Segurança na hospitalidade requer mais inteligência
Em tempos de transformação digital, qualquer recurso clássico para assegurar a segurança do hóspede e de seus dados passa ao largo da nova ordem da segurança nos hotéis. Em palestra sobre o tema, ontem (9), segundo dia do 61º Congresso Nacional de Hotéis – Conotel , Camilo D´Ornellas , que comanda a Headline Consultoria e é egresso de carreira de 30 anos na Polícia Militar, resumiu o quanto as novidades tecnológicas, em sinergia com o humano, podem ser eficientes para blindar o cliente da hotelaria. No entender do especialista, uma recepção ‘barulhenta’ onde o recepcionista colhe em voz alta informações do hóspede no momento do check-in, torna vulnerável o cliente e também os dados fornecidos por ele. D´ Ornellas, que assessora a formatação e logística da segurança em eventos de todos os portes, considera que tanto em espaços externos quanto dentro da área de domínio de um hotel “segurança não é força tática, mas inteligência”.
Convicto de que hospitalidade não combina com ambiente ostensivo, o consultor defendeu a necessidade de proteção ao hóspede, porém via recursos mais sutis. D´ Ornellas classificou que “segurança não é só o que se vê, mas o que está sendo feito”, ao advertir que esta é exatamente a forma engenhosa utilizada pela criminalidade. Em sua recomendação, eventos e hotéis devem estar atentos ao treinamento permanente dos colaboradores, preparando o time seja no controle de acesso físico quanto à proteção dos dados a eventuais ataques cibernéticos. De acordo com levantamento realizado pela publicação Cyber Safety Insights Report Global Results, dois em cada três hotéis do mundo têm os dados de seus hóspedes vazados. “São informações pessoais do cliente, da transação, da rede, tudo invadido”, alertou o consultor.
Enquanto o regulamento de proteção de dados – medida já em prática na Europa – não desembarca no País o que, conforme D´Ornellas, não tarda em acontecer, ele recomenda que todo empreendimento de hospitalidade faça a análise de risco da segurança de pessoas e dados. A inteligência que precisa ser embarcada na gestão é o ponto chave na interpretação do especialista, ao recorrer à própria experiência: “nem o tempo de atuação na polícia rendeu o mesmo conhecimento extraído da vivência na consultoria de segurança”, testemunhou.
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