Rússia: uma viagem pelo maior país do planeta

POR LUCAS MARQUEZ

Com dimensões territoriais que extrapolam duas vezes o tamanho do Brasil, a Rússia é a maior nação do planeta. Os Montes Urais dividem o país em duas grandes regiões: a Europeia a oeste e a Asiática a leste. O território russo caracteriza-se pela presença de grandes planícies e pequenas elevações a oeste dos Urais, vastas florestas de coníferas, extensões de tundra na Sibéria e uma região montanhosa ao longo das fronteiras ao sul do país. Conhecer a Rússia é uma experiência marcante e diferente. Infelizmente é também verdade que não é tão simples viajar pela Rússia e que quase sempre a maioria das pessoas prefere comprar pacotes. O que está mais ao alcance dos turistas são as cidades de Moscou e São Petersburgo.

Mesmo antes da queda do comunismo, a ex-URSS já havia começado a se abrir para o turismo. Porém, este passo tomou força com a queda do regime e a evolução capitalista, tornando o número de turistas visivelmente crescente. Com exemplos com a cidade de São Petersburgo, que recebe cerca de três milhões de turistas, a Rússia já é mais visitada que Veneza, segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT). Para quem estiver programando viagem para esse destino, desde 2010 a concessão de visto para brasileiros com visita até 90 dias não é mais necessária, basta estar com o passaporte em dia.

Cartão-postal da economia
Moscou continua com jeito de cidade extraída de um conto de fadas com as cúpulas de suas igrejas em formato de bulbo. Na capital da Rússia vivem quase 10% dos habitantes do país, com produção de um terço da riqueza nacional. Os 10% mais ricos ganham quase vinte vezes mais do que os 10% mais pobres, o que torna evidente a desigualdade social entre seus habitantes. Na capital, a modernidade dos arranha-céus envidraçados contrasta com a velha, mas bem conservada arquitetura czarista e os prédios stalinistas. A explosão dos “novos ricos” somada à tendência à ostentação, explica a alta concentração de carros de luxo no trânsito da capital e de mulheres com casaco de pele e bolsa Chanel fazendo compras em lojas de rua.

Nas vias moscovitas, Mercedes-Benz, BMWs e Porsches Cayennes de cor preta dominam o trânsito. São carros de pessoas do alto escalão do estado exibindo o poder de trafegar acima da população. Do coração de Moscou, onde ficam o Kremlin e suas igrejas, mais a Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio, o Mercado Gum e o Teatro Bolshoi, o turista pode jogar uma moeda para cima e, na cara ou coroa, decidir o rumo a tomar. Qualquer que seja a decisão, a cidade o presenteará com dezenas de surpresas. Os moscovitas têm um ótimo acesso a cultura contando com cerca de 30 teatros e a mais de 900 bibliotecas. Os museus que são recomendados para visitação:

• Museu Histórico: construído em 1878, o edifício engloba estilos arquitetônicos de vários períodos. Tem acervo especializado na história do povo russo. Novaya Ploshchad, 12
• Museu de Belas Artes Pushkin: inaugurado em 1912, é o museu de maior fama no país. O seu acervo engloba obras-primas do mundo antigo ao século 20. Volkhonka ul.,12
• Museu Dostoiesvky: casa na qual o famoso escritor cresceu. Em exposição, objetos pessoais e móveis da época. Dostoyevskovo ul., 2
• Museu Tolstoy: residência do escritor russo, com mobília e artigos de vestuário. Lva Tolstovo ul., 21

Culinária
A Culinária russa é baseada em receitas típicas e saborosas das repúblicas da ex-União Soviética. É o caso do frango à moda de Kiev, preparado com vários condimentos em especial, o alho ou raviólis Pelmeni ao estilo da Sibéria. Em geral, os russos alimentam-se de sopa, carne (de boi ou porco), peixe e sobremesas bem adocicadas. Para beber, há sempre vodca, mas o vinho também é muito apreciado. Os produzidos na Geórgia ou na Criméia são de ótima qualidade.

Foi-se o tempo em que a vida noturna de Moscou se resumia à programação do Teatro Bolshoi. É verdade que essa continua a ser uma ótima opção, mas também há grande oferta de bares e danceterias, onde a música rola sem parar até quase o raiar do dia.

Pode-se encontrar o que quiser em Moscou, incluindo os últimos modelos de roupas de grifes famosas, mas vale a pena aproveitar a estada para comprar produtos do artesanato russo. Exemplo: as bonecas Matryoshkas (de madeira, uma encaixada dentro da outra) e os chapéus de pele.

O Mercado de Pulgas (Vernisazh) é o melhor lugar para fazer compras na cidade. Funciona no Parque Ismaylovsky, aos sábados e domingos. Além de bonecas e roupas típicas, há grande oferta de peças de antiquário e tapetes do Cáucaso, vendidos a preços acessíveis.

Metrô rápido, eficiente e barato
Vai para Moscou? Caso sua resposta seja positiva, não deixe de visitar um verdadeiro museu subterrâneo. Por apenas 56 rublos é possível realizar um excelente deslocamento pela capital da Rússia com acesso a uma vasta beleza surreal das estações onde se permanece pouco mais de 90 segundos pela espera do próximo trem. De sua estação de partida para seu destino final, certamente uma pequena aventura estará incluída no preço da tarifa. As estações são limpas de pichações e com pouca publicidade, e as primeiras construções do metrô de Moscou foram protagonizadas no governo de Joseph Stálin, em 1935. Atualmente é um dos metrôs mais movimentados do mundo, cobrindo cerca de 185 estações, numa rede de 12 linhas. Cerca de oito milhões de passageiros sobem e descem dos vagões por dia.

Durante a segunda guerra mundial foram construídas algumas estações de metrô e estas foram planejadas para serem bunkers em caso de bombardeios. De tão profundas que são as estações de metrô, naturalmente perde-se mais tempo para chegar até a plataforma do que necessariamente esperando o trem chegar, como por exemplo, na estação Park Pobedy, com cerca de 120 metros de escada rolante. Entre os anos 30 e 50, surgiram as estações mais requintadas para a época, com lustres suntuosos e decoração palaciana. Em todas elas, a ideologia da revolução comunista está presente, seja na figura onipresente do ditador ou nos afrescos e estátuas que remetem ao trabalhador, sempre em ação no seu trabalho e feliz.

As estações apenas têm identificação no alfabeto cirílico, sem nenhuma tradução para inglês tampouco em outros idiomas. Nas estações sempre haverá a dúvida: qual trem pegar, o da direita ou da esquerda? Depois de algum tempo conferindo o mapa metroviário, você opta por um dos lados. Provavelmente nas primeiras vezes optará pelo lado oposto ao seu destino e perceberá de duas maneiras: a mais óbvia é que a estação seguinte não é a que você esperava e a outra, mais delicada e sutil, é a voz do sistema de som no vagão que informa a próxima estação: se for masculina, o trem vai em direção ao centro, se for feminina, na direção contraria, o trem vai sentido bairro. Na linha circular, a voz masculina soa nos vagões que trafegam no sentido horário, e a feminina, no anti-horário.

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