Restaurantes

Sabores brasileiros somam valor ao trismo no País

A diversidade gastronômica é uma das riquezas da cultura brasileira e motiva os roteiros turísticos. No País, nas últimas três décadas, o food service (alimenta¬ção fora do lar) registrou um vertiginoso crescimento de demanda, motivando in¬vestimentos da indústria alimentícia em novos produtos e a ampliação das opções de restaurantes e similares, que mantêm a competitividade aprimorando os serviços. As edições da “Hotelnews” registram essa evolução, também observada na rotina de trabalho desses estabelecimentos que fazem parte do imaginário social, como o Terraço Itália, as casas da família Mancini, o Bar Brahma, a Cantina e Pizzaria Castelões, na Paulicéia. Limitando-se ao eixo Rio-São Paulo, acrescenta-se uma pitada carioca: a centenária Confeitaria Colombo.

No coração de São Paulo, o Terra¬ço Itália preserva o glamour da época em que foi inaugurado (1967), em uma ceri¬mônia que contou com a presença do então prefeito Faria Lima. Idealizado por Evaristo Comolatti, que tinha como meta oferecer um restaurante diferenciado na Paulicéia, rapidamente, tornou-se o mais sofisticado ponto de encontro de celebridades e da eli¬te social. Revitalizado em 1997, mantém a sua tradição. Instalado no topo do edifício de 165 metros, propicia uma vista singular da cidade aos almoços de altos executivos, jantares familiares festivos ou românticos e eventos sociais e de negócios.

Descontração e charme

Próxima à rua Augusta, bem per¬to do centro, está a estreita e pequena rua Avanhandava, que abriga cinco restauran¬tes da família Mancini, com cardápios va¬riados, oferecendo à la carte, bufe e pizzas. Sob o comando está o restaurateur Walter, considerado uma lenda viva em São Pau¬lo. Na década de 1960, foi um dos donos de boates que fizeram história na cidade, como a Cave e a Ton Ton. Ele nunca parou de inovar. Afirma: “em um estabelecimento gastronômico não existe uma receita para o sucesso. É preciso ter visão empreende¬dora, entender de marketing e de salão”. Com essa visão, tem enfrentado toda a dinâmica do centro da cidade, que teve uma fase de decadência e, agora, investe com sucesso para que ressurja o esplendor de antigamente.

Também na região central, na badalada esquina das avenidas São João e Ipiranga, há mais de 60 anos está o Bar Brahma, uma das casas mais visitadas pe¬los turistas, tanto pela localização estratégica como pelo cardápio típico brasileiro, servido ao som da MPB. O sócio-proprietário, Álvaro Aoas, acrescenta ou¬tro ingrediente ao sucesso: “o que faz a diferença é que, no Brahma, cada cliente é especial. Quando a pessoa sai de sua casa para uma refeição, ela não quer, apenas, se alimentar e beber. Espera um ritual chamado happy hour, almoço ou jantar. Quer receber tratamento personalizado”.

Em São Paulo, uma das casas mais antiga é a Cantina e Pizzaria Castelões, que marca o início da tradição da cozinha italiana na cidade. Inaugurada no Brás, na década de 1920 (não há data oficial de aniversário), o ambiente mantém a tradição e o folclore. Conta com toalhas qua¬driculadas em verde e vermelho sobre as mesas, coleções de azeites e de latas de cerveja nas prateleiras, além de cen¬tenas de fotos de anônimos, esportistas e celebridades nas paredes. Entre essas, está a de Fernando Henrique Cardoso comemorando sua primeira eleição presidencial.

Rio de Janeiro

Também o Rio de Janeiro têm muitos restauran¬tes de grande tradição. Integra essa coleção, a Confeita¬ria Colombo, inaugurada em setembro de 1894 pelos portugueses Joaquim Borges de Meirelles e Manoel José Lebrão. Desde 1983, integra o Património Histórico e Ar¬tístico do município, simbolizando o que representou a “belle époque” na vida carioca. Sua decoração “art nouveau” é comparável ao que existe de mais típico, dessa época, nos salões europeus. Em seus amplos es¬paços reluzem espe¬lhos belgas, mobili¬ário de jacarandá e bancadas de mármo¬re italiano.

Ponto de encontro da intelectualidade, durante décadas, foi imortalilizado na literatura e no cinema nacional como cenário de de diversas obras. Sob a administração de Maurício Assis, a casa reedita quitutes como pão de ló, Doce Rivadávia, Biscoitos Leque, Língua Recheada e Maravilha de Camarão. Criou ainda uma linha de produtos Colombo, que inclui louças, camisetas, aventais, café, pimenta e balas, exposta no Espaço Memória, que funciona no segundo piso, ao lado do restaurante Cristóvão.

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