estão em cena e no palco. É mágico para os clientes verem o chef trabalhando e verificando se os produtos são frescos, conferindo a higiene, a iluminação; isso os deixa mais confiantes e satisfeitos, diz o chef Jérôme Dardillac, do Bourbon Atibaia Convention & Spa Resort, no interior paulista, que em novembro passado apresentou os resultados da repaginação completa promovida no Ristorante Dom Gaetano.
Mais moderno, com um ambiente inspirado em cenários italianos, o restaurante ganhou um forno de pizza e também agregou uma cozinha-show com vista para o salão. Estamos sempre seguindo as novas tendências e acredito que essa interação – cliente, chef, cozinheiros – é muito enriquecedora para todas as partes, a exata representação da expressão savoir faire, que significa saber fazer, comenta o chef, lembrando, no entanto, que há riscos a quem opta por essa solução. O cuidado tem de ser redobrado pois estamos o tempo inteiro sendo vigiados pelos clientes, e isso inclui o comportamento e a comunicação, além da apresentação em si, como uniforme, produto de qualidade, armazenamento, utensílios e higiene entre tantos outros itens, completa.
Comer com os olhos
Pioneiro a oferecer um ambiente gourmet dentro de um centro de convenções, o WTC Events Center, na capital paulista, acabou descobrindo nessa iniciativa uma diversificação de produto. Inspirado no conceito francês Table Du Chef, o espaço foi pensado para receber os organizadores de eventos em seções prévias para escolha e degustação do menu, mas ficou tão atraente e aconchegante que virou mesmo um produto dentro do produto. A Sala do chef, como é mais conhecida, começou a ser requisitada pelos mesmos clientes corporativos para eventos mais exclusivos e intimistas, ocasiões em que não raro é o chef Gustavo Torres, gerente de Gastronomia, quem vai para a cozinha da casa, que recentemente ganhou a chancela da Levy Restaurants.Fomos credenciados já na pré-auditoria, um feito inédito entre empreendimentos do mundo todo que se submetem à rigorosa inspeção do grupo, observa o chef.
Originário de uma delicatessen de administração familiar em Chicago, nos Estados Unidos, o grupo Levy ganhou notoriedade e prestígio pela qualidade e o rigor na composição de caterings que atendem de eventos em castelos a petit comités governamentais, passando por grandes eventos esportivos e culturais como o festejado Grammy Awards, em Los Angeles. Estamos muito orgulhosos por termos sido escolhidos para iniciar as operações da Levy Restaurants no Brasil, comemora o chef que agora conta com um diferencial de peso na promoção da gastronomia do WTC Events Center, que com 12 mil metros quadrados de área mantém-se como o maior complexo da América Latina, em que se inclui o que cinco estrelas Sheraton São Paulo WTC Hotel.
A Sala do chef segue o estilo sofisticado e moderno das demais instalações do complexo, porém com toques retrô impressos em algumas das louças, equipamentos e peças que decoram o ambiente, quase todos escolhidos e comprados pessoalmente por Gustavo Torres. Ao centro, chama a atenção a mesa com tampo de vidro tematizada que em seu interior alterna a exibição de ingredientes como massas algumas de produção própria pimentas e ervas secas. Uma das celebridades que se rendeu ao charme da sala foi a cozinheira e apresentadora inglesa, Nigella Lawson, que em maio do ano passado veio ao Brasil para o lançamento nacional do seu livro Na cozinha com Nigella receitas do coração da casa, ocasião em que pode experimentar um menu tipicamente brasileiro especialmente preparado pelo chef Torres.
Ainda em São Paulo, outro endereço que está chamando atenção pelo apelo visual que deixa à mostra quase toda a operação da casa é a Les 3 Brasseurs, a primeira microcervejaria francesa instalada no Brasil no final do ano passado. Logo na entrada, do lado direito, pode-se apreciar a sala de produção onde a atração são os três tonéis de aço com capacidade de mil litros cada um. Mais à frente, do lado direito, fica o bar cujo teto é decorado com jornais antigos da França e do Brasil. O salão principal é decorado com lustres feitos de garrafas com a logomarca da microcervejaria e também deu lugar a uma cozinha show, com projeto assinado pelo próprio diretor-geral, o francês Laurens Defour, que nesta estreia no País investiu R$ 7,5 milhões. A ideia é que a cozinha e o Espaço flamme façam mesmo parte da decoração da casa, fiquem visíveis, porque são interessantes e curiosos para ficarem à mostra e para que as pessoas possam ver como os cozinheiros trabalham. Cozinha é um espetáculo, o cliente precisa ver exatamente o que acontece lá, conclui.

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